20 de março de 2008

DIA DE EQUINÓCIO

Como anunciou o Sol vão ser 72,5 os milhões de euros que a Comissão Europeia disponibilizará para o combate à Febre Catarral Ovina (FCO), destinados a suportar na totalidade a aquisição de vacinas e em 50% os custos operacionais, até ao máximo de 0.60€ por dose de vacina e 2€/0.75€ (bovinos/ovinos) por animal vacinado.

(http://ec.europa.eu/food/animal/diseases/controlmeasures/bluetongue_restrictedzones_2008.jpg)

Enquanto isso a Lusitânia (já meia “azul”) ameaça pintalgar-se de vermelho, ou mesmo tornar-se mais azul como aqui vaticinei… e disse antes de chegar a Primavera, que hoje começa lá para o fim da tarde…

Dará para ganhar a aposta vet@sanitarista? Em boa verdade sei que não, mas apelo à sua paciência… é qu’isto de análises laboratoriais tem os seus timings

DEMIURGO DA VERDADE

A um comentário “anónimo” de epires, um outro não menos anónimo de Vet@EstouFartoDeles em, “NÃO LHE PASSEM CARTÃO”.

Para epires uma organização dos Centros de Atendimento Médico-Veterinário (CAMV) é bem-vinda, comparando-a mesmo à patronal veterinária CODIVET, de inspiração francesa e holandesa… vai mais longe e põe a tónica na questão ética e deontológica defendendo a …assumpção, clara, da sua [deles CAMV] componente comercial., por considerar que Uma tal organização não é antagónica dos valores DEONTOLÓGICOS e ÉTICOS FUNDAMENTAIS do nosso CÓDIGO de conduta.

E concluí:
Não desejo alongar-me em argumentos, gostaria apenas de opinar sobre um assunto que, pelo menos aos meus olhos, parece ser tido como um "dogma teológico" por alguns colegas, não se infira daqui que me assuma como "demiurgo da verdade".
Será ou não importante discutir uma tal matéria?


Não se assume epires, mas assume-se Vet@EstouFartoDeles:
E que tal se discutisses o sindicato e o que lhe fizeste.
Andaste a financiar a codivet, que pelos visto está aflita e agora até te convinha que um freguês (a tal associação de CAMVs) garantisse que compravam à dita.
… também no domínio ético assume peremptoriamente a suspeita: Grande organização ÉTICA que tu arranjaste para uns amigalhaços.
Quando é que pagam o que devem ou por outra, como é que vais explicar aos futuros sindicalistas o buraco que arranjaste?


Não duvido das vantagens de uma organização cooperativa de veterinários na comercialização dos medicamentos, como não duvido da nossa lusitana dificuldade em cooperar.

As farmácias assumiram uma organização sofisticada, profissional, com uma gestão cuidada e de grande qualidade. São para o bem o para o mal (até no plano ético) um “caso de estudo” pela qualidade ímpar que conseguiram atingir. Não vejo qual o mal dos CAMV se organizarem de forma semelhante…

A não ser que a Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) veja nisso um crime de lesa Pátria… em qualquer dos casos o tema não será tabu e por isso concordo com epires: Será ou não importante discutir uma tal matéria?

19 de março de 2008

NÃO LHE PASSEM CARTÃO

O que diz sobre isto a Ordem dos Farmacêuticos???

Se não estou enganado o esquema parece-me em tudo semelhante (eu disse semelhante, não disse igual) ao “famoso” cartão Pet Center, sobre o qual o Conselho Profissional e Deontológico emitiu, ao tempo, o seu parecer… (assim se acede à área reservada da página da Ordem dos Médicos Veterinários)…

Somente, para os Centros de Atendimento Médico Veterinário, não havia (e ainda não há) Associação Nacional, como no caso das farmácias, que servisse de interlocutor.

O que até é estranho… não existir uma Associação Nacional de Centros de Atendimento Médico Veterinário (ANCA MV), agora que se discute (outra vez) a legislação que os irá regular, em substituição do “velho” regulamento da Ordem…

14 de março de 2008

QUE VERGONHA!

Este vídeo, que levou o assunto do mau trato de animais em matadouro ao congresso americano, suscita-me uma curiosidade: qual a situação em Portugal?

Alguém conhece algum relatório oficial sobre o assunto? Alguma referência sobre o nível de cumprimento das regras de Bem Estar Animal nos matadouros lusos? Ou devemos assumir, por ausência de contraditório, que tudo corre bem? E qual é a avaliação do próprio sistema de inspecção e controlo?

Ah pois… já agora… a rotatividade (dasss) dos Inspectores a Norte como é que contribuí para este controlo?

13 de março de 2008

O CATEQUISTA

Com a devida vénia reproduzo os títulos e penúltimos parágrafos dos editoriais das três últimas revista da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), nº 45, 46 e 47.
Os destaques a negrito são nossos.

A ESTABILIDADE E O PREÇO DA SUA AUSÊNCIA
“Levaremos até às últimas consequências o mister de representar a Profissão e defender os seus interesses, bem como prestar provas perante a Sociedade, responsabilizamo-nos pelo que fazemos, mas também naturalmente vamos exigir responsabilidades.”

AS SOLUÇÕES ESTÃO AO NOSSO ALCANCE
“Esperamos que os restantes protagonistas [restantes órgãos da OMV] compreendam o papel que lhes cabe igualmente e que assumam obviamente as responsabilidades que lhes são próprias.”

APRENDER COM O PASSADO E COM OS OUTROS
"As Ordens são um espaço associativo no tecido social, onde a legalidade, democracia e responsabilidade andam de braço dado, não podendo pretender-se apenas usufruir do seu prestígio, sem o concomitante fardo de contrapartidas.”

O Bastonário, no espaço de nove meses, põe a tónica nas responsabilidades que têm que ser assumidas por outros.
De facto não se compreende, sobretudo da Mesa da Assembleia-Geral, o trajecto, a postura, o interesse e as responsabilidades.

Num ano (2007) convocou três Assembleias para aprovação do Plano e Orçamento, amuadamente chumbados, uma outra, extraordinária, para destituir dois dos órgãos da OMV, cujas decisões foram suspensas por deferimento de providência cautelar e já este ano nova Assembleia, ordinária, para aprovar o Plano e Orçamento, de novo chumbado “com toda a tranquilidade”.

O marasmo em que nos meteram está a prejudicar grandemente a Profissão Médico Veterinária, mas não pode o Bastonário tirar o cavalinho da chuva e remeter-se a “catequista do reino” responsabilizando tudo e todos sem pensar nas suas obrigações.

Uma coisa é certa: a tónica dos editoriais revela que “…os interesses superiores da Ordem…” estão em causa, o que justificaria uma postura diferente do Conselho Directivo fase ao futuro e fase ao “congelamento” em que se encontram todos os projectos/iniciativas que a Profissão exige.

PS - A edição das revistas da OMV redundou em tão grande anacronismo que a última edição de Jul/Ago/Set 2007, reporta, quase exclusivamente, acontecimentos que ocorreram depois desse período, alguns já em 2008... sem comentários!

9 de março de 2008

A CARNE É FRACA

Convém relacionar a notícia do “Correio da Manhã” (domingo, 09.Março) sob o título de “Suspeitas de corrupção colocam carne em dúvida”, com a publicidade paga pela Associação de Matadouros e Empresas de Carnes de Portugal (AMECAP) no “Diário do Minho” (sexta-feira, 07.Março)





A questão põe-se em termos muito simples: recaem ou não sobre os Médicos Veterinários Inspectores Sanitários suspeitas de corrupção?
Se há averigúe-se… não lembra ao diabo simplesmente adoptar medidas de gestão (rotatividade) sem esclarecer a situação.

A haver corrupção quem são os corruptos e os corruptores? E que interesses estão em causa?
Adoptar um mecanismo de rotatividade dos Inspectores, que além de merecer a contestação dos mesmos (pois está na origem de problemas acrescidos em termos de adopção de boas práticas nas Unidades de Abate), não resolve a essência dos problemas de corrupção que possam existir.

Não deixa de ser estranho o aplauso da AMECAP às medidas preconizadas, precisamente por a rotatividade dos Inspectores Sanitários “…impedir a constituição de relações…” “… de promiscuidade entre alguns (poucos) inspectores sanitários e alguns (poucos) operadores…”.
Então a AMECAP sabia dessa situação e não a denunciou? A AMECAP até vai ao pouco de dizer que são poucos os casos, expressando por isso, implicitamente, que sabe quais!

Curiosa também a expressão de fé da AMECAP no sistema e nos Serviços Veterinários verticalizados, em carta dirigida ao Ministro Jaime Silva, precisamente por vir de uma associação que ao longo dos anos nunca abriu o bico àquele propósito… ou estarei enganado?

Melhor esteve o Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários (SNMV) ao escrever ao Ministro pedindo e sugerindo a averiguação dos factos.

O “Veterinário Precisa-se…” fica sinceramente à espera que as responsabilidades sejam apuradas e que, como é frequente na Lusitânia, não fique tudo nas meias tintas e cada um com o que lhe parece, admitindo (porque esperança não nos falta) que o silêncio da Direcção-Geral de Veterinária seja simplesmente sinónimo de contenção e não de que nada está a fazer para clarificar a situação.

8 de março de 2008

SERVIÇOS JURÍDICO-MÉDICO-VETERINÁRIOS

Em grande estilo a implementação dos Serviços Veterinários Lusitanos… a última novidade é a da contratação de um jurista para Subdirector-Geral, vai lá vai... nem a Ordem abana… ou mesmo o sindicato, apesar de mais este passo para a descaracterização técnica dos Serviços Veterinários… depois de ter juristas à frente até de Núcleos de Intervenção Veterinária, como nas Caldas da Rainha, também não admira muito…

Não que nos cause qualquer melindre a necessária assessoria jurídica, ainda para mais no oceano de legislação veterinária e zootécnica que existe, mas não mais do que isso… ASSESSORIA.

Bolas… sabem que mais? Viremo-nos para o Bastonário Marinho Pinto e ponhamos os advogados a fazer Inspecção Sanitária nos matadouros… em vez da bata branca passávamos a ter togas… nem a AMECAP contestaria!

6 de março de 2008

ASAE PARA BRUXELAS… JÁ!


(Petite Rue des Bouchers - Bruxelles/Brussel)

A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) acha que a ASAE em Bruxelas fechava tudo… é bom saber que os dirigentes da CNA conhecem Bruxelas como as suas mãos!

Mais… que a ASAE está a acabar com os pequenos produtores… exemplo?
- Entreposto em Santa Comba Dão (3 toneladas de carne e outros);
- Docapesta de Matosinhos (mercadoria oriunda da França, Alemanha e Nova Zelândia);
- Câmara Frigorífica em Peniche (40 toneladas de peixe);
- Fábrica de refrigerantes SEPOL (actividade suspensa por degradação das instalações);
- Centro Comercial Babilónia (condições de trabalho)…
Ah, pois… a fábrica de amêndoas tradicionais de Portalegre, que o Sr. Vintém, filho da proprietária Joaquina Vintém, reconhece implicitamente requerer mudança de instalações.

A CNA que se ponha fina e defenda os pequenos produtores como deve: promovendo as condições exigíveis à sua dimensão e os mercados a que podem aspirar, contra os quais de facto a ASAE nada poderá fazer, nem que quisesse.

5 de março de 2008

QUEM DÁ E TIRA PARA O INFERNO GIRA


(in “Preservação dos hábitos comunitários nas aldeias do concelho de Boticas”)

O edital da Direcção-Geral de Veterinária relativo à “Matança de animais das espécies suína, ovina, caprina, de aves de capoeira e de coelhos de criação, fora dos estabelecimentos aprovados” parece deixar descansados, entre outros, a Confraria dos Gastrónomos do Distrito de Beja, o Centro Cultural de Liceia, a Junta de Freguesia do Romeu, a Associação dos Amigos do Rio Balsemão, para gaúdio dos lusitanos do Centro Cultural Português de Mississauga, destes outros lusitanos de idioma único: Miranda Yê la mie tiêrra e dos “Olhares de Raul Coelho”.

Não me parece…

...é que o Director-Geral autoriza “…a matança tradicional de suínos, organizada por entidades públicas ou privadas, desde que as carnes se destinem a ser consumidas em eventos ocasionais, mostras gastronómicas ou de carácter cultural” (nº. 3 do dito Edital), e se forem… “…cumpridas as regras estabelecidas no Regulamento (CE) n.º 1774/2002, do Parlamento Europeu e do Conselho de 3 de Outubro, e no Decreto-Lei n.º 122/2006, de 27 de Junho, no que se refere à eliminação de subprodutos de origem animal não destinados ao consumo humano” (nº. 3.2).

Ora a dita legislação nacional determina que “O exercício das actividades previstas no Regulamento carece de aprovação pelo director-geral de Veterinária.”, sendo atribuído “…um número oficial de identificação, em conformidade com o disposto no n.º 4 do artigo 26.º do Regulamento.”, que refere, literalmente: “Cada Estado-Membro deve elaborar uma lista das unidades aprovadas no seu território nos termos do presente regulamento.
Atribuirá a cada unidade um número oficial que a identifique no que diz respeito à natureza das suas actividades.
Os Estados-Membros enviarão cópias da lista e versões actualizadas à Comissão e aos outros Estados-Membros.”

Para resumir: O Director-Geral autoriza a matança, mas obriga ao cumprimento de legislação (no que se refere à eliminação de subprodutos) só exequível em estabelecimentos autorizados.

Fico à espera que o Presidente da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), António Nunes, apareça um dia destes numa “Matança do Porco”… como é ao ar livre até pode fumar!

4 de março de 2008

OFENSAS À INTEGRIDADE FÍSICA DE UMA PESSOA

Por força do artº 11º, do decreto-lei nº. 312/2003, de 17 de Dezembro, foi abatido o rottweiler de que aqui falámos… segue-se o pit bull também aqui referido

Ás dúvidas de Sovet
(Tinham cadastro?
E estes "bichos" estavam registado nalguma base de dados?
Tenho as minhas dúvidas!
)…
ficou o esclarecimento anónimo…
[Foi microchipado em campanha e está na base de dados do(fiável)SICAFE.]…

a constatar dentro de dias…

PATOLOGIA COMPORTAMENTAL

A Fundação Eng. António de Almeida acolhe o IV Congresso de Medicina Veterinária dedicado à Patologia Comportamental e promovido pelos estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS)… de 11 a 13 de Abril… cavalos, cães e gatos... pena que não haja, ainda, programa disponível.

Muito para além dos velhos saberes:
Cão que ladra não morde…
A cavalo dado não se olha o dente…
Antes burro que me leve do que cavalo que me derrube…
Gato escaldado de água fria tem medo…

25 de fevereiro de 2008

A HERMENÊUTICA DO ESCANINHO

Num texto enigmático e vago, a nossa vizinha Alma discorre sobre os Figurantes e Figurões” da nossa Sociedade.

Sem se perceber bem a tese defendida lá se consegue descortinar um certo azedume contra o anonimato (a que afinal ela também recorre) a par com idêntica azia para com quem se atreve a criticar o poder (ainda que condimentada com uma superior complacência à participação dos parceiros sociais).

Mas estabelece a “nossa” Alma muito bem a fronteira: de um lado “…a critica salutar, normal e bem vinda…numa Sociedade Democrática”, do outro as “Calúnias, insultos, insinuações…” intoleráveis, a não ser na condição dos “…responsáveis aceitarem ter a sua responsabilidade e darem a cara por o que fazem e dizem.

Depois deste voo intelectualmente superior e provedor da boa ética social, o texto da “Alma” faz voo rasante sobre essa cambada de Figurantes e Figurões da Veterinária Lusa para um diagnóstico final: o mal é geral, a peçonha que essa gente destila é a mesma noutros “…domínios da nossa vida social…”.

De novo ganha altitude e, de peito feito, bombardeia-nos com soberba: não joga na hipocrisia, que entre Figurantes e Figurões a diferença é ténue e afinal “Uns e outros são nossos conhecidos, pelo que ninguém tem dúvidas em matéria das responsabilidades que cabem a uns e outros e estamos também esclarecidos quanto à sua identificação.

Bravo!… por aqui continuaremos a raiar os limites da ética… Não esqueça a Alma de levar o pára-quedas sempre que se aventurar por espaços aéreos limitados: ou a tripulação e a manutenção da nave são de qualidade ou a prazo encare a necessidade de se ejectar a qualquer momento.

OUTRA VEZ NO ALGARVE

”Este foi o segundo ataque de um cão a uma criança no Algarve em menos de 10 dias, diz o Jornal de Notícias” e também no Público e no Barlavento.

Agora vejam as fotos que ilustram a notícia, em cada um daqueles órgãos de informação.

23 de fevereiro de 2008

O CU DA LONTRA

Já aqui tentei coligir teses sobre a razão de tanto casamento entre veterinários… sem grande sucesso, até porque a tese de que os Veterinários se casam entre si, mais do que em qualquer outra profissão liberal, está por comprovar…

Seja como for, a ser verdade, aqui ficam alguns fundamentos.

22 de fevereiro de 2008

SERÁ VERDADE ?

A Lei n.º 2/2004, de 15 de Janeiro, Aprova o estatuto do pessoal dirigente dos serviços e organismos da administração central, regional e local do Estado.

Para o efeito de tal Lei, são cargos dirigentes, entre outros, os de Director-Geral (n.º 3, do Artigo 2º), estando sujeitos à observação de princípios gerais de ética (Artigo 4º): “Os titulares dos cargos dirigentes estão exclusivamente ao serviço do interesse público, devendo observar, no desempenho das suas funções, os valores fundamentais e princípios da actividade administrativa consagrados na Constituição e na lei, designadamente os da legalidade, justiça e imparcialidade, competência, responsabilidade, proporcionalidade, transparência e boa fé, por forma a assegurar o respeito e confiança dos funcionários e da sociedade na Administração Pública.”

Isenta a Lei os Dirigentes, e por isso os Directores-Gerais, de horário de trabalho, “…não lhe sendo, por isso, devida qualquer remuneração por trabalho prestado fora do período normal de trabalho.” (Artigo 13º), estando, contudo, obrigados ao “Dever geral de assiduidade e cumprimento do período normal de trabalho, assim como o dever de a qualquer momento comparecer ao serviço quando chamado.” (alínea c, do Artigo 34º).

Ou seja estão “sempre” em serviço, e como não bastasse: “No exercício das suas funções, … são responsáveis civil, criminal, disciplinar e financeiramente, nos termos da lei.” (Artigo 15º)

[E esgadanha-se a “maltosa” para ser dirigente… será que leram bem esta Lei?]

Bom… O melhor está para vir: “O exercício de cargos dirigentes é feito em regime de exclusividade.” (n.º 1, do Artigo 16º). Já estão a ver onde quero chegar? Detalhemos!

Como “O regime de exclusividade implica a incompatibilidade do cargo dirigente com quaisquer outras funções, públicas ou privadas, remuneradas ou não.” (n.º 2, do Artigo 16º) e porque as excepções previstas nos n.º 3, 4, 5, 6 e 7 daquele articulado, não incluem o exercício da Medicina Veterinária (da auscultação… à tuberculinização), aplicar-se-á em caso de incumprimento o nº 8, ainda do mesmo Artigo 16º: “A violação do disposto no presente artigo constitui fundamento para dar por finda a comissão de serviço.”

OUTRAS ROTATIVIDADES


É o outro lado da rotatividade… num “abatedouro” perto de si!
O meu marido lava as mãos antes de fazer o jantar, senhor director!

20 de fevereiro de 2008

CÃES PERIGOSOS

É aqui que está o “bicho”… referido ali, além e acolá

Entretanto a menina saiu dos Cuidados Intensivos.

Não tendo nada a ver com a notícia em questão, ocorreu-me uma outra relacionada com raças de cães perigosos: a sua utilização em lutas que, pelo menos num certo imaginário, estarão a florescer nas sociedades modernas e também em Portugal.

A ser verdade, muitos dos cães sairão dessas lutas bastantes feridos e a requerer tratamento médico-veterinário. Admitindo esse recurso: está o Médico Veterinário sujeito a segredo profissional? Ou deverá comunicar às Autoridades Policiais?

19 de fevereiro de 2008

BEAM ME UP, SCOTTY


(na SIC em 2007.10.30)

Fantástico o sistema de tele-transporte do Star Trek… bastava uma ordem para o orgulhoso engenheiro chefe escocês, “Scotty”, Montgomery Scott (na pele do actor James Doohan)… e por um intrincado sistema de análise de partículas e posterior síntese lá se regressava à nave espacial.

O Director-Geral de Veterinária desceu à Terra pela mão da recente novidade editorial “Veterinária Actual”… aqui ficam as estatísticas caseiras sobre os temas abordados:
Serviços Veterinários 1342 palavras
Saúde Animal 1189 palavras (das quais 575 sobre Gripe Aviaria e 309 sobre Língua Azul)
Medicamento Veterinário 645 palavras e
Profissão Veterinária 268 palavras.

Para além de relevantes declarações sobre a organização dos serviços, formação profissional dos Veterinários Oficiais e considerações técnicas sobre assuntos específicos, que se aplaudem, esperava-se mais, bastante mais… particularmente sobre Higiene Pública Veterinária, Inspecção Sanitária e a sua organização no futuro próximo, assim como sobre Investigação Veterinária.

Tem o Governo a intenção ou não de privatizar os Serviços de Inspecção Sanitária?
Vai a DGV promover e desenvolver alguma linha de Investigação Veterinária? E as Universidades vão estar envolvidas? Quais?

E no fim, pressionou a lapela e disse: “Beam me up, Scotty”… de regresso ao 4º andar da Victor Cordon.

17 de fevereiro de 2008

A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL

Sem uma clara política para o sector Agro-Pecuário capaz de travar o abandono da actividade, a situação agravar-se-á, e não apenas por razões de simples sobrevivência económica das explorações, mas também pelas múltiplas imposições legais: ambientais, bem estar animal, condicionalidade, etc., etc...

Muitos Médicos Veterinários deixarão de ter trabalho e a prazo haverá um sector da profissão a sofrer na pela e por “efeito borboleta” toda a profissão a sentir esse “aperto”.

Logo, deveríamos estar na primeira linha de influência política tendo em vista conseguir dos decisores a adopção das medidas mais convenientes para o sector da Produção Pecuária… por uma questão de mera sobrevivência.

Por natureza não sou pessimista, mas não vejo, nem antecipo que essa influência venha a ter lugar, nem sequer capacidade a alguns ajustes imediatos que pudessem constituir alento para o futuro, como por exemplo através do investimento previsto pelo próximo “quadro comunitário”.

A entrevista, recente, do Director-Geral de Veterinária, Dr. Agrela Pinheiro, à "Veterinária Actual", também não deixa, a este nível, margem para grandes esperanças.

15 de fevereiro de 2008

MRPP

Estava ela muito quentinha a blogar sentada, numa tarde de Inverno solarenga, destilando o seu mal compreendido humor, quando de repente se ouviu uma voz tonitruante:
- Qu’é lá isso a dizer mal do PINA??? Queres tu aguentar com o qu’aquele rapaz aguenta??? Hummm???
- Não meu Deus… eu… eu… só…
- Estás aqui, estás a representar a DGV na reunião do SCFCHA, quarta-feira que vem!
- Não… eu.. eu…
- Silêncio! Queres ficar a tuberculinizar gado o fim de semana?
- Não… eu… eu… e depois as leituras?
- Não te armes em Sanitarista_Compulsivo!!!
- O que é isso?
- O que é isso pergunto eu… aí no regaço?
- São rosas senhor!
- Ahhhh??? Rosas???
- Sim!... MRPP!
- MRPP?
- Sim… o Muitas Rosinhas Pró-Pina!

14 de fevereiro de 2008

AINDA SOBRE PARECER (substantivo, masculino)

Pareceres e Desapareceres!

Quando se "reflecte" sobre documentos já com vários anos, no mínimo é uma reflexão extemporânea porque denuncia um afastamento inexplicável, no tempo, da realidade(factos/emissão)que está na origem dos ditos e próprio quem tem andado distraido!

A respeito de legitimidade, faz pena que os "comentaristas" não se dêem conta da época em que os ditos foram produzidos, para além de serem apenas opiniões, respeitáveis como todas, mas meras opiniões.

Por respeito à intervenção neste domínio do anfitrião responsável por este blog a forma não é tudo?! considero mais significativo o conteúdo!

Nesse sentido penso que são esclarecedores os ditos pareceres, porque fazem uma interpretação dos assuntos, à luz das normas legais em vigor!

É mais importante isso(as orientações) que o resto( os exercícios de estilo/retórica)!


Vet@Esclarecido


Bom... ao Vet@esclarecido sempre adiantarei o seguinte:

1. A reflexão não foi sobre os documentos em si, mas sobre a sua estruturação e por isso a "opinião" sempre serve para futuros pareceres.

2. Mesmo que fosse a mera distracção que me tivesse impedido de notar os ditos pareceres… pergunto: não estão em vigor? Se “não”… que fazem no site da Ordem? Se “sim”… qual o problema de só agora aparecer esta opinião?
Um(a) recém-licenciado(a) não tem direito de opinião sobre um assunto que o(a) antecedeu na profissão?

3. É que se a época em que foram produzidos, condiciona os próprios pareceres, revoguemo-los… saiam da secção “pareceres” e passem à secção ”históricos”.

4. O conteúdo é muito mais importante que a forma… de acordo. Mas foi sobre o conteúdo que falei: motivo, objecto, especialidade e fundamentos dos pareceres.

5. Pareceres jurídicos em muitas matérias são importantes… era bom que a OMV publicasse mais pareceres jurídicos sobre questões importantes da profissão.
Dou um só exemplo: a obrigatoriedade de inscrição na OMV… é que há alguns Médicos Veterinários a usar o título que NUNCA estiveram inscritos na Ordem.

6. Mas o que realmente gostava de ver (acredito até que seja um luxo pessoal sem reflexo no seio da profissão) eram pareceres sobre questões éticas e deontológicas… é necessário fazer “escola” sobre muitas áreas cinzentas do comportamento profissional, para que os mais novos aprendam e alguns dos mais velhos reflictam!!!

7. Ninguém disse que não eram esclarecedores os pareceres… nalguns casos não são é totalmente esclarecedores.
Aproveito para dar, também, um só exemplo. Tenho muitas dúvidas sobre a obrigatoriedade ética de eutanásia de um animal saudável… mesmo que a tanto a lei obrigue!
Ora o parecer sobre a “eutanásia de animais errantes” não refere uma linha que seja sobre a questão ética, fundamentando-se apenas em questões estritamente legais.
Não se pense que estou visceralmente contra o parecer… Não. Fica apenas aquém do que esperava… problema não só meu!

8. Dizer que as orientações são melhores que a retórica parece muito correcto… e até parece um exercício de retórica, a mascarar a qualidade das orientações!

CUSTOU MAS FOI!

Aqui há dias, quando tive o topete de sugerir uma abordagem ao “Acto Veterinário” e na ânsia de encontrar links para todas as organizações da profissão não encontrei esta

Falta minha, até porque é uma das melhores páginas, senão a melhor, de todas as Associações de Veterinária em Portugal.

Parabéns ao Sindicato e também ao autor que não conheço.

13 de fevereiro de 2008

BOLSA DE VALORES

Se o fato de banho de Nicole Kidman vale 9 vacas… poderá estar encontrada solução para a crise da bovinicultura nacional.

Disponibiliza-se unidade de produção de leite em Vila do Conde, com 46 fêmeas em produção e check list positivo a todos os itens pelo Serviços Veterinários do Norte, para relocalização em zona ambientalmente mais adequada.

PARECER (substantivo, masculino)

Em termos genéricos uma opinião ou um juízo. Cada um terá o seu (independentemente de ser um especialista ou não na matéria em causa) e dá o a quem bem quiser.

Em termos mais técnicos, ainda uma opinião, devidamente fundamentada, sobre determinando assunto, emitida por um especialista, na sequência de uma solicitação.

Ou seja, um parecer exige quatro requisitos essenciais: motivo (que esteve na origem da sua elaboração), objecto (nem sempre tão claramente balizado quanto possa aparentar), especialidade (prisma sobre o qual é emitido o parecer) e fundamentos (em que se sustenta o dito).

Vem isto a propósito dos pareceres da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) sobre clínica domiciliária, cartão de saúde animal, eutanásia de animais errantes e clínica veterinária câmaras municipais (área reservada do site).

O motivo só é claro no caso dos pareceres do Conselho Profissional e Deontológico.

O objecto daqueles pareceres exige melhor definição, pelo menos no caso do cartão de saúde animal e da clínica veterinária câmaras municipais, de forma a evitar dificuldades de aplicação em função da forma como surgem certas situações enquadráveis.

Pela forma, parece (do verbo parecer) haver pareceres do Conselho Directivo e pareceres do Conselho Profissional e Deontológico, ou seja segundo perspectivas diferentes. Tal eventualidade deveria ser evitada e os pareceres deveriam ser da OMV, independentemente da autoria dos mesmos (especialidade).

Por outro lado, pelo menos num dos casos (eutanásia de animais errantes), os fundamentos têm uma natureza exclusivamente jurídica e por isso questionável se sob o ponto de vista ético ou profissional são aplicáveis.

Não basta que haja um parecer é bom saber, sem margem para dúvidas, porque motivo surgiu, qual o seu objecto, na óptica de que especialidade foi elaborado e em que se fundamenta… e se não fosse pedir muito que quanto à forma fosse usado um modelo standard em que aqueles requisitos estivessem expressos.

11 de fevereiro de 2008

EM BICOS DE PÉS


Tive a oportunidade de ler a revisão de Olaf Paterok e Jonas Livet a que se refere a notícia ”Melhor Zoo de Portugal” é em Gaia e julgo abusiva a conclusão, sem retirar ao Parque Biológico de Gaia e ao seu director Nuno Oliveira o mérito pela referência.

É que a revisão publicada pelo “International Zoo News” (Vol. 54, nº 7 e 8) não passa disso… de uma revisão das colecções zoológicas em Portugal e não um estudo comparativo dos zoo em Portugal: “…In April 2007 we took a ten-day tour to see the most important and interesting of these collections …/… We found 33 places where captive animals are exhibited to the public, some of which are aquariums, domestic breeding institutions and native animal parks.”

Provavelmente a carga animal e o sistema de observação dos animais, em especial das aves, impedindo que os animais vejam os visitantes, serão indicadores a realçar pela positiva, mas uma avaliação comparativa não fica por aí como bem sabe ou deve saber Nuno Oliveira.

Para almejar um patamar de distinção terá o Parque Biológico de Gaia que fechar ao público o Centro de Atendimento Médico Veterinário (não acreditado pela Ordem). Mesmo a necessidade financeira de rentabilizar o espaço de tratamento de animais (da colecção), não justifica o risco sanitário de receber animais de fora da colecção.