11 de setembro de 2004

E VÃO SEIS

Claramente à frente na União Europeia!
Um novo dado estatístico vem colocar Portugal na vanguarda, infelizmente, uma vez mais, não pelas melhores razões.
Não se trata da taxa de analfabetismo, nem das taxas de abandono escolar, nem, tão pouco, das taxas de insucesso dos estudantes do ensino superior, trata-se tão simplesmente de mais um curso de Medicina Veterinária.
Desta vez a iniciativa foi da Universidade Lusófona, anunciando nove protocolos com entidades privadas e instituições públicas.

Somos, de longe, o país da União europeia, provavelmente do mundo, que tem maior número relativo de cursos de Medicina Veterinária. Das duas uma: ou são realmente necessários (o que ninguém no seu perfeito juízo acredita), ou não passam de projectos que se objectivam em si próprios, omitindo o destino que estarão a dar aos futuros licenciados (o que parece realmente verdade).
É mais que sabido que o número de profissionais existentes no país, mau grado algumas carências pontuais e marginais, particularmente no domínio da Administração Veterinária, vai dando e sobrando para as necessidades…
É mais que sabido que o número de profissionais que anda por aí "ò tio, ò tio" a saber de trabalho, é mais que muito…
É mais que sabido que ao contrário do que muitos alegaram no passado, o aumento da oferta não resultou em aumento da qualidade, diria mesmo, antes pelo contrário…
Então onde reside a Autoridade para travar semelhante dispersão de recursos, intelectuais, físicos e financeiros? Para devolver ao "cliente" (pais e alunos) um futuro condizente com as expectativas criadas e o investimento produzido? Para dar à sociedade aquilo que se exige e não aquilo que possam ser, ainda que legítimas, as ambições pessoais ou empresariais de alguns elementos dessa sociedade?
Impressionante parece ser a capacidade da Ordem para manifestar o seu parecer e até dá-lo a conhecer.
Quando surgiu o terceiro projecto de ensino da Medicina Veterinária, patrocinado pelo Instituto de Ciência Biomédicas Abel Salazar, depois de Lisboa (Gomes Freire/Ajuda) e Vila Real (Qta dos Prados), houve um grande sururu com o número de Veterinários que para aí vinham… afinal depois disso viram à luz Évora (Mitra) e Coimbra (Mosteiro de S. Jorge) e agora de novo Lisboa (Campo Grande) e nada!...
Curioso é igualmente o anúncio de protocolos com a Direcção-Geral de Veterinária (DGV), o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV) e o Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI). Em que se baseiam esses protocolos? Ou são extensões educacionais da Universidade que superam deficiências de ensino do próprio curso, ou são complementares do ensino ministrado e neste caso não se entende o anúncio em si.
Invocar estes tipos de protocolo, sem deixar claro o seu conteúdo, parece configurar publicidade enganosa.
Seja como for, deixo apenas um motivo de reflexão: porque será que países com a dimensão populacional semelhante à de Portugal e até maiores, não têm, nem de perto, nem de longe, tão grande número de cursos de Medicina Veterinária?

8 de setembro de 2004

VETERINÁRIO PRECISA-SE

Para exterminação de praga de carraças...
A notícia que há dias subiu ao ecrã da televisão (pelo óculo da TVI, salvo erro), não seria digna desse destaque, mesmo considerando o insólito da circunstância: associado à morte de dois cachorros, umas dezenas de carrapatos "emigrou" para outras paragens, naturalmente em busca de um novo senhorio...

É uma daquelas notícias que geralmente ocorre na emissão dos "tele-regionais", com um impacto não desprezível, a esse nível, exactamente por falar e mostrar, de pessoas e locais "bem conhecidos".
Também, por este motivo, se esperaria que a notícia abordasse duas perspectivas interessantes: os aspectos técnicos decorrentes do Bem-Estar Animal, já que a morte dos canídeos pareceu estar associada a negligência grosseira dos donos e as consequências que poderiam ocorrer no domínio da Saúde Pública.
Esperava-se que o jornalista recorresse ao douto parecer do Médico Veterinário Municipal. Na verdade quem melhor estaria em condições de tecer considerações sobre os aspectos de Bem-Estar Animal e de Saúde Pública? Não temos a mínima dúvida: a Autoridade Sanitária Veterinária Concelhia!
Mas não... ao jornalista só lhe terá ocorrido pedir a opinião do Delegado de Saúde, que por sinal se encontrava de férias (não se sabe se o jornalista terá solicitado a presença do substituto).

Ficamos na incerteza sobre o papel do Médico Veterinário Municipal.
Será que o canal televisivo em causa desconhece a existência desta Autoridade? Se for este o caso caberia à Autarquia colmatar essa falha e até mesmo à Ordem profissional emitir reparo ou de qualquer modo desenvolver iniciativa nesse sentido.
Não sabemos o que aconteceu! Alguém nos pode esclarecer?
Será que não foi sequer considerado o eventual recurso à Autoridade Sanitária Veterinária Concelhia? Mesmo sabendo-se da sua existência? A ser assim o caso parece ainda mais grave pois a "Autoridade" só o é em termos formais, na realidade ela não foi reconhecida. Neste caso não se justificaria igualmente uma intervenção da Edilidade e da Ordem, no sentido de repor esse reconhecimento?

Ou será que na Câmara Municipal de Cantanhede não há lugar (ou não está preenchido) de Médico Veterinário Municipal?
Também não sabemos! Alguém poderá esclarecer?

7 de setembro de 2004

difficile est saturam nom scribere

É preciso também saber usar a cabeça, que sobretudo num vet deve fazer uma grande diferença da dos animais.
vetatento

É difícil não escrever sátiras… de facto, numa sociedade como a nossa.
Seria essencial usar a cabeça, ou melhor a massa cinzenta. Seria importante que:
- a actualização de conhecimentos fosse efectiva e não apenas um conjunto de diplomas;
- os certificados correspondessem à verdade;
- a prescrição fosse dirigida apenas a animais que pessoalmente se acompanhou;
- a abstenção de publicitar ou propagandear a actividade fosse real.

6 de setembro de 2004

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

Estas duas imagens são diferentes em oito pequenos detalhes, Será que os consegue descobrir?


(soluções em próximo post) Posted by Hello

NÃO ESTAMOS SÓS

Diz a National Aeronautics and Space Administration (NASA) ter descoberto uma nova classe de planetas extra-solares: rochosos do "tipo Terra", orbitando em torno de um sol e de uma dimensão do "tipo grande Terra".
"Ultrajante…" afirma Nuno Santos, astrónomo português que integra a equipa do European Southern Observatory (ESO), que em 22 de Agosto passado anunciara o mais característico daqueles planetas até hoje descoberto… atrapalharam-se os americanos por chegarem "um pouco" depois…
Não é para admirar: quem disse que, também nos meios científicos, não há ciúmes, nem invejas?
Polémicas à parte, estão de parabéns a ESO, a sua equipa e o "nosso" Nuno Santos.
O projecto de pesquisa deste tipo de planetas, semelhantes à Terra, visa a identificação de condições para a vida fora do Sistema Solar; não confundir com extra-terrestres (ET).

Aliás, a propósito de confusões, nada de baralhar com a sigla VET… não! Não se trata de Veterinários Extra-Terrestres! Embora os haja que são igualmente difíceis de encontrar: nos municípios, no local de abate (on the spot…), no momento da emissão de um certificado, da colheita de uma amostra para exame, de constatar as condições físicas de recepção de produtos alimentares.
Aposto que é mais fácil o astrónomo Nuno Santos encontrar um exo-planeta que alguns desses VET, de qualquer modo aqui fica a nossa mensagem para esses:


This plaque was launched with Pioneer 10 and 11 in 1972 and 1973 respectively. It was designed to explain to 'scientifically literate' aliens when the Pioneers were launched, who launched them, and where they came from.

Cá ficamos aguardando alguma mensagem de resposta ao nosso apelo, pois sabemos que não estamos sós…

4 de setembro de 2004

UM COELHO DA CARTOLA

O anterior governo, pela mão do Primeiro-Ministro, Durão Barroso, do Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Sevinate Pinto e do Secretário de Estado Adjunto e das Pescas, Frazão Gomes, propunha-se apresentar uma "reforma" do Sector Público Administrativo que tutela os "assuntos veterinários".
A proposta previa uma boa clarificação das diferentes componentes e das diferentes responsabilidades do sector: a Agência para a Qualidade e Segurança Alimentar (AQSA), responsável pela avaliação e comunicação dos riscos no âmbito da segurança alimentar; a Direcção-Geral de Veterinária e Alimentação, como Autoridade Sanitária Veterinária Nacional e por isso responsável pela gestão daqueles riscos e a Inspecção-Geral de Alimentação, responsável pelo "policiamento" das actividades contrárias à Lei, sempre no domínio da Segurança Alimentar.
Com a tomada de posse do governo liderado por Santana Lopes e tendo particularmente em conta o perfil da actual equipa de governantes no Ministério da Agricultura, não foi sem surpresa que no seu sítio fomos dar com a intenção de cumprimento da Resolução do Conselho de Ministros n.º 131/2002.
Aliás a notícia é ainda mais surpreendente, o Conselho de Ministros de anteontem (2 de Setembro) aprovou a Lei Orgânica da APSA (afinal mudou de nome… nós que gostávamos tanto de AQSA…), é caso para dizer que saiu um coelho da cartola…

3 de setembro de 2004

METE-ME CÁ UMA RAIVA…

Um caso de raiva num cachorro está a deixar a França em polvorosa… é que o animal (este aqui)

terá "pregado" algumas dentadas e distribuído outras tantas mordidelas, supondo-se que as mesmas tenham tido consequências graves para as vítimas.
O alerta do Director-Geral de Saúde francês dirige-se a todos os potenciais "mordidos", pois que o animal andou com o dono por diversos festivais de verão do sudoeste de França e sabe-se lá quantas vezes terá feito o gosto ao dente… ainda por cima numa população deslocalizada, implicando aspectos de natureza epidemiológica muito interessantes, bom… não na óptica dos mordidos.
É que Gilles Brucker, Director-Geral do Instituto de Vigilância Sanitária francês, declarou que a raiva é "…a única doença infecciosa mortal a 100%...", ainda bem, pois que se fosse mortal aí a uns 80% não seria caso para tanta preocupação...
Como o caso envolve uma população desconhecida e potencialmente incluindo estrangeiros, o alerta foi já generalizado pela Comissão Europeia a todos os Estados Membros… atenção portugueses! Quem foi até França a algum dos festivais de verão (Périgueux - 5/8; Miramont de Guyenne - 7 a 8/8 e Libourne - 12 a 14/8) e ainda não esqueceu aquela ferradela irritante do cão do vizinho…
DIRIJA-SE RAPIDAMENTE AO CENTRO DE SAÚDE MAIS PRÓXIMO E INFORME AS AUTORIDADES!
Aqui fica o nosso contributo!
Para a gravidade do caso parece que pouca foi a publicitação dada… o que dizem as Autoridades sobre o caso? Uma espreitadela ao site do Ministério da Agricultura, do Office International des Epizooties, da Comissão Europeia e da Autoridade francesa é esclarecedora…
notícias só nas "páginas" da Comissão e do Instituto de Vigilância Sanitária Francesa… e o que dizem os profissionais? Bom a Ordem dos Médicos Veterinários, nada… a Federação dos Veterinários da Europa, também não…

Mas a história não acaba aqui! O animal em causa foi importado irregularmente de Marrocos em Julho passado, facto que levanta, uma vez mais, a questão pertinente dos passaportes de animais de companhia (designadamente cães e gatos).
Alguém conhece o passaporte português? O Veterinário Precisa-se… não! Nem tão pouco o modelo a utilizar em toda a União Europeia! O que pensam os Médicos Veterinários dessa questão? Aceitam-se sugestões, opiniões e palpites!
O que pensam as Autoridades portuguesas sobre o tema? Desconheço! Tanta falta de iniciativa mete-me cá uma raiva...

VETERINÁRIOS ANÓNIMOS

Só por brincadeira se poderia pensar tratar-se de uma analogia com os alcoólicos anónimos… de facto a natureza anónima dos alcoólicos visará salvaguardar o ostracismo social, constituindo também fundamento espiritual da auto-estima e do respeito por princípios.
Não tememos o ostracismo, embora nos pautemos por princípios, afinal nem estamos em Atenas, nem sujeitos à "assembleia do povo", nem tão pouco abdicamos do direito à crítica… séria, honesta e responsável e isso não é solúvel no anonimato.
O poder dos argumentos vale mais do que as individualidades que os esgrimam, embora por cá nem sempre assim seja e muitas vezes a exposição dos argumentos começa por: não sou eu que o digo, mas sim Beltrano…
Não que o anonimato deste blog seja motivado por esse tipo de pudor, de facto não… ele é produzido por anónimos, nada intelectuais ou aristocráticos… apenas cidadãos e profissionais atentos às questões que os afligem dia-a-dia.
Não confundimos o direito à crítica com a injúria ou a ofensa, e essa é objectivamente uma fronteira que estabelecemos, sem grande dificuldade, não sentindo sequer necessidade de a impor… esse é um princípio básico pelo qual nos pautamos, fluindo, por isso, intuitivamente.
Faz parte daquela fronteira um outro valor: o da verdade, do fundamentado… mais do que firmes convicções (essas também existem), os argumentos assentam na verdade dos factos ou são sustentados pelos dados e essa verdade vale mais que o anonimato, direi mesmo que está muito acima dele e por isso, muito para além das "individualidades" que defendem esta ou aquela perspectiva das coisas.
Nem por isso a crítica deixa de ser mordaz, porque irónica ou jocosa, bem-humorada, valorizada por esse destaque e nesta perspectiva por vezes satírica, mas nunca ofensiva, em transgressão ou difamatória.
Infelizmente também não é o anonimato que nos põe a salvo das angústias e ansiedades que os temas que abordam suscitam, mas a forma responsável como os encaramos.
Não é uma intervenção clandestina, embora resista contra alguns poderes instalados, mas nem por isso sugere qualquer promessa de futura quebra do anonimato, ainda que contrariando esses "poderes".
Mesmo correndo o risco de injustificado, o anonimato continuará a ser o condimento deste blog, mas sempre responsável, verdadeiro, bem-humorado e não ofensivo.
Estamos de volta.

11 de fevereiro de 2004

SOCIEDADE DO FUTURO

O futuro alicerça-se no que ficou do passado, mas também naquilo que se vai fazendo e nas consequências do que, por incúria, se deixou de fazer. Por isso nos preocupamos com o tipo de sociedade que aí vem.....
Dum modo geral vive-se num frenesim constante que, por um lado e por vezes, nos impele para atitudes impensadas e, por outro, leva-nos ao desinteresse e sempre à revolta quando a vida nos pressiona um pouco mais do que o habitual. A maior parte de nós quase desespera quando as coisas desejadas não aparecem rapidamente, como acontece quando se pressiona sem sucesso um qualquer botão duma qualquer maquineta electrónica. Sobretudo na juventude nota-se este tipo de impaciência que muitas vezes é traduzida em desistências de vária ordem ou em atitudes de demasiada contestação emocional, embora todos saibamos que a vida não é um mar de rosas..... A falta de treino para suportar as contrariedades desta vida agudiza esta situação.
Vivemos numa época de mudanças rápidas, entre um passado que estava estagnado e um presente que nos empurra para atitudes radicais, num contraste de extremos muito grande. Quase a ninguém estranha que se ponha em dúvida se as pessoas podem livremente degradar-se, prostituir-se, drogar-se, ou suicidar-se sem que o Estado nada tenha a ver com isso, ou se, pelo contrário, o Estado deve fazer chegar o seu braço até aí, advogando um papel social, ainda que nem sempre cumpra com este mesmo papel em outros campos, quiçá mais importantes....
Pessoas com grande responsabilidade perante os seus concidadãos por seus escritos serem lidos por muita gente esquecem-se disso e manifestam opiniões que mais agravam a situação actual, ou, na melhor hipótese, em nada contribuem para lançar os alicerces adequados a mudanças equilibradas.
Assim, parece que o Estado apenas sabe exercer a sua intervenção directamente, como que querendo traçar previamente os moldes em que as mudanças hão de surgir - parecendo querer intervir cada vez mais na vida de cada um de nós - em vez de exercer a sua função burilando o que já está feito e aqui ou além introduzindo algumas novas influências.
Ao caminhar-se no sentido actual e considerando a tendência para o radicalismo, em breve chegaremos a uma situação em que o Estado será omnipresente.
Será um devaneio do socialismo democrático, ou será isto o que a maioria deseja?

9 de fevereiro de 2004

SANTINHO

Olh'ó nitrofurano barato… é p'rá acabar…
Quem dizia que os nitrofuranos estavam acabados? Pelos vistos a venda ilegal continua... E, fico perplexo, foi a Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE), numa joint-venture com o Instituto da Farmácia e do Medicamento (INFARMED), que concretizou as apreensões… tendo em conta a crónica falta de fiscalização do cumprimento da Lei, não será esta apenas a ponta do iceberg?
As apreensões foram feitas na zona das Caldas da Rainha, mas não parece que as substâncias estivessem escondidas em nenhum ex-libris local... antes pelo contrário, ali mesmo, aos quilos, em estabelecimentos clandestinos, sob a forma de pó, comprimidos… muito do material nem sequer se sabe o que será… mas as suspeitas recaem sobre os pobres nitrofuranos e os, cada vez menos famosos, antibióticos.
Como "de Espanha nem bom vento nem bom casamento", também agora a poeirada se suspeita ter aquela origem e provavelmente através de uma network criminosa, bem organizada, a que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) não vai dar tréguas.
Pelo menos 90 processos-crime já estão instaurados e continuam em investigação, embora ainda sem acusação formada… como os processo que a Ordem dos Médicos Veterinários prometeu… instaurados, mas ainda sem acusação formada… ou arquivamento (parece o mais provável).
Vejamos… se o raio das substâncias está proibido (embora a sua eventual utilização, mesmo em animais destinados ao consumo público, seja discutível… mas quem somos nós para dizer isso…), mas aparentemente continuam a ser utilizadas, porque raio de razão, das análises aleatoriamente promovidas no âmbito do Programa de pesquisa de resíduos, só resultam resultados negativos?
Serão circunstâncias estatísticas especiais? Será do nível aleatório da amostragem? Ou será devido a qualquer outra razão?
Subsistirá sempre a dúvida, que se espera brevemente esclarecida: os assistentes das explorações serão assim tão distraídos que não se apercebem da incorporação nas farinhas? O que pensa o Governo do assunto? não se justificam medidas urgentes?
Ainda nos vão dizer que a gripe aviaria não passa afinal de uma alergia a tanta poeirada… se as galinhas espirrassem… era caso para dizer: santinho!

8 de fevereiro de 2004

A CRISE DOS 4 EFES

De há muito que vem crescendo na população a falta de confiança nos partidos políticos e actualmente pode dizer-se que a própria democracia representativa está a ser posta em causa. Não foram as notícias vindas ultimamente a público sobre corrupção que desencadearam este sentimento; não é um fenómeno recente. O que parece é que os políticos têm andado distraídos....Os cidadãos, em geral, puseram grandes esperanças na Democracia Representativa, mas estão cansados de esperar pela sua consolidação e descrentes da vontade dos próprios Partidos para que isso aconteça. E, mais vezes do que o saudável, já admitem que os políticos não a desejam melhorar e que preferem envolver-se em lutas de poder pelo poder em vez das que são de interesse para todos nós. São exemplo as contradições em que os deputados caiem quando produzem justificações a coberto da disciplina partidária, ou quando mudam de atitude e de opinião conforme estão no poder ou na oposição; o interesse focado nos cidadãos só na ocasião dos períodos eleitorais; as concessões “ negociadas” para aprovação do OE, da própria Constituição; etc. Em relação ao Governo, são notórias as actuações tipo bombeiro (atacar os incêndios e não as suas causas); as promessas não cumpridas; e, entre mil e uma outras coisas, a falta de estratégias adequadas para a “agricultura” e para a “transmissão de conhecimento”, por exemplo; a falta de fiscalização em vários sectores; a quase indisponibilidade para garantir a segurança das pessoas contrastando com as garantias dadas ao capital financeiro; etc., etc. Em relação ao poder local também são inúmeras as circunstâncias nas quais se radica a crise de confiança, entre elas a permanente indiferença (ou mesmo desprezo) quanto a uma maior participação das populações na vida da comunidade quando essa mesma participação poderia ser conseguida facilmente utilizando melhor a existência das Juntas de Freguesia, etc. Enfim, existe um grande número de motivos para criar no nosso coração a falta de confiança, mas mais confrangedor é assistir-se à total indiferença dos políticos, a tal ponto que essa indiferença acaba por tornar ridículas as próprias “referências” feitas pelo Senhor PR....Tudo isto concorre para o povo, com a sua tradicional sabedoria, se convencer de que, afinal, o Sistema está mais interessado no poder pelo poder do que lutar pelo que é de maior interesse para a Nação.
É previsível que em breve se assista a numerosas declarações de intenção sobre Democracia Participativa e tentativas de justificação relativas aos referendos: o que contrariou o da Regionalização e já habilidosamente contornado; o respeitante ao aborto, e aos que dirão respeita à nossa própria Constituição e à da UE.
O povo continua meio anestesiado pelo futebol, mas, em boa verdade, pode-se considerar dividido em quatro grandes áreas de interesse dos 4 efes: - futebol das massas; finanças do grande capital; farola dos políticos; o quarto não digo qual é....

5 de fevereiro de 2004

RETRATO DE FAMÍLIA

Quando na Actividade Privada se conclui que este ou aquele empregado apresenta um rendimento mais baixo que o habitual logo há um responsável que procura a causa, dependendo do nível da empresa e da importância do problema, evidentemente, porque a causa pode estar no próprio seio laboral e - a persistir - levará ao abaixamento do rendimento de outro ou de mais outros trabalhadores......Ao nível dos quadros superiores existe também muita preocupação a este respeito.
Como é óbvio, este mesmo problema existe também na Administração Pública, ocorrendo muito mais do que seria razoável, só que nesta “empresa” as chefias – desde as mais baixas até às de topo – não se preocupam, ou quando se preocupam não são apoiadas, ou mesmo saem do processo mais frustradas do que no início por falta de apoio, de compreensão e de possibilidade prática para o resolver convenientemente.
Quem nas chefias da Administração Pública está preocupado com o baixo rendimento deste ou daquele funcionário, mesmo deste ou daquele grupo inteiro de funcionários? Quer o recrutamento das chefias seja feito com base num concurso público, ou por escolha, nunca vi – durante os meus largos anos na Função Pública – ser dada qualquer importância aos problemas relacionados com a Inteligência Emocional, nalguns quadros superiores completamente ignorada, ou até vilipendiada.
Agora que está à porta uma reforma da AP, já deram conta da preocupação para resolver esta gravíssima realidade? Apesar de toda a atenção, apenas me foi dado constatar preocupações respeitantes à defesa daquilo que eu classifico como prerrogativas de natureza sindical, para logo de seguida se manifestar algum interesse quanto à melhoria da produtividade e eficiência, como se estes factores estivessem em planetas diferentes. Esperemos que haja bom senso e que as alterações não girem apenas à roda de melhores instalações, novo mobiliário, melhores ajudas de custo, mais viaturas, etc.
Se na reforma anunciada não for levada em consideração a I E no que concerne às chefias e não existirem soluções adequadas às causas dos os problemas, estou certo de que tudo continuará na mesma logo que passados os primeiros meses da euforia......É que a moldura poderá ser diferente, mas o “RETRATO DE FAMÍLIA” será o mesmo!

3 de fevereiro de 2004

ARMAS DE VACINAÇÃO MACIÇA

Quando se fala e se perspectiva adoptar uma campanha de vacinação, logo dois coros de "cientistas" se perfilam: um, que de alma e coração se coloca a favor, depressa e em força, e outro, que com igual veemência, chama a atenção para a necessidade de controlo dos inconvenientes ou mesmo sublinhando a impossibilidade que esses contras sugerem à aplicação de um certo imunogénio.
A este propósito, a comunidade científica também não mantém a mente aberta, o quanto baste, na busca da decisão mais equilibrada, face à situação real, nas suas vertentes técnica, social e económica, tendo em conta o compromisso com a sociedade a que se dirige.

Vem tudo isto a propósito da vacinação maciça do efectivo ovino e caprino de Trás-os-Montes contra a brucelose, com REV1, aplicado por via conjuntival.
Por muito que este "velho do Restelo" se ponha aqui a perorar, o certo certinho é que o número de abates sanitários se reduziu a valores nunca vistos (porque a vacinação suspendeu o rastreio), invocando os responsáveis, com algum atrevimento, que até o número de casos de brucelose entre a população diminuiu (deve ser porque a vacina cura…).
O tempo falará por si… e quando vierem à tona todas as falências em que a esta vacinação se enxertou, inevitavelmente sobrará sempre a desculpa que alguma coisa era necessário fazer, segundo uma lógica que sempre é pior não decidir que decidir mal.

Para já, para já, aqui ficam algumas pérolas avulsas sobre o assunto… Como já lá vão dois anos e meio desde o início da vacinação, impõe-se agora saber o que fazer aos animais vacinados… que maçada… bom, conforme mandam as regras há que rastrear a doença, de novo, e livrarmo-nos dos positivos (supostamente infectados).

Começam os problemas, porque qualquer que seja o critério a adoptar, com base nos testes laboratoriais de diagnóstico que eventualmente venham a ser adoptados, subsistem a priori, vários problemas: o dos animais que foram vacinados, mas sabe-se lá quando… o dos animais que supostamente foram vacinados, mas relativamente aos quais não se sabe realmente se o foram ou não… o dos animais que ninguém conseguirá identificar… aqueles outros que possam ter sido marcados (tatuados) em local, que não o de eleição, e por isso escaparão a essa identificação… já para não falar daqueles que serão identificados como não vacinados, mas que de facto o foram, ou aqueles que venham a ser abatidos para consumo, supostamente importados desde Espanha!
Seja como for, como só passaram… nalguns casos três anos… a Autoridade Veterinária chegou à conclusão que é urgente definir-se o que fazer aos animais reagentes, até porque admite a detecção dos 7% de positivos (mais coisa, menos coisa, e contando com os não contabilizados, serão uns 15 ou 20%... não liguem, isto são exageros aqui do Veterinário precisa-se…).
Assim, para que não haja dúvidas, o caso nem é para ser discutido ou sequer explicado aos Veterinários de serviço (que aliás parecem digerir a coisa com bastante complacência), a metodologia a seguir é simples… é só ter em conta a ligação da célebre Agar Gel ImunoDifusão (AGID) à não menos desconhecida Fixação do Complemento (FC)!!!???...

E de uma penachada se resolve um problema científico até agora sem solução: distinguir, por testes laboratoriais correntes, seropositivos em resultado de uma vacinação ou de uma infecção… e dizem estes que a coisa é impossível…: "Dessa forma, os resultados obtidos não estimulam o uso da prova de imunodifusão em gel de ágar, utilizando como antígeno extrato polissacarídeo de parede de Brucella (POLI O) como técnica diagnóstica de rotina, em virtude de sua baixa sensibilidade, o que possibilita manter animais infectados no rebanho e favorece a disseminação da doença.".
Pois… mas para a Autoridade Veterinária a prova de AGID permite a diferenciação de animais vacinados com REV1 dos animais infectados e (até esta pasme-se) dos animais que estão a excretar brucella.

É verdade que nos bovinos, segundo nos dizem do Brasil, a AGID parece ser "…uma prova de diagnóstico útil para identificar animais seropositivos, naturalmente infectados, de animais vacinados com diferentes doses reduzidas de B. abortus S19…" mas ainda assim salvaguardando a necessidade de investigações adicionais, pelo que a generalização da "ciência" nacional nos parece, no mínimo… atrevida…
Não sei porque não se atreveram a ter em atenção a experiência de França…, talvez pelas influências de Espanha….

Em qualquer dos casos, e já não seria mau se o assunto pudesse ser discutido com os Médicos Veterinários envolvidos, subsiste o mistério na atribuição do mesmo valor de diagnóstico da AGID com a FC, desde que o título desta última seja superior a 66 Unidades Internacionais de Aglutinação.

Nem as Autoridades de serviço se comparam à CIA, nem a Al-Qaeda de prepara para produzir REV1 em massa, mas se George W. Bush soubesse, David Kay não precisava ter reconhecido: "Enganámo-nos todos"…

2 de fevereiro de 2004

OLHAR AS ESTRÊLAS

No ambiente em que vivem os seres vivos (animais e plantas) originam-se “acontecimentos” que se traduzem por um conjunto de formas, de cores, de odores, cantos, etc., mas que, na realidade, lhes fornecem “sinais”. Estes, porém, não têm, evidentemente, o mesmo significado para todos os seres vivos e para o Homem ainda menos porque desde há muito ele perdeu essa faculdade; deixou de saber fazer a “leitura” desses mesmos sinais.
As plantas captam avisos da radiação solar, da tensão dos gases atmosféricos, etc; os insectos como, por exemplo, as abelhas, decifram mensagens cromáticas e olfactivas que as flores emanam; os carnívoros decifram a passagem das presas pelos rastos, odores e sons; mas o Homem comum já nem sequer sabe olhar para as estrelas.....
Tais avisos, contudo, entenda-se, não são informações emitidas pelo ecossistema; são, isso sim, o resultado dos vários acontecimentos que ocorrem no pequeno mundo constituído pela totalidade dos organismos que o ocupam e onde se relacionam entre si e com o meio ambiente (ecossistema). Uns são casuais, outros repetitivos e regulares como o nascer do sol (ciclo dia/noite), as marés, etc. Alguns destes ciclos são mais rápidos (bi-diários como as marés); outros mais lentos (estações do ano) e outros tão lentos que não há memória das suas ocorrências (glaciares).
A gravitação que o sol exerce sobre o planeta que habitamos, o circuito feito em torno do sol e a sua rotação sobre si mesmo, criam uma ordem cíclica que o mundo vivo, desde há milhões de anos, incorporou como propriedade da sua organização fisiológica. Os seres vivos, mesmo não tendo consciência do facto, possuem a capacidade de “medir”o tempo e de se organizarem em função disso.
Os chamados ciclos da biosfera (geoclimáticos, atmosféricos, etc.) ficaram, ao longo dos milhões de anos da evolução, bem interiorizados em cada indivíduo vivo, acabando a periodicidade desses ciclos por comandar as suas actividades fundamentais (alimentação; repouso; reprodução), de tal maneira que, na maioria dos tecidos do corpo, a maior parte das células divide-se ao entardecer e durante a noite e não durante as horas do dia, por mais estranho que possa parecer.
Qualquer agricultor, ou pessoa que faça a sua vida no campo, não pode deixar de reparar em determinados factos que se repetem ciclicamente, como, por exemplo, a emigração de algumas aves e a construção dos ninhos. o início da floração; o fim da hibernação do texugo; a queda das folhas de algumas árvores; etc.
No entanto, sabe-se que os fenómenos de índole social (solidariedade, egoísmo, inveja, ganância, organização, tolerância, etc.) nunca chegarão a influenciar a evolução global da nossa espécie sob o ponto de vista biológico, não só porque são fenómenos que aparecem com uma aceleração muito grande, mas também porque o próprio homem lhes vai introduzindo alterações de vária ordem.... Mas é pena que assim seja – passe a ironia – porque seria muito interessante que se pudesse verificar as diferenças de ordem física, fisiológica e mental entre o Homem Lusitano actual e entre este e cada um dos “especializados” na interpretação dos “sinais” de índole social... Um dos factos mais interessante seria analisar a capacidade deste Novo Homem Lusitano para interpretar os sinais de ordem política que muito provavelmente já andam por aí...... Talvez se formos para Marte, face às novas condições gravitacionais, surja um novo Homem mais solidário, mais tolerante, mais crítico e menos oportunista. Digamos, o Homem Lusitano Utópico!

VÉNUS…

Faltam 126 dias… para puder ver algo que ninguém vivo alguma vez testemunhou.
Parece charlatanismo. Mas não é… não mande dinheiro agora… ah ah ah ah…

Retomemos a seriedade, porque o assunto a merece, chamando a atenção do curioso leitor para o extraordinário fenómeno (?) que o planeta Vénus oferece neste ano da graça de 2004.
Para os mais "distraídos", comecem por olhar o céu ao anoitecer… para esse lado não… mais para Sul e agora para a direita… isso… sudoeste, mais ou menos onde o Sol de põe. Está a vê-la? Essa "estrela" brilhante bem alto no horizonte é, nada mais, nada menos, que o planeta Vénus… para os interessados aqui fica o respectivo planisfério (zero graus de longitude ao centro).
Antes de começar a pensar que aí está algum mau presságio, note que mais uns meses e o raio da "estrela" se apagará… porquê? É simples…

Imagine uma pista de atletismo circular, onde você corre na pista 3, e outro atleta (de nome Vénus) corre na pista 2… pelo efeito décalage (a sua pista tem uma curvatura maior) mais tarde ou mais cedo você vê o seu companheiro de corrida ora mais afastado ora mais próximo de si, formando um ângulo maior ou menor com o centro do campo (onde está o brilhante Sol), deixando-o de o ver devido à proximidade do Sol ou por estar exactamente atrás dele ou mesmo à sua frente…
É assim que, a 29 de Março, Vénus atinge a elongação máxima (maior distância do Sol, segundo a percepção da Terra)… para os supersticiosos é aproveitar para umas emanações venusianas… e, exactamente a 8 de Junho, ocorrerá algo que não se regista desde há 112 anos: Vénus "mergulha" no Sol, passando à sua frente e alinhado com a Terra, numa espécie de minúsculo e parcial eclipse do Sol, sendo o trânsito visível em Portugal desde a madrugada (aurora) até às 12h30… marque na sua agenda…

E como estes fenómenos acontecem raramente, calcula-se que o mesmo venha a ser concomitante com o aparecimento dos renovados e verticalizados Serviços Veterinários.

1 de fevereiro de 2004

Absque argento omnia vara

Contratem um homem de negócios, um gestor, um profissional competente em marketing para director executivo da ORDEM. Paguem-lhe o que for preciso, (10.000, 20.000 euros) aumentem as quotas à maralha, ponham a industria farmacêutica a sponsorizar, eu sei cá! Roubem a Manela. Puxem pela pinha e promovam a classe, porra! Não deixem a classe nas mãos de Vets funcionários públicos que de tudo sabem e de nada percebem...
Take Five

Nada se faz sem dinheiro, mas sem inteligência também não… De qualquer modo o recado fica dado… a quem de direito! Apenas três recados:
a) Não se metam com a Ministra das Finanças… mantenham as finanças em dia e o fisco longe!
b) Se optarem por qualquer tipo de sponsor, não se esqueçam de duas coisas importantes: usem de transparência nesses financiamentos, para que todos saibamos quem financiou o quê e não fiquem dependentes do mesmo.
c) Definam bem o perfil desse Director Executivo… cuidado com os homens de negócios.

31 de janeiro de 2004

AINDA A REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (3)

O Primeiro-ministro anunciou a constituição da Comissão Consultiva da Reforma da Administração Pública, com o objectivo de obter sugestões e novas ideias para a reestruturação dos Serviços do Estado.
Dela fazem parte, entre outros: Manuela Ferreira Leite, João de Deus Pinheiro, Valadares Tavares, Freitas do Amaral, Diogo Lucena, Correia de Campos, António Borges, Medina Carreira, João Caupers, Rui Machete, Robim de Andrade e António Carrapatoso.
A disposição parece ser a de tornar o processo de Reforma do Estado gradualmente mais amplo e a vez da Administração Veterinária virá a caminho, o Ordem dos Médicos Veterinários que não se distraia deixando "correr o marfim", para depois vir lamuriar umas quantas esfarrapadas desculpas ou chorar sobre o leite derramado, haja vontade, projecto e estratégia para fazer incluir nesta Reforma a opinião dos Médicos Veterinários.

INUNDAÇÕES EM MARTE

Uns milhões de dólares e euros mais tarde, lá recebemos imagens de Marte, captadas ali mesmo à superfície do planeta vermelho (que raio de apelido! …).
E logo as primeiras fotografias sugerem a existência de água no planeta (só falta uma enxurrada arrastar consigo o pobre, mas famoso, opportunity) … Até aqui tudo bem, embora surpreendente fosse encontrar vestígios de um algarvio a vender alcagoitas ou um tripeiro a beber uma "super".

Este pequeno passo para um robô, depois de uma série de trambolhões para a humanidade, inspirou os governantes portugueses, em particular o Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.
Preocupado que está com a Reforma orgânica do Ministério e em particular dos Serviços Veterinários Oficiais… aliás convêm dizer que a preocupação e os desvelos são tão intensos que o enlevo com a reforma dura há meses (efeito duracell).
Sabe-se de fonte geralmente bem informada (que não revelo nem que chova em Marte), que o Ministro pediu ajuda à equipa do laboratório de propulsão a jacto, da NASA, com o intuito de resolver o problema de Médicos Veterinários das OPP, de Médicos Veterinários Inspectores Sanitários, de Médicos Veterinários Municipais e do seu enquadramento na nova estrutura.

Tendo decidido encaixar a nova Direcção-Geral da Veterinária e da Segurança Alimentar (sim, sim… vai chamar-se assim), entre a Polícia de Segurança Alimentar e a Agência para a Qualidade e Segurança Alimentar, uma espécie de tríade de colchetes, uma nova tarefa árdua surge: encontrar as competências para colocar a máquina da nova Direcção-Geral a funcionar, numa lógica de gestão por objectivos, com sentido de missão e uma efectiva capacidade de liderança.
A solução encontrada passa pela encomenda aos americanos da NASA de um novo robô (já baptizado de new opportunity), capaz de ser lançado na DGVSA e encontrar… não água, mas antes gente competente; entre as capacidades técnicas do novo robô, refira-se a possibilidade de captar imagens a um ritmo bastante grande, de forma que se prevê a relação estatística de 1/1000 isto é, por cada 1000 fotografias é provável que uma detecte um sinal de competência.
Para obter uma relação tão favorável, os técnicos da NASA aconselham que o new opportunity seja lançado numa zona a mais afastada possível da Direcção de Serviços de Saúde Animal, já que as probabilidades de aí encontrar água, muita água, são enormes… (eu disse água?).

Bom… e agora revelo um segredo: as primeiras imagens já chegaram e alguns dos pormenores das mesmas são fantásticos.
Ainda não foi possível identificar quaisquer protagonistas devido à acumulação de papéis sobre as secretárias e também pelo facto dessas imagens terem sido captadas antes das 11:00h, período do dia em que a paisagem é ainda muito inóspita.
O robô percorreu já o rés-do-chão, dirigindo-se agora para o terceiro andar onde a NASA deposita enorme esperança nas fotografias que almeja captar de uma zona restrita, onde recentemente foram identificadas ondas BSE (Big Sophisticated Ego).
As semanas que se aproximam são críticas para o robô new opportunity.

nihil diu occultum

As eleições para a Ordem foram eloquentes. Evidenciaram que a classe na sua generalidade é uma merda! 24% DE VOTANTES E 76% DE ABSTENÇÕES. Mas o que é isto senhores? Depois queixem-se... Se fosse o Resende, nem sequer tomava posse! Take Five

De facto "nada se conserva oculto por muito tempo"… Independentemente da categórica estatística, nem vale a pena invocar a diferença com outras eleições, particularmente em outras Ordens, em que as estatísticas são eloquentemente generosas para a percentagem de votantes alcançados na "nossa", outros factos se revelam: a participação aumentou em relação a anteriores actos eleitorais…
Talvez o mérito não seja da lista A… talvez o negro espectro de uma eventual eleição da lista B tenha tirado alguns do laxismo, levando-os a votar… simplesmente.
Será naturalmente curta a vantagem… mas é um sinal.
Mas outras "leituras" se impõem. Parece que alguém terá seguido o conselho… enfim, quase… não ao ponto de não tomar posse, mas ao ponto (não pelo "baixo" número de votantes) de rejeitar participar no cargo para que foi eleito, com o fundamento de, por desinformação, julga-se que do líder da lista em que participava, não se ter apercebido do tempo e trabalho que o cargo envolvia.
Ainda por cima, nem mais nem menos, o lugar resultante de ser candidato a presidente do Conselho Profissional e Deontológico.
Realmente, no próprio dia de posse, o candidato da lista B manifestou a sua indisponibilidade para participar nos trabalhos do Conselho!? … Então porque tomou posse? Porque não define a sua posição de uma vez por todas?
Acredito que as pressões do líder da lista para que se mantenha firme e hirto não sejam desprezáveis, mas determina a dignidade profissional, ainda para mais vinda de alguém com responsabilidades profissionais acrescidas, resultantes do estatuto de docente, que a situação seja clarificada com urgência.
A não ser assim, terei que concordar que a classe é… composta de alguns elementos desprazíveis.

30 de janeiro de 2004

BOSÕES E FERMIÕES

Para os físicos todas as partículas fundamentais são ou bosões ou fermiões.
Os bosões devem a paternidade a Nath Bose e Albert Eistein, que verificaram as regras segundo as quais se comportam: bastante sociáveis e gregários, tendem a associar-se no mesmo estado de energia.
Os fermiões foram "demonstrados" por Enrico fermi e Paul Dirac, na sua solidão e individualismo.
Se o pensaram, melhor fizeram... aquilo que os físicos já tinham experimentado com os bosões (concentrado de Bose-Einstein), realizar uma espécie de batido gelado, fizeram-no agora com os fermiões, usando para o efeito uma pequena concentração de potássio 40, arrefecido a quase 273,15º Celsius abaixo de zero.
A ideia não era, pois, original, mas uma natural sequência do "tratamento" já dado aos bosões e que consistiu na velha técnica de "servir bem gelado".
Afinal pegar num pequeno concentrado de elementos básicos, com as mesmas características, levá-los ao zero absoluto de temperatura (quase, quase... faltaram 50 milésimos de milionésimo de um grau), teoricamente o ponto de paralisia atómica, parece ser uma excelente técnica para, não só descobrir novas formas de matéria, mas também para dar alguma utilidade a certos elementos básicos.
Concentrar todos os dirigentes básicos dos Serviços Veterinários Oficiais, não importa se se comportam como bosões (sociáveis e gregários), se como fermiões (individualistas e solitários) e arrefecê-los a -273,15º Celsius, garanto-lhes que podem não demonstrar a existência de uma nova forma de matéria, mas seguramente encontrarão matéria para, de uma vez por todas, renovar a capacidade de inovação, de intervenção, sentido de missão e eficácia para os Serviços Veterinários.

sapientis est mutare consilium

Seria interessante também a verificação de dois parâmetros - A competência técnica e a incorrecção politica (diria, mesmo à prova de bala) desses mesmos técnicos. Lamentável é que os técnicos queiram ser políticos e os políticos se julguem técnicos... Muito se perde com medo de se perder...

Não se trata de querer ser político (parlamentar ou autárquico). Não é essa a minha profissão. Posso ser mau naquilo que digo e faço, mas jamais poderei ser bom ou um mau político....... Porém, ninguém, seja em que circunstância for, se pode (deve) abstrair dos factos que se passam à sua volta, especialmente se estiver convencido de que as causas que os determinam poderiam ser alteradas de modo as que as consequências fossem preferíveis às anteriores. Isto não é ser político, mas exercer um papel de cidadania do qual não me apraz deixar, sempre na esperança de encontrar pessoas que pensem como eu. Por isso fiquei baralhado com o seu “comentário”. Ou o que disse não tinha essa finalidade?

23 de janeiro de 2004

As Pontes de.......... Entre-os-Rios

A verdadeira causa da degradação, ou da queda, desta ou daquela ponte, não está num pilar descarnado, ou na falta de alguns parafusos, mas numa profunda irresponsabilidade resultante duma filosofia de actuação que tem por base o tratamento sintomático (dos males observados) em vez duma actuação sobre as causas desses mesmos males.
Nos últimos anos temos lido muitos artigos de opinião sobre esta problemática e onde é posto o dedo na ferida com a maior propriedade. Apesar disso, nunca observámos que se tivessem adoptado as correcções que se impunham, mas sim a adopção de medidas avulsas que, por atacarem apenas os sintomas, fazem com que se perpetuem as causas. Mas o pior desta mesma filosofia é ela ser mantida mesmo em relação a outros aspectos muito importantes da economia e do desenvolvimento do país.
Por mais estranho que seja, parece estarem na base desta filosofia três factos principais:
1. - A mania de tudo subordinar à política - como se qualquer político fosse infalivelmente competente para abordar e resolver mesmo os problemas mais complexos - baseada no conceito de que os pareceres técnicos não podem ser vinculativos........
2 - Manter um controlo com base em pressupostos de ordem estatística, controlo este que não deixará de ser apropriado quando o nível de cidadania é elevado, mas impróprio no nosso, no qual, infelizmente, é mais apropriado um controlo à custa duma fiscalização persistente;
3 - Uma Administração Pública muitas vezes completamente obstrutiva, onde algumas chefias, politicamente protegidas, vivem comodamente agarradas a uma rede intrincada de notas internas de serviço e de despachos normativos (arvoradas em NEP) que invocam ser necessárias para prevenir abusos, mas que sob o ponto de vista prático acabam por provocar aquilo que alegadamente se pretende prevenir.......

Não estamos interessados em que se apontem responsáveis pelos “pilares descarnados” ou pela “ausência dos parafusos”, mas desejaríamos, isso sim, que os mais responsáveis pela reforma da AP tomassem consciência de que estão muito longe de estar por dentro dos problemas e que só após essa tomada de consciência poderão efectuar com êxito uma reforma satisfatória. Se assim não acontecer, tudo continuará na mesma.
Acha que não fomos suficientemente abrangentes? Então por que não colabora com comentários e novos prismas de visão destes problemas?

2 de janeiro de 2004

Vox populi

Os seus comentários fazem falta!
É sempre um gosto lê-lo, mesmo quando discordo.
Não tem tempo? Aborreceu-se?
Brinde-nos com algumas dicas sff
Callas

Quem me dera… fosse esse o consenso unânime… era um bom argumento e incentivo, mas nem todos os seus colegas pensam assim… Além dos brindezinhos recentes, brindo também com um Veuve Cliquot (um vintage de 1995 – La Grande Dame), ficando à espera de mais feed back da comunidade veterinária.
Para já corri a comprar o "the voice of the century" dessa diva… aconselho "La Traviata" com o tenor Alfredo Kraus e a Orquetra Sinfónica do Teatro Nacional de São Carlos, conduzida por Franco Ghione.

UBAR

Sobre o anonimato… voltarei em devida oportunidade, fica para já a firme certeza de Blog Anónimo Responsável, reconhecendo agradecidamente a confiança depositada pelo Anónimo Presidente da UBAR ("União dos Blogs Anónimos Responsáveis").

O ANO COMEÇA BEM…

Os EUA anunciaram, a 23 de Dezembro, o primeiro caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina naquele país.
Portugal, só no ano de 2003, registou mais de cem casos.
As Autoridades americanas, desde o anúncio daquele caso, têm promovido diariamente (excepto no dia de Natal), um briefing técnico, tornando pública, toda a informação conhecida sobre a ocorrência.
O que aconteceria em Portugal em circunstâncias idênticas? Imaginemos uma eventual ocorrência, não de BSE (essa já fez história por cá… e de triste memória…), mas de uma outra Encefalopatia Espongiforme Transmissível. Por exemplo o tremor do carneiro (scrapie).

Os EUA, perante a existência de um caso presuntivo de BSE, imediatamente divulgaram toda a informação disponível sobre o caso (identificação do animal, data da morte e da realização de exames laboratoriais, identificação da exploração pecuária envolvida, destino da carne de animal abatido, etc. etc.), pela voz da Secretary of State, Ann Veneman.
Em Portugal, se um caso presuntivo de srapie fosse detectado, em vésperas de ano novo, por exemplo, o que aconteceria? Duvido que fosse dada a devida divulgação pública do facto.

As Autoridades americanas estabeleceram um plano de intervenção, para a eventualidade de aparecimento de BSE, disponível online para os interessados ("Bovine Spongiform Response Plan Summary").
Em Portugal, no caso de ocorrência de scrapie, a sua notificação ficaria ao sabor da disposição de momento: não há plano detalhado, muito menos de acesso ao público, sendo até curiosa a forma vigilância e notificação de doenças ( "Rede de Epidemiovigilância Nacional das Doenças dos Animais"), parecendo ser tida mais em conta a capacidade "do momento" que o circuito de informação.

Depois da divulgação pública da ocorrência de BSE, pela voz da responsável política norte-americana, foi atribuída total responsabilidade às Autoridades Veterinárias pela condução e divulgação de dados entretanto apurados em sede de investigação epidemiológica.
Em Portugal, o problema seria, certamente, mais do domínio da autoridade política, que da autoridade da Administração Veterinária.

Mas claro, tudo o que ficou dito é pura conjectura, caso ocorra uma caso de scrapie em Portugal, a realidade demonstrará, provavelmente, o contrário.