10 de novembro de 2008

ESCÁRNIO DO VETVELHACO

Finalmente... não uma pitada, mas toneladas de bom humor na blogosfera Veterinária…

A não perder o “Escárnio do Vetvelhaco” na sua “tentativa imperfeita de gracejar”... o que não será certamente verdade… a não ser para os basbaques.

AH AH AH AH AH… Obrigado caro Vetvelhaco!

9 de novembro de 2008

O NOVO PREDADOR

Todas as circunstâncias na vida, das pessoas ou das instituições, reclamam resoluções ou decisões. Prefiro mesmo o anglo-saxónico “fazer uma decisão”, do que o latino “tomar uma decisão”. Realmente qualquer decisão tem sempre algo de composição, mesmo que num espaço de tempo muito curto e na ausência de alguns dos elementos necessários à decisão mais adequada (se é que isso existe).

Numa instituição, como o caso das Associações Profissionais, muitas das decisões tem um carácter especial pois vinculam a instituição (e os seus associados) relativamente a determinado tema ou assunto, resultando esse processo de alguma discussão interna, de ponderação de todos os argumentos, da auscultação de diferentes sectores, muitas vezes até fruto do estabelecimento de Grupos de Trabalho com esse fim específico.

Para Paul Watson. autor d’”Uma verdade muito inconveniente”, a indústria de gado é uma das mais destrutivas do planeta, muito mais responsável pelo efeito de estufa que a indústria automóvel, tendo a vaca doméstica se tornado no maior predador dos mares e oceanos.

Sobre o assunto pouco vem sendo dado à estampa e sempre em páginas secundárias… no plano das Ciência Veterinárias igualmente muito pouco… da Profissão Veterinária esperar-se-á muito mais do que a indiferença ou mesmo as reservas relativamente a dados inquestionáveis. Estão em causa práticas de produção animal, a utilização intensiva da terra arável e outros recursos, como a água, relativamente aos quais se esperaria uma posição dos Médicos Veterinários.

Pode não parecer a prioridade das prioridades da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), mas a breve prazo a sustentabilidade da produção agro-pecuária, prevista nos modelos de exploração apoiados por investimentos do Estado, a par com a gestão dos recursos agrícolas e a protecção do ambiente, vão exigir uma resolução muito clara dos Médicos Veterinários.

Muitos pensarão que não temos nada com o assunto… o grande problema é que as decisões que a esse nível forem tomadas vão ter reflexos indeléveis no futuro da profissão, a começar pela empregabilidade de um sector muito importante da profissão.

Por essa razão, melhor será estamos por dentro e assumirmos a decisão mais equilibrada, em vez de sorrir sobre argumentos que a priori parecem estapafúrdios e ficarmos de fora dessa discussão.

Um bom exemplo diz respeito à nova legislação de licenciamento das explorações pecuárias. Tentou, sequer, a profissão fazer ouvir a sua opinião sobre um assunto que vai ser decisivo na acção de Médicos Veterinários Oficiais e Médicos Veterinários Práticos (animais de exploração)? A resposta é óbvia…
Vamos ter uma nova legislação, em execução já no início do próximo ano, sem sequer sabermos como e de que argumento resultou, mas cuja execução nos vai cair nos braços… depois vamos lamentar os “erros” do legislador… o habitual, lambemos as feridas e ficamos a sentir pena de nós próprios.

7 de novembro de 2008

SOMA E SEGUE

Nem Baptismo, nem Funeral… os eleitos para o Conselho Directivo (CD) e Conselho Profissional e Deontológico (CPD) lá tomaram posse na linha das cerimónias a que a Ordem nos vai habituando… sem viso, nem entusiasmo, onde estão presentes sempre mais ou menos os mesmos.

Para tanta excitação com o diagnóstico de mudança que vem sendo feito desde há dois anos, esperava discursos mais empolgados, mais mobilizadores, mais comoventes sobre o futuro da profissão… nada, nem do Presidente da Assembleia-Geral, nem do recém-eleito Bastonário… antes pelo contrário, lá foram dobando verdades de la Palisse, sem certezas, nem projecto: a rotundidade do discurso deita por terra qualquer esperança que pudesse haver sobre os desígnios de uma nova Ordem.

Além dos que tomaram posse (o método seguido na manutenção da proporcionalidade de membros das duas listas no CPD é totalmente risível), dos familiares e amigos, dos convidados, dos que estavam por obrigação, dos dois primeiros subscritores da lista vencida ao CD, dos funcionários da Ordem e dos Veterinários não membros da Ordem (estavam pelo menos quatro), poucos mais estavam.

Curiosa foi a ausência dos presidentes de outros órgãos, a começar pelo desapossado CPD, do Conselho Fiscal e do Conselho Regional do Norte, aliás do Norte só mesmo os que tomaram posse.

Curioso também que nos discursos se tenham dirigido ao Presidente do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários (SNMV)… além de não saber quem é, não houve margem para dúvidas: não estava lá nenhum dos eleitos da actual direcção do SNMV. Terá sido por deferência crónica ou desconhecimento, a alusão?

Ainda pensei que a presença do Inspector-Geral da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) fosse para controlar o Porto de honra (que mania esta de chamar de Porto um vinho que não tem nada que ver com aquela terra…), mas não… aos primeiros acordes (desafinados) do discurso do Presidente da Assembleia-Geral, saiu porta fora!

5 de novembro de 2008

PROFETAS DA DESGRAÇA

1. Em 22 de Janeiro de 2008 em Mudam-se os tempos… afirmava:
“…Embora “chegada à zona centro”, continua a maior parte desta área e da zona Norte fora daquelas restrições… com as alterações ecológicas e o respectivo impacto na vida dos Culicoides prevejo alterações a este cenário… surpreendentemente ainda antes da Primavera.”

Tal “especulação” esteve na origem na troca de impressões com a colega Vet@sanitarista que culminou em aposta a que se reportou o post Dia de Equinócio

Eram tudo conjecturas… de facto eram conjecturas baseadas em elementos colhidos aqui e ali conforme na altura argumentei…

Com a devida vénia reproduzo um dos comentários:

“Ter SENSO!
Qual a diferença entre o "senso" e a "especulação" que os profetas da desgraça apregoam?
Neste caso da LA nenhuma, conjecturas sobre a evolução climática, não justificam nesta altura( pelo contrário, com as temperaturas a limitarem a actividade do hospedeiro), qualquer prognóstico para a primavera.
Insisto não tem qualquer sentido e de epidemiologia só se for da especulação e cá estaremos para verificar.
Vet@Sanitarista
23 de Janeiro de 2008 13:04”

2. Em 3 de Novembro de 2008 no Edital nº 21 da Direcção-Geral de Veterinária dedicado à Febre Catarral Ovina: “…Foi detectada evidência de circulação do serótipo 1 do vírus da língua azul em zona livre, numa exploração do concelho de Chaves, tendo simultaneamente sido comunicada uma suspeita da presença deste vírus numa exploração do concelho de Celorico de Basto.”

Sem comentários!...

4 de novembro de 2008

FLOR DE FADO

Tirou o curso de veterinária e nunca chegou a exercer… não é contudo fenómeno isolado: quantos veterinários(as) ou estudantes de Veterinária decidiram (e bem) abraçar outras artes?

'Vivo de peito aberto e isso faz de mim uma sobrevivente'.

Aqui fica o meu tributo e respeito a Mafalda Arnauth:
…/…
Trago cravado no peito
Um resto de amor desfeito
Que quando eu canto me dói
Que me deixa a voz em ferida
Pelo pranto de outra vida
Que eu não sei que vida foi.
…/…

D’”Esta voz que me atravessa” ( Hélia Correia / Amélia Muge).

30 de outubro de 2008

PÓS-RESENDISMO

1. O que é o Resendismo afinal? Simples: o sistema que caracterizou a gestão e regulação da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) praticamente desde a sua fundação em 1991, incluindo o pré-Resendismo de 1991 a 94, o Resendismo suave de 2000 a 2003, e a sobrevivência ao período não Resendista de 1998 a 99.

Intrinsecamente enxerta-se num certo totalitarismo, em que o poder do Bastonário está acima de qualquer outro órgão da OMV, os quais existem apenas para executar as directivas dimanadas desse poder quase absoluto.

O Resendismo revela-se também por um acentuado altruísmo, materializado na convicção de uma dedicação à profissão, inexistente em qualquer outro Médico Veterinário (na percepção do Bastonário), numa dinâmica quase fundamentalista.

Relevante é o maniqueísmo que dimana daquela convicção: de um lado o seu mentor e aqueles que o apoiam ou quanto muito que o toleram, e do outro lado todos os outros cujas opiniões representam um mal (irremediável) para a profissão.

Não chega a ser um estilo autocrático, embora algum comportamento do nosso (até dia 5) Bastonário o possa parecer… prefiro caracterizar tal personalidade como totalitária, na medida em que permite certas práticas “liberais” desde que controladas pela hierarquia do Bastonário: certas actividades e posições dos Conselhos Regionais, algumas iniciativas aparentemente expressão da vontade da profissão e pouco mais.

Apesar de tudo, dotado de grande voluntarismo, numa entrega tenaz e zelosa, que se transformou quase em fanatismo, na prossecução dos fins e na sanção dos opositores, num processo irreversível, em que se perdeu a percepção do desvio, dos inconvenientes e dos riscos para o colectivo que representa.

2. Seria de esperar que o pós-Resendismo fosse uma espécie de contraponto, em que os órgãos da OMV estivessem dotados de maior autonomia, em que os projectos resultassem de uma participação mais alargada dos Médicos Veterinários e menos do altruísmo do Bastonário… em que a intervenção da Ordem não fosse simplesmente vista à luz dos regulamentos, mas como resposta às necessidades dos Médicos Veterinários, consubstanciado num programa de actividades e objectivos mesuráveis e não apenas como resultado da boa vontade de uns quantos candidatos (de boas intenções estamos conversados)… infelizmente assim não será!

3. Como acontece com a generalidade dos movimentos pós-qualquer ismo, vamos assistir a uma versão actualizada e reciclada do mesmo Resendismo.

Não se trata de simples convicção ou ilação com outras circunstâncias, antes fosse, mas a afirmação resulta daquilo que se infere do programa da lista A (e se fosse o da lista B não haveria diferenças), que será aplicado na sequência de um sufrágio cuja abstenção se cifrou em 83,34%...

“Ouvir para decidir”, slogan de campanha da lista vencedora mostra bem a aversão à mudança. A ruptura com o passado e a apresentação de um novo rumo são invocados, mas não se conhecem as acções concretas que ditarão essa ruptura, nem o sentido desse novo rumo.

Aliás esse novo rumo é apresentado como uma fatalidade e não como uma determinante da vontade dos seus proponentes… nem vale para tanto invocar a validade ou bondade das ideias expressas pelo candidato a Bastonário nas acções de campanha, tal a mediocridade das mesmas, a falta de convicção e a pouca determinação.

Vamos ter mais do mesmo na esperança que seja transitório e que da profissão renasça um novo projecto (daqui por um ano), com uma nova dinâmica e que olhe para os problemas e anseios que no dia-a-dia se colocam aos colegas que entraram para a profissão nos últimos 10 anos (número de cédula profissional acima de 2.000), não que os outros não mereçam consideração… trata-se de uma questão de prioridade na qual se jogará o futuro da profissão.

10 de outubro de 2008

PROJECÇÃO ELEITORAL

Um estudo do Departamento de Sondagens do “Veterinário precisa-se…” mostra que Sameiro de Sousa será o novo Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV).

Segundo aquele estudo, a lista A, liderada por Rama… digo Sameiro de Sousa, reúne 53,8% das intenções de voto contra apenas 31% dos votos expressos na lista B, liderada por António Morais. Ainda segundo aquela sondagem a percentagem de votos branco e nulos ascende aos expressivos valores de 8,6% e 6,6%, respectivamente.

O valor mais expressivo continua a ser o da abstenção que se estima ascender a 3.500 do total de membros da OMV.

De acordo com aquele trabalho os votos expressos na eleição para o Conselho Directivo serão os seguintes:
Lista A 219
Lista B 126
Brancos 35
Nulos 27
Total 407

Relevante ainda constatar que, sempre de acordo com a sondagem do “Veterinário precisa-se…”, a expressão de votos na eleição do Conselho Profissional e Deontológico não acompanha aquela do Conselho Directivo:
Lista A 235
Lista B 99
Brancos 37
Nulos 33
Total 404

A sondagem efectuada pelo Departamento de Sondagens em exclusivo para o “Veterinário precisa-se…”, realizou-se de 06 a 10 de Outubro com base nas respostas de 12 inquiridos. O objectivo do estudo era analisar a intenção de voto para a OMV e avaliar a imagem do Bastonário e líderes das listas A e B. O Universo desta sondagem é a dos inscritos na OMV, residentes no Continente com telemóvel. A amostra foi estratificada por regiões: 3 da Grande Lisboa, 2 do Grande Porto, 1 do Litoral Centro, 2 do Litoral Norte, 2 do Interior norte e 1 do Sul, sendo 58,3% homens e 41,6% mulheres. As 12 entrevistas foram feitas a indivíduos dos 35 aos 80 anos. A escolha dos Médicos Veterinários contactados não foi efectuada aleatoriamente, baseando-se no grau de amizade do Chefe do Departamento de Sondagens.

4 de outubro de 2008

MAIS UM…

Não se confirmaram, felizmente, os meus piores receios… as celebrações do dia do Médico Veterinário não foram “…nem cerimónia fúnebre antecipada dos actuais Conselho Directivo (CD) e Conselho profissional e Deontológico (CPD), nem comício de propaganda das anunciadas candidaturas a esses mesmos órgãos…”.

Recordarei, deste ano, a atribuição do título de membro honorário ao Prof. Mário Ribeiro, que a merece, sem margem para dúvidas, e por isso, mereceria outra cerimónia, com outro brilho…

Um dia que deveria de ser de exaltação da profissão e dos valores dessa mesma profissão, foi, uma vez mais, cerimónia sensaborona, apesar de imaculada na organização… apenas 10 dos novos membros (menos de 5%) acederam a estar presente para receber o respectivo diploma… umas 30 almas se dignaram deslocar-se a Santarém (se não contarmos os funcionários da Ordem, nem convidados, seriam umas 20)… nem ao menos o anfitrião, Presidente do Conselho Regional do Sul…

Faltas notadas foram muitas… a saber: o Presidente da Assembleia-Geral, a Presidente do Conselho Fiscal, os Presidentes dos Conselho Regionais, os Presidentes das Assembleias Regionais… os Presidentes das múltiplas Associações Profissionais… dos candidatos da lista A nem sinal… da outra dois deles… de outras Associações de Direito Público, apenas uns, poucos, e ainda assim em representação…

Acaba por ter relevo o simpático discurso do presidente da Câmara local… em mais um dia do Médico Veterinário… até ao dia em que possamos ter um auditório para mil pessoas cheio, a abarrotar, para ouvir comunicação mais sapiente.

3 de outubro de 2008

CUMPRIR CALENDÁRIO?

O Manifesto da lista B, candidata às eleições para o Conselho Directivo (CD) e o Conselho Profissional e Deontológico (CPD), da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), que se realizam no próximo dia 11, revela, se não a falta de ambição ou capitulação, um inqualificável acordo entre candidaturas.

Gostava de saber o que é que os candidatos António Morais e Virgínia Souto e Silva consideram uma clara expressão de “…intenção de mudança com a finalidade de aproximar a Ordem de todos os colegas e de, em conjunto, lutar pela promoção da classe e do serviço que esta presta à sociedade…”?

Parece-me que sendo cerca de 4.000 os membros da OMV, uma expressão clara seriam 50%, mais 1… ou seja, tudo o que ficar abaixo dos 2.000 votos será revelador da incapacidade das listas em conseguir tal objectivo.

Diria mesmo que, quanto mais aquém ficar o número de votantes, menor a resposta ao apelo expresso “…de determinação, abnegação e entrega, ética, deontologia e profissionalismo.”… e por isso da fragilidade dos projectos a sufrágio… ou não?

Gostava mesmo de saber que raio de “…disponibilidade para servir a classe…” é esta e que contributo “…para a democratização das decisões internas…” e promoção “…da imagem do Médico-Veterinário junto da opinião pública…” tem a lista B em mente, se os candidatos nem se dispõem a fazer campanha? Nem ao menos uma carta ou um postal para nossas casas, para além do correio subsidiado pela OMV, dando um ar da sua graça?

Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele… para tanta frontalidade, transparência, presença e legitimidade, melhor seria dizer claramente que se sentem satisfeitos com a candidatura da Lista A… ou estarão apenas a querer uma quota no CPD e entretanto aguardar a possibilidade de negociar uma “lista de consenso” para o ano que vêm?

Não é isso que se pode deduzir do “…importa concentrarmo-nos num programa de trabalho…” para “…sobretudo abrir um espaço de diálogo e escuta formal antes de tomar decisões de fundo…”? ou mesmo de que o “…clima de autismo não aproveita ninguém, e a confrontação deve terminar agora dando lugar a um tempo de construção e abertura a caminhos de progresso.”?

Mas desde quando é que a confrontação é coisa má? Só quando em vez de argumentos se esgrime desprezo e atrevimento, como aconteceu em sucessivas Assembleias-Gerais.

Gostava de conhecer as respostas dos candidatos António Morais e Virgínia Souto e Silva e até o que os distingue da outra lista, pois não consigo perceber a sua disponibilidade “…para contribuir para o projecto da lista concorrente, se não merecermos a preferência da maioria…”, mesmo que solicitados para isso…

Se é apenas para cumprir calendário é uma decepção, se a intenções a prazo são outras então pior um pouco!

24 de setembro de 2008

DESENVOLVIMENTO RURAL COM OU SEM VETERINÁRIA

Na Região Autónoma da Madeira (RAM) o Desenvolvimento Rural passou a incluir a Veterinária, de acordo com a nova lei orgânica da Secretaria do Ambiente, conforme destacou Miguel Ângelo do Jornal da Madeira.

Apesar das alterações orgânicas na estrutura dos Serviços na RAM, o Presidente do Governo Regional não hesitou homenagear o colega Carlos Dória, como o mesmo Jornal da Madeira noticia, pelo trabalho que desenvolveu à frente da Direcção Regional de Veterinária.
Homenagem a que o “Veterinário Precisa-se…” não hesita em se associar, manifestando o seu respeito pela personalidade do colega França Dória.

A nova lei previu a extinção da Direcção Regional de Veterinária, cujas atribuições passaram para a Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Despromoção para uns, feliz ajustamento para outros… o que me parece é que os Serviços Veterinários Oficiais, muito embora detendo uma forte componente de cumprimento impositivo da Lei e dos Regulamentos, nunca deveriam ter assumido (e estão a assumir) o papel de polícias.

Os Serviços Veterinários deverão ser os promotores da Saúde Pública e da Segurança Alimentar, devendo, por isso e há muito, ter valorizado mais esse papel, mesmo que preterindo o contra-ordenacional.

Por aquela razão, se a ligação dos Serviços Veterinários Oficiais, na Lusitânia Continental, aos programas de Desenvolvimento Rural se perde, perde a profissão e perde o país.

Perde-se a mais valia técnica que os Veterinários poderiam dar ao programas de Desenvolvimento, perdem consistência os Serviços Veterinários Oficiais que afunilarão na estrita acção de impor regulamentos (tornando-se os Directores de Serviço e Chefe de Divisão numa espécie de baronatos arrogantes, pretensiosos, desprazíveis… perde a pecuária que ainda sobrevive a todas as diatribes das Políticas Agrícolas e dos maus dirigentes associativos, perdemos seguramente todos, enquanto colectivo profissional.

E isto está a acontecer no momento em que escrevo:
- confinamento da Veterinária num pequeno limbo do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas (MADRP), meio esmagado contra a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE);
- tiques de arrogância de muito(a)s Chefes de Divisão, de Norte a Sul, toldado(a)s por uma verticalização pura e dura e pela sensação de poder que julgam deter;
- desligamento do mundo real e adopção de programas de trabalho estereotipados do tipo: vacina, despiste, abate… vacina, despiste, abate… esquer’direita, um, dois…

Na RAM fala-se de reajustamentos face à disfunção resultante da dispersão de competências por diferentes organismos; racionalização de actividades e aproximação da Administração aos cidadãos.

Por cá nada se fala… para quem uma “vida inteira” defendeu a verticalização dos Serviços Veterinários (muito mais que muitos dos actuais pedantes protagonistas), sinto toda a autoridade para perguntar: qual o balanço depois de um ano de verticalização?

A prazo, julgo que o mesmo que aconteceu na RAM ocorrerá no Continente… A extinção da Direcção-Geral de Veterinária e a sua fusão sob a forma de umas quantas Direcções de Serviço, numa qualquer Direcção-Geral de Desenvolvimento Rural… chamem-me Velho do Restelo se quiserem mas pensem sobre isso.

23 de setembro de 2008

PETACH TIKVA

"Uma pequena orquestra egípcia da polícia desloca-se a Israel nos anos noventa, para realizar um concerto na cerimónia de abertura do Centro de Cultura Árabe em Petach Tikva. Ninguém vai ao encontro deles. Depois de algumas horas à espera, decidem desenvencilhar-se sozinhos. No entanto, a falta de comunicação faz com que apanhem o autocarro para "Beith Tikva" em vez de "Petach Tikva". A noite que passam em "Beith Tikva" torna-se uma estranha e divertida noite que muda a vida de todos os músicos.

Eis o argumento da divertida comédia do realizador, Eran Korilin, “The Band’s Visit”, que alguns terão tido a oportunidade de ver durante o recente “Festival de Cinema Israelita”.

Foi também em Petach Tikva, no coração de Israel, que foi lançado recentemente um programa piloto de identificação de fezes de cães por determinação de ADN que, cruzada com a base de dados dos canídeos da cidade, funciona em dois sentidos: recompensar os donos que recolhem e depositam as fezes dos seus "melhores amigos" nos recipientes apropriados instalados pelo Município e sancionar os donos “esquecidos”, como informa o Público.

O programa sob a responsabilidade do departamento de veterinária da cidade, dirigido pela colega Tika Bar-On (na foto a recolher uma amostra de saliva de um cachorro), pretende ainda despistar doenças genéticas, investigar o pedigree, identificar as raças dos cães e promover a identificação por chip.

Em declarações à Reuters a colega Bar-On concluiu: “O céu é o limite”.

Lá como cá… basta ver o que se passa com o SIRA e o SICAFE (sobre os quais aqui voltarei em breve)… para já, uma homenagem a um dos melhores, senão o melhor, monumento estupidológico veterinário Luso, depois da criação de seis Faculdades de Veterinária em Portugal: duas bases de dados em competição para efeitos semelhantes… tome nota Vítor Rodrigues.

MÍNIMOS OLÍMPICOS

São as eleições para o Conselho Directivo (CD) e Conselho Profissional e Deontológico (CPD), mas se se tratassem dos Jogos Olímpicos é mais do que óbvio que Sameiro de Sousa jamais atingiria os mínimos para entrar na competição.

Tal como aqui previ, trata-se de uma candidato para ganhar tempo e a página que recentemente disponibilizou na internet diz tudo: um remake despudorado da frustrada candidatura de Ramalho Ribeiro há dois anos.

“Porque estamos hoje aqui?”, parece perguntar Sameiro de Sousa, logo na página principal (home)… nem sequer é necessária uma leitura atenta do texto introdutório para se perceber a carga de azedume e amargura.

Pensei que a pergunta que serve de título fosse feita pela positiva, sem mexer muito no passado recente, que nos catapultasse para o futuro… Não!
Em 349 palavras, apenas 47 são sobre o futuro e resto apenas um desfiar de ressentimentos.

Gostava que o colega Sameiro de Sousa afirmasse preto no branco ser o autor de cada linha e de cada palavra daquele texto… custa-me a crer.

Quem está assim tão mal com o mundo que o rodeia não cumpre de facto os mínimos para ser Bastonário de uma grande Ordem e por isso, a ganhar, como acredito que ganhe (mas não a prazo), fará da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) uma organização insignificante.

A Comissão Eleitoral foi sectária, o CPD actuou de má fé, os tribunais são lentos, o CD arbitrário, apenas a candidatura de Ramalho Ribeiro está isenta de pecado…

Assim não, enalteça os aspectos positivos que eventualmente possam ser inferidos de toda esta trapalhada e deixe-se de lamúrias, aponte soluções para as questões candentes que se colocam aos Médicos Veterinários e deixe-se de destilar tanto rancor. Aí sim, poderia ganhar a profissão para novos desafios.

Mas não, a resposta está dada: não temos projecto vamos “Ouvir para decidir”… muito conveniente para quem pretende convencer um número alargado de Médicos Veterinários: os que aspiram uma coisa e aqueles outros que aspiram exactamente o contrário. Só que as coisas não funcionam assim!

Os Médicos Veterinários, na sua grande maioria (50% serão cerca de 2000), estariam dispostos a apoiar ideias concretas, não quem os quer ludibriar. Mais do mesmo, não obrigado, para isso estávamos melhor servidos com o teimoso e irredutível Cardoso de Resende.

RESPOSTA ABERTA

Obrigado Sr. Bastonário pela circular em que anuncia as celebrações do dia do Médico Veterinário, em 4 de Outubro próximo.
Se quer que lhe diga não me impressionaram muito os argumentos invocados…

1. Manifestar apreço pela outorga da Sociedade? Não me parece que a Sociedade saiba, ou queira sequer saber, o que é que os Veterinários andam a fazer… desculpem-me as excepções (que as há). Pelo menos não o sabem ao ponto a que diz… recorde-se que quando a Ordem foi criada andámos a correr a inscrever o maior número de colegas possível para que, ainda nesse ano, se pudessem realizar as primeiras eleições!... não fosse o governo de então mudar de ideias sobre a criação da OMV…
Lembra-se? Olhe, quem não se lembra são os actuais candidatos ao cargo de Bastonário…

2. “…o exercício profissional… permitiu a emancipação dos Médicos Veterinários…”? ou terá sido a intervenção política da comissão pró-ordem? Vale a pena recordar a sua constituição… aqui e depois dela da Comissão Instaladora de que aliás o Senhor fazia parte por inerência de funções no Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários… verdade? Olhe, quem não estava lá eram os actuais candidatos ao cargo de Bastonário…

3. Compromisso solene de cidadania? Não se dará conta que essa solenidade se tem vindo a tornar (infelizmente) numa cerimónia serôdia, pouco participada e tudo menos manifestação de cidadania? Se assim não fosse sempre se esperaria, pelo menos, uma alocução “tocante”, polémica, actual, de exaltação do Médico Veterinário na Sociedade… não foi esse o denominador comum das intervenções em anteriores sessões?
Capitão Valente (Lisboa - 1996), Abreu Dias (Vila Real - 1997), António Horta (Évora - 1999), Miguel Ângelo (Lisboa - 2000), Tondela e Cruz (Porto - 2001), Fernando Bernardo (Lisboa - 2002), Carlos Dias Pereira (Coimbra - 2004), Virgílio Almeida (Viseu - 2005), Diocleciano Silva (Angra do Heroísmo - 2006) e Francisco Camacho (Faro - 2007)… Olhe, quem talvez não se recorde dessas alocuções são os actuais candidatos ao cargo de Bastonário…

Mesmo sem perceber (naturalmente por deficiência minha), a relevância da “Evolução da Avicultura” à luz dos argumentos anunciados, lá estarei em Santarém, desejando seriamente que o acto não seja nem cerimónia fúnebre antecipada dos actuais Conselho Directivo (CD) e Conselho profissional e Deontológico (CPD), nem comício de propaganda das anunciadas candidaturas a esses mesmos órgãos (por sinal bem fraquinhas de ideias).

22 de setembro de 2008

LÁ CALHOU

Dizer que andámos caladinhos no período de constituição das listas candidatas às eleições para a Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), para que não nos fosse imputada qualquer tendência era demasiada presunção e uma acabada aldrabice… mas lá calhou…

Dizer que tivemos todos de férias e fomos invadidos por uma imensa preguiça seria uma desculpa esfarrapada… mas lá calhou…

Dizer que outros projectos profissionais nos retiraram das lides e até do país e por isso geradas naturais dificuldades à manutenção deste espaço não explica tudo… mas lá calhou…

Que a disponibilidade emocional para acudir a tantos casos em que “Veterinários precisam-se…” faltou, como aliás em tantas outras circunstâncias chave na vida das pessoas, será quase toda a verdade…

Aos nossos leitores assíduos um pedido de desculpa. Aos nossos leitores assíduos a quem bloquearam os acessos lá no serviço, espero que nos encontremos noutras paragens.

Estamos de volta!

17 de julho de 2008

VALÈRE BIENFET

A profissão Veterinária está de luto!

A amizade que o colega Bienfet votava aos colegas portugueses jamais será esquecida.

16 de julho de 2008

MÚMIA

Na sentença ao Processo Cautelar requerido pelo Bastonário Cardoso de Resende e outros, sobre o “…fundado receio de constituição de uma situação de facto consumado ou de produção de prejuízos de difícil reparação.”, e esclarecido, na mesma, que “só têm - ou devem ter - relevância os prejuízos que coloquem em risco a efectividade da sentença proferida no processo principal”, conclui-se que:

“É verdade que a execução das deliberações tomadas na assembleia geral extraordinária de 2.06.2007 permitirá afastar dos órgãos sociais da OMV os seus representantes democraticamente eleitos, pois, tal destituição resulta inequivocamente do teor de tais deliberações.

Porém, tal afastamento ou destituição dos órgãos sociais está previsto no artº 37º, al. a) do estatuto da OMV e, tendo a destituição em causa sido acompanhada de deliberação a designar data para nova eleição desses órgãos sociais, verifica-se que os actuais elementos dos órgãos sociais ou representantes democraticamente eleitos sempre poderão candidatar-se novamente, situação que permitirá repor a situação anterior às deliberações suspendendas.”

Não acredito que Cardoso de Resende não pondere esta possibilidade, admito mesmo que estará muito dividido entre ser ou não, de novo, candidato a Bastonário. Aliás, é mais do que certo, que terá já sopesado esse possibilidade com os outros membros do Conselho Directivo.

Não tanto pela eventualidade de vir ganhar, mas por questões de princípio, Cardoso de Resende deveria ser candidato… e não se pense à partida que seria um candidato derrotado, muito embora partisse em condições muito desvantajosos fruto de ódios e antipatias “capitalizados” ao longo do tempo, como aqui já me referi.

Teríamos pois um candidato exangue, mas sumptuoso; vindo de um passado reputado em que granjeou fama, mas cujo proveito advirá apenas de um certo interesse histórico; a quem, só com o tempo, será reconhecido o devido valor e importância; numa palavra uma verdadeira múmia…

Eis pois os candidatos a Bastonário no próximo Outono:
uma Marioneta,
um Fantasma,
um Espantalho e
uma Múmia!!!

14 de julho de 2008

ESPANTALHO

(fotos de obra do “veterinário-escultor”, disponível em Madeira Viva, ao qual deixamos os nossos parabéns pelos extraordinários dotes e o pedido de desculpa pela reprodução não autorizada)

Ao contrário d’“O espantalho que queria ser Grou”… ele há candidatos, a candidato, ao desempenho do cargo de Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) que não chegam a concretizar o sonho.

No caso de António Morais nem sequer se trata de falta de meios, determinação ou vontade, mas simples impossibilidade estratégica de, na actual situação, se posicionar com coerência e sustentabilidade.

Suponho (sim, mera suposição) que na actual conjuntura eleitoral, António Morais, não tenha capacidade de se afirmar com um projecto próprio.

A candidatura que apresentou no pretérito acto eleitoral (pessimamente preparada, incluindo candidato suspenso por razões disciplinares…) surgiu, concatenando interesses específicos dos Médicos Veterinários dos Municípios e sobretudo destilando angústias e antipatias contra o, ainda Bastonário, Cardoso de Resende.

No momento presente criou-se um vazio… os MVM estão menos dependentes de um candidato “próprio” e o alvo das angústias e antipatias desapareceu.

Este vazio dará origem a uma estratégia auto-justificativa e apaziguadora, do tipo: …importará, sobretudo agora, unir esforços, até ao final do mandato, normalizando a vida interna da OMV, para então nas próximas eleições surgir (eventualmente) com um projecto próprio.

O problema é que no fundo, no fundo, António Morais sempre desejou avançar, por enérgica vaidade e exagerada empáfia… hesitou em vários momentos, deu voltas à cabeça, ponderou sobre os seus mais directos apoios… mas acabará por avançar (se é que não avançou já, depois do feed back de mais uma reunião de MVM na Batalha).

O que falta neste contexto é a auto-consciência do candidato para perceber que os seus argumentos, equipa e postura são mais de afugentar do que congregar… e este dom de afugentar é apanágio dos espantalhos…

Não faltava mais nada na corrida ás eleições da OMV, que a uma marioneta e um fantasma, se juntasse um espantalho...

10 de julho de 2008

VAGAS VETERINÁRIAS

Diminuíram em 25 o número de vagas de acesso aos cursos de Medicina Veterinária, segundo anunciou o Expresso

Não sei bem que contas foram feitas, já que o mapa Excel da Direcção-Geral do Ensino Superior, anexo à notícia não reporta os estabelecimentos de ensino privado…

Aqui fica o detalhe para quem se interessar sobre a oferta no domínio da Veterinária… 255 vagas para Medicina Veterinária (a que acrescem 12 em Angra do Heroísmo que hão-de transitar, mais ano menos ano, para outra Universidade) e 179 vagas para tecnólogos e enfermeiros Veterinários.

FANTASMA DO NORTE

Nem tão mal… Segundo fontes geralmente bem informadas, o Conselho Regional do Norte (CRN), da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), decidiu promover uma candidatura às próximas eleições.

O problema é que os potenciais cabeça de lista parecem hesitar, apesar de terem iniciado contactos para formação das mesmas. Entre outros são comentados os nomes de Eduardo Tavares, Miguel Ângelo e Carlos Coelho…

Tudo bons rapazes… tortuosos e provincianos, não parece sequer, venham a conseguir libertar-se dos limites regionais e ganhar balanço a uma candidatura nacional… aliás não parece que alguém venha a dar muito crédito a uma candidatura de província, tímida e humilde… enfim ficam as intenções e a visão, ou aparição, ou fantasma, do Norte…

Melhor seria que lançassem uma OPA sobre o Colégio dos Veterinários de Pontevedra, de quem parecem ser tão amigos…

A OMV precisa de candidatos que representem o todo nacional e não apenas a visão de uns quantos regionalistas a qual será sempre, por essa mesma razão, uma distorção da realidade.

A OMV exige uma estratégia clara e objectiva para este ano de transição e não de uma nortada pindérica e inconsequente… marionetas não fazem falta, mas fantasmas também não, a OMV precisa de muito mais que isso.

8 de julho de 2008

MARIONETA

Assim não… As eleições para a Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) merecem mais, mesmo tratando-se de eleições intercales para conclusão do mandato que terminará em Dezembro de 2009, ou particularmente por esse motivo, face à urgência que a resolução de certas matérias exige.

O putativo candidato Ramalho Ribeiro decide promover uma candidatura de transição, liderada por Sameiro de Sousa, e estabelecer contactos tendo em vista a constituição dessa lista… expressando o compromisso deste último se retirar no próximo ano para dar lugar a si próprio.

Estando Ramalho Ribeiro suspenso, tal iniciativa funda-se na certeza de um cenário em que deixará de estar, revelando, no mínimo, a certeza numa hipotética decisão do Conselho Profissional e Deontológico (CPD) contrária à do actual Conselho ou na sua decisão de vir a renunciar ao cargo de director da Estação Zootécnica Nacional (EZN) antes das eleições do próximo ano…

A OMV precisa de mais empenho e de alguém que tenha uma agenda adequada ao que a profissão necessita e não de uma agenda imposta por razões estritamente condicionadas por motivos pessoais.

A OMV exige mais que hipotéticas situações, exige certezas, e quem não está em condições de as dar que fique quieto e calado.

A OMV não é um teatro de marionetas… os Médicos Veterinários aspiram, seguramente, a uma objectividade diferente… assim não recuperamos nem a credibilidade, nem a dignidade, que a nossa intervenção na Sociedade ordena.

GAZES FATAIS

Apesar do pouco interesse da comunidade científica veterinária lusa, o “Veterinário precisa-se…” (também na ciência) aqui vos trás as mais recentes consternações com o efeito de estufa (e outros piores) de origem bovina.

A “Veterinária Actual”, na sua edição online, fez eco do estudo divulgado por cientistas americanos na revista “Proccedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), sobre a utilização, no gado bovino, de hormona de crescimento reconstituída, segundo o qual será possível aumentar, em 84%, a produção de leite, minorar a utilização de recursos naturais e diminuir drasticamente a emissão de gases com efeito de estufa…

Tal notícia foi amplamente divulgada pelos media, até o DN-sapo… dando expressão a estatísticas impressionantes.

O recurso a injecções da hormona bovina somatotropina reconstituída (STH) permite reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de metano (por redução de adubos e fertilizantes)… um milhão de vacas injectadas impede a emissão das seguintes quantidades dos principais gases que contribuem para o efeito de estufa:
- 824 mil toneladas de CO2,
- 41 mil toneladas de metano e
- 96 toneladas de monóxido de azoto.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o gado bovino produz mais gases com efeito de estufa do que a circulação automóvel. Embora o armentio bovino seja responsável apenas pela produção de 9% do CO2, produz outros gases bem mais nocivos para o aquecimento global:
- 65% do hemióxido de azoto (imputável ao estrume) um gás 296 vezes mais nocivo que o CO2,
- 37% do metano, que incide nas alterações climáticas 23 vezes mais que o CO2.
- 64% do amoníaco, responsável pelo fenómeno das chuvas ácidas.

Entretanto, conforme outra online da “Veterinária Actual”, o “Department for Environment, Food and Rural Affairs” (DEFRA), do Reino Unido, anunciou um plano para ajudar a indústria pecuária a reduzir aquele impacto ambiental, em consonância com os objectivos de redução da emissão de gases com efeito de estufa, baseado na utilização de uma espécie de erva que permite diminuir a quantidade de metano que os bovinos expelem.

A erva, designada Gramina, utiliza uma tecnologia de supressão que previne a expressão da enzima O-metil transferase, aumentando a digestibilidade da erva, sem comprometer as suas propriedades estruturais, mas diminuindo a produção de metano.

Parece indiscutível que a agenda científica está marcada pelo “efeito de estufa” e factores associados e a profissão (veterinária) lusa outra vez distraída… quando chegar a hora irá carpir sobre a exclusividade na inoculação de hormonas e então já será tarde…

7 de julho de 2008

TOUCINHO DO CÉU

Não tenho eu a sorte de ver o jardim invadido por uma porca e dez leitões

Para usar linguagem agronómica: “chamava-lhe um figo”… punha imediatamente em prática uma matança tradicional autorizada pela “versão 2” do edital da Direcção-Geral da Veterinária… uma espécie de toucinho que caí do céu.

Em vez disso… fizeram queixa à Guarda Nacional Republicana (GNR) e pasme-se… aos Serviços Veterinários… (“A chefe da Divisão, Susana Costa, explicou… que… Caso o dono dos animais não possua marca de exploração [uma exploração registada?], os animais poderão ser apreendidos e pode ser aplicada uma multa. “As nossas competências têm a ver [ou têm que ver?] com o bem-estar dos animais e se o local cumpre ou não a legislação em vigor”…”).

Haja quem zele pela perspectiva do porco, já que ninguém lhe pediu a opinião!

4 de julho de 2008

SUICÍDIO ENTRE VETERINÁRIOS

A taxa de suicídio entre os Médicos Veterinários no Reino Unido, é quase quatro vezes maior que a média nacional e duas vezes maior que a de Médicos e Dentistas.

Ninguém diria e dá que pensar na conclusão do estudo apresentado pelo “DVM Newsmagazine” há relativamente pouco tempo.

O tema vem sendo, contudo, abordado desde há muitos anos pela profissão no Reino Unido e ao tempo reportada pelo colega Richard Halliwell à Federação dos Veterinários da Europa (FVE), sem que tenha sido, infelizmente, alguma vez abordado, com seriedade, em Portugal.

Uma actividade profissional de elevado stress, o acesso a drogas letais e a convivência com a eutanásia, foram os factores avançados no “Veterinary Surgeons and Suicide: Influences, Opportunities and Research Directions", publicado pela “Veterinary Record”, para tentar explicar a elevada taxa de suicídio entre Médicos Veterinários.

Sobre o tema vale a pena ler os comentários da colega Patty Khuly, Médica Veterinária Prática (pequenos animais), Miami, Florida, em Dolitter.

No Reino Unido, a resposta da profissão materializou-se num conjunto de iniciativas decorrentes das recomendações do grupo de trabalho formado por representantes de diferentes organizações veterinárias e presidido pela colega Wendy Harrison.

Entre outras o lançamento do site Vetlife, em Outubro de 2007 com o propósito de providenciar informação sobre os apoios disponíveis a estudantes de Medicina Veterinária, Enfermeiros Veterinários e Médicos Veterinários, em diferentes matérias.

Gostava de ouvir os candidatos a Bastonários (serão três outra vez?) a pronunciarem-se sobre o tema…

2 de julho de 2008

RECIBOS VERDES

Em Abril passado o Correio da Manhã noticiava “Meio milhão vive do trabalho precário”… os ditos “falsos recibos verdes”.

Entre os diferentes casos, o da Médica Veterinária Ana Rita Martins Pinto, há nove anos a recibos verdes… nos serviços de inspecção higio-sanitária de pescado na Lota de Portimão.

"Quando entrei no serviço, contratada pela Direcção-Geral de Veterinária [DGV], havia a perspectiva de ser agrupada nos quadros. Mas a situação foi-se arrastando e até agora continuo na mesma. Todas as tentativas que fiz para obter um vínculo laboral efectivo saíram goradas".

De facto o caso não é único a que acrescem as discricionárias colocações, da responsabilidade dos Directores dos Serviços Veterinários Regionais, nesta ou naquela unidade, sem direito a ajudas de custo ou pagamento das respectivas deslocações em veículo privado.

O Subdirector-Geral da DGV, Prof. Doutor Fernando Bernardo, manifestou, para quem o quis ouvir, no átrio do auditório de Ciências Agrárias, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), por ocasião da realização das II Jornadas de Inspecção Sanitária (7 de Junho de 2008), estar empenhadíssimo na resolução do problema como medida da mais elementar justiça… disse mesmo que os serviços estavam a estudar a solução jurídica mais adequada!

Com a revisão do Código do Trabalho, negociado com tanto “sucesso” pelo governo em sede de Concertação Social, entre cujos objectivos se destaca o ”… combate à precariedade e à segmentação dos mercados de trabalho, com a alteração da presunção de contrato de trabalho e a criação de uma nova contra-ordenação muito grave para a dissimulação de contrato de trabalho para permitir uma fiscalização eficaz ao uso dos «falsos recibos verdes»”, não parece faltar mais nada para a resolução do problema…

A ver vamos… é que gato escaldado de água fria tem medo.

Entretanto, e antes que alguns oportunistas se aproveitem da situação, como em tempo aconteceu na Ribatejo e Oeste (até honorários adiantados foram pagos à advogada indicada pelo angélico “colega” que se propunha resolver a situação), espera-se que a nova direcção do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários (SNMV) interceda rapidamente junto da tutela para saber quais as soluções que estão a ser estudadas e qual o timing para a sua adopção.

1 de julho de 2008