Fotógrafo: Estúdio Mário Novais, 1933-1983.
Data aproximada de produção da fotografia original: 1975-1988.
in Galeria de Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian
1. Confesso... sempre que numa reunião, assembleia ou grupo de trabalho, todos os participantes estão de acordo e nada adiantam ao assunto em discussão (particularmente em temas relevantes), limitando-se a anuir com um balancear de cabeça, sinto-me imediatamente impelido a assumir o contraponto.
Espírito de contradição, dizem alguns... será, não contesto, mas prefiro refugiar-me no vício estatístico da hipótese nula...
Guardei das lições de estatística aplicada à epidemiologia que, a impossibilidade de demonstrar uma hipótese como verdadeira (mesmo que provável), prova que a mesma é falsa.
Foi (também) por esse motivo que, quando todos os presentes na última Assembleia Geral (AG) da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) desataram a desancar no contrato de comodato materializado no edifício da Escola Superior de Medicina Veterinária (ESMV), ainda por cima de forma sublinhada com trejeitos e esgares de superioridade intelectual, imediatamente "aplaudi" quem soube trazer à discussão uma visão diferente sobre a matéria.
Aliás, este espírito de recusar certas obras por questões de princípio ou outras mesquinhas questões, seja por falta de abertura mental, desconfiança ou simples imobilismo, é um mal bem lusitano.
2. A possibilidade de ter, bem no centro de Lisboa, um local privilegiado, com espaço (até para estacionamento), albergando salas para reuniões, seminários e workshops, alojando outras Associações Profissionais, a começar pela própria Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias, que foi, salvo erro, a primeira a ali se instalar, com espaços equipados para o desenvolvimento de acções de formação de qualidade em parceria com os estabelecimentos de ensino de Medicina Veterinária, seria um ganho para a profissão. Tal possibilidade não foi demonstrada como falsa.
Não acredito que o "Estado" se opusesse a um projecto que permitiria reabilitar uma zona da cidade semi-abandonada, até por permitir, concomitantemente, complementar o projecto com a edificação de zona residencial de qualidade, na área remanescente do espaço ocupado pela antiga ESMV, sendo por isso também um ganho para a cidade de Lisboa. Tal possibilidade, também não foi demonstrada como falsa.
O argumento de que ali "estamos", vai para 75 anos, também não é assim tão despiciendo quanto isso, existe de facto um "valor emocional" associado à profissão Veterinária que poderá ser esgrimido a favor. Tal argumento também não foi demonstrado como falso.
3. Olhar para o problema, como o fizeram pessoas responsáveis na AG, do Tesoureiro do Conselho Directivo, à Presidente do Conselho Fiscal da OMV, pelos antolhos jurídicos de um contrato de comodato, parece-me pouquinho... já para não dizer que revela ignorância sobre o significado legal de comodato.
Para além do património histórico que a profissão pode e deve reivindicar, estamos a um par de dias de eleições autárquicas e por isso deveríamos questionar politicamente os candidatos, e potenciais candidatos, sobre o que pensam do projecto de reabilitação do espaço onde era a ESMV, pois que o mesmo trará um ganho objectivo para a cidade de Lisboa.
Fazer comparações grosseiras, como foi feito, sobre a decisão de deixar a sede na R. Victor Cordon, é que me parece de quem nem sequer alguma vez entrou naquela instalação: o actual arquivo e armazém da OMV não caberiam lá sequer!
4. Suponhamos que tudo isto não passa de facto de uma utopia clintoniana... mas quantas utopias não se tornaram realidades na nossa curta existência? Para não ir mais longe... a blogosfera, há 15 anos, era, não uma utopia, mas pura ficção científica.
Os descobrimentos lusitanos foram uma utopia, os Estados Unidos da América foram uma utopia, a "conquista" da Lua (e agora Marte) foi uma utopia, a criação da União Europeia foi uma utopia... e a simples recuperação do edifício da ESMV para os Médicos Veterinários é uma impossibilidade? Tenham dó...
Admitamos ainda assim (hipótese nula), que tal é de facto impossível... lutar por aquele espaço não nos deixaria, em qualquer das circunstâncias, em melhor posição para negociar, com o "Estado" um qualquer outro espaço na cidade de Lisboa?
Se somos nós próprios a abandonar o local sem qualquer resistência de que boas vontades estamos à espera, e de quem, para negociar uma alternativa?
17 de janeiro de 2009
HIPÓTESE NULA
Pareceu a Clint às 22:49 0 a retorquir
A VIDA NUM SOPRO

“A Escola Superior de Medicina Veterinária [ESMV] era aquilo que os amantes das palavras pomposas designavam por instituição vetusta. Nascera em 1830 com o nome de Real Escola de Veterinária, mas deixara de ser Real poucas décadas depois, talvez num acto de premonição do fim da monarquia. Era já uma instituição centenária, mas funcionava agora em instalações acabadas de erguer [1934] na Rua Gomes Freire. Na verdade, o edifício era tão recente que o cheiro a tinta fresca ainda vagueava pelo ar, apesar de nesse dia o aroma dominante ser o da insurreição.”
Assim se refere José Rodrigues dos Santos à velha ESMV, no seu último romance “A vida num sopro”, onde estudou uma das personagens centrais da história: Luís Afonso.
Afinal estamos a falar do mesmo edifício que o actual Conselho Directivo da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), numa perspectiva jurídica muito estreita, diz jamais puder ser da profissão e que alguns Médicos Veterinários com responsabilidades renegam como interessante para a OMV… Curiosa coincidência esta d’ “A vida num sopro” se referir à ESMV em termos bem mais emotivos que muitos dos Veterinários que por lá passaram e lá ensinaram… lá saberão das razões!
Pareceu a Clint às 22:47 0 a retorquir
CONDOMÍNIO FECHADO II
A "convite" da "blogs.sapo", o "Veterinário precisa-se..." mudou-se de armas e bagagens para estas paragens. Aos que gentilmente anotarem a nova morada e passarem a visitar-nos por aqui, a nossa deferência...
A mudança de ares acompanha-se da introdução de uma nova regra básica para quem desejar retorquir qualquer da opiniões expressas... comentários anónimos ficam pendentes da moderação do administrador, outros, desde que expressas por "clientes" registados nos blogs do sapo, são apresentados automaticamente.
O registo como cliente da sapo é simples e gratuito e não exige quebra de anonimato, ou identificação de IP, para quem o desejar manter...
Saúde!
Pareceu a Clint às 22:43 0 a retorquir
14 de dezembro de 2008
CONDOMÍNIO FECHADO
A "convite" da "blogs.sapo", o "Veterinário precisa-se..." mudou-se de armas e bagagens para aquelas paragens. Aos que gentilmente anotarem a nova morada e passarem a visitar-nos por ali, a nossa deferência...
Deixamos pois de estar aqui, para passarmos a residir em VETBLOCK.BLOGS.SAPO.PT...
Até já!
Pareceu a Clint às 23:08 16 a retorquir
10 de dezembro de 2008
BOLA DE CRISTAL
O Departamento de Projecções Integradas Nico-Anacrónicas (DPINA) do “Veterinário precisa-se…”, em conjugação com os serviços da DGSANCO divulga em primeira mão as projecções da evolução da Língua Azul na Europa, nos próximos 12 meses.
Depois de longas horas de cálculos estatísticos e aturada análise de dados, o DPINA, tendo em vista garantir a precisão e exactidão das conclusões alcançadas e recorrendo ao sofisticado sistema informático “Bola de Cristal” MacSoft®, apresenta em primeira mão a projecção espacial dos diversos serotipos de Língua Azul reportados a Novembro de 2009.
Pareceu a Clint às 23:26 3 a retorquir
O QUE SE SEGUE?
Já se sabia que a candidatura de Sameiro de Sousa não era, nem mais, nem menos, que a concretização da candidatura de Ramalho Ribeiro, impossibilitado de assumir a liderança da lista por se encontrar suspenso de membro da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV).
A questão é iniludível… os candidatos (ajustes estatutários à parte) são os mesmos que apresentou em anterior candidatura, o manifesto inscrito no site da candidatura é indisfarçavelmente da lavra de Ramalho Ribeiro…
Diria mesmo que a recente decisão de retirar do site da OMV, a lista de membros suspensos por incumprimento do dever de pagamento de quotas, vem na linha da filosofia da candidatura de Ramalho Ribeiro: mais preocupada com a aparência do que com os princípios ou coerência dos fundamentos.
Nesta ordem de ideias, tal como facilmente se antevê, a próxima decisão do Conselho Directivo (CD) vai ser a de revogar a suspensão do colega Ramalho Ribeiro.
Só que tal decisão encerra em si um problema bicudo.
A questão é simples: ou as circunstâncias que Ramalho Ribeiro apresentou para solicitar a suspensão se alteraram, ou, não sendo esse o caso, a revogação da suspensão é irregular.
Se esta dedução não é lógica, então os argumentos apresentados por Ramalho Ribeiro para pedir a suspensão de membro da OMV não tinham fundamento.
Assim sendo, aqui fica o apelo: quando o CD decidir revogar aquela suspensão, que explique muito bem os fundamentos da decisão… a bem da transparência de processos, exactamente por a já ter começado a maltratar.
Pareceu a Clint às 17:36 5 a retorquir
8 de dezembro de 2008
PROFUNDA TRISTEZA
A profissão perdeu a sua maior referência profissional.
Para quem conheceu e privou com o Dr. Matos Águas sabe ao que nos referimos: a personalidade forte, a sabedoria, a devoção que oferecia à profissão e a humildade com que sempre a serviu.
Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia do seu falecimento.
Pareceu a Clint às 21:42 7 a retorquir
6 de dezembro de 2008
ASSIM NÃO!
A nossa vizinha Alma divulga hoje uma mensagem do Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) sobre a remoção do site da OMV da lista de membros suspensos por falta de pagamento de quotas...
Curiosa que uma das primeiras decisões do recém eleito Conselho Directivo (CD) seja a de obviar a visibilidade e transparência que o assunto estava a ter...
Sabem o que vai acontecer de imediato? A lista vai triplicar, já no início de ano que vem (altura de pagamento de quotas), com aqueles outros que pagavam apenas por pudor...
Quem terá o CD ouvido para decidir?
Pareceu a Clint às 10:37 5 a retorquir
3 de dezembro de 2008
A GERONTOLOGIA, OS CÃES E OS GATOS
A missão da profissão Médico-Veterinária na Sociedade é desempenhada, não só tendo o ser humano como o cerne da sua intervenção, mas também desenvolvida numa relação de grande proximidade do propósito centrado no bem-estar da humanidade.
A notícia no Portugal Diário ilustra bem o que acabo de dizer…
Vertentes de uma profissão que merece ser revisitada over anda over: “As clínicas veterinárias são muitas vezes um local de encontro e de partilha de experiências, especialmente para os que têm mais tempo disponível.”
…porque o objectivo central da Ordem dos Médicos Veterinários, a defesa do exercício da profissão veterinária, se deve plasmar num sentido de missão… aqui fica o meu contributo!
Pareceu a Clint às 23:18 7 a retorquir
FRANGO DEPENADO
Tudo está bem quando vai bem… de acordo com o Diário dos Açores, os lusitanos vestiram a camisola amarela do consumo de frango na União Europeia.
Parabéns ao sector avícola pela recuperação das crises provocadas pelos nitrofuranos e gripe das aves, à Direcção-Geral de Veterinária por tão bem garantir a nossa segurança e ao bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários pelas politicamente correctas declarações, “…para quem a preferência dos portugueses pelo frango demonstra que os consumidores têm "confiança na carne de aves" e nos ovos…”
"Nem tudo poderá ser controlado a 100%, porque não há risco zero, mas no consumo de carne de aves eu creio que a população pode estar perfeitamente segura", disse à Lusa o bastonário da Ordem dos Veterinários, Sameiro Sousa…
Infelizmente não percebi a omissão, mas o papel dos Médicos Veterinários não é referido na notícia… nem superficialmente.
Pareceu a Clint às 16:37 2 a retorquir
OMAIAA
Reproduzo a parte final de um comentário recente a “EM TEMPO DE CRISE””:
Um pequeno exemplo:
O OMAIAA – Observatório de Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares, criado pela Assembleia da República, tem como membros, entre outros, a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Engenheiros. A Ordem dos Médicos Veterinários não está presente. Alguém explica porquê?
@bona
Já em 11.09.2003 o “Veterinário precisa-se…” protestou em A BIOÉTICA E O EXCESSO DE VELOCIDADE, pelo facto da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) não ter sido convidada a integrar o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida… Na altura predisse “A OMV vai de certeza reagir! Vai uma aposta?”… acho que perdi a aposta.
A participação da profissão, através da OMV ou não, em matérias de relevante interesse social deixa de facto muito a desejar… como aqui inúmeras vezes foi mote de conversa… Sublinho apenas mais uma: a participação da profissão na concepção, promoção e participação em políticas de Desenvolvimento Rural, na componente Pecuária obviamente, e em particular no que se refere à promoção dos produtos ditos de qualidade.
O OMAIAA é apenas mais um infeliz exemplo da menoridade com que somos vistos no plano societário e no domínio da intervenção política.
Estou mortinho para ver qual a abordagem reservada ao tema no Plano de Actividades que será apresentado (e seguramente aprovado por maioria) na próxima Assembleia-Geral da OMV.
Pareceu a Clint às 11:28 3 a retorquir
2 de dezembro de 2008
ALERTA AVIÁRIO
Já se sabia que seguir na pista de algo ou de alguém pode ter efeitos colaterais indesejáveis e por razões várias… o que estava até agora por equacionar, era o efeito do transporte de galinhas, em veículo aberto, para quem viaja na retaguarda dos mesmos… de artigo a publicar na Revista de Saúde Pública, de que é co-autora Ana Rule, investigadora da Universidade Johns Hopkins.
Pareceu a Clint às 17:20 3 a retorquir
1 de dezembro de 2008
SOL NA EIRA E CHUVA NO NABAL…

…só se for Veterinário Municipal (VM)!
Este blog quase se estreou com o tema… o segundo post aqui colocado a 30 de Julho de 2003, era precisamente dedicado à Autoridade Sanitária Veterinária Concelhia.
Passados mais de cinco anos, afigura-se-me que o conteúdo daquele texto se mantém actual: desafortunadamente, a intervenção do VM continua desregulada, resultando mais da capacidade de iniciativa do próprio VM e/ou da Câmara Municipal em causa e/ou da relação entre ambos, que da lógica de estruturação dos Serviços.
Poderia a intervenção/estratégia da Associação Nacional dos Médicos Veterinários dos Municípios (ANVETEM) ter desencadeado, pelo menos, uma discussão sobre o assunto, mas não… seria no entanto muito injusto não acreditar na capacidade e vontade da direcção recém-eleita para modificar este panorama e relançar a discussão sobre o papel do VM.
A começar pela duplicidade do seu estatuto.
Por muito conveniente que seja depender de duas entidades distintas (Câmara Municipal e Direcção-Geral de Veterinária –DGV-), é óbvio que a prazo tal estatuto será indefensável na quadro da Administração Pública, mesmo que outras razões não justificassem a revisão desse enquadramento.
Aliás, enquanto correia de transmissão da Autoridade Sanitária Veterinária Nacional a nível municipal, nada justifica que o VM não seja enquadrado na verticalização dos Serviços Veterinários.
Ou seja, o VM continuava a exercer as suas funções e com o atributo geográfico que hoje já tem, só que passaria a estar enquadrado (100%) no serviço das Direcções de Serviços de Veterinária da DGV… simples!
A passar pela vacinação anti-rábica.
O que é que justifica os moldes desta campanha? Perdoem-me os poucos VM que planeiam e organizam uma campanha decentemente e anualmente introduzem as alterações decorrentes da experiência de anos anteriores, mas a grande maioria dos VM nomeados para esta campanha executam-na em moldes muito pouco aceitáveis e em clara concorrência desleal, como aqui já referi.
Para além da polémica que resulta do ciclo anual de vacinação com recurso a vacinas que oferecem uma cobertura imunitária de dois e mais anos, subjaz a questão: se a vacinação faz parte das atribuições do VM porque razão ainda se mantém o pagamento de uma compensação?
Se a Administração quer, de qualquer modo, garantir a vacinação anual, por razões epidemiológicas transcendentes, porque razão não adjudica o serviço aos privados? Vislumbro mil entidades dispostas a concorrer a esse serviço.
E a terminar com a delicada questão dos conflitos de interesse.
O quadro de competências do VM está definido pelo Decreto-Lei nº 116/98, de 5 de Maio, sendo ainda de considerar a proposta de alteração da ANVETEM.
Apontando a Administração Pública para o “Reforço da deontologia do serviço público e para o exercício de funções públicas com carácter de exclusividade”, o dever de isenção e a existência de conflitos de interesses, resultantes da actividade do VM, assim como a potencial confluência de interesses financeiros, estão colocados na ordem do dia.
As actividades privadas desenvolvidas pelos VM, concorrentes com as funções que exercem na Administração Pública, desenvolvidas de forma permanente e habitual, dirigidas ao mesmo círculo de destinatários, são conhecidas e notórias.
Basta ter em conta o quadro legal referido para enunciar exemplos gritantes:
Como garante o VM a prevenção da saúde e do bem-estar animal, a protecção da saúde pública, e a higiene, salubridade e segurança dos géneros alimentícios de origem animal, quando na generalidade dos casos, o mesmo VM mantém uma relação de trabalho privada com os mesmos destinatários daquelas medidas?
Como pode o VM dirigir o centro de recolha de cães e gatos, quando o proprietário do animal é seu cliente no centro de atendimento que dirige nas ditas horas fora de serviço?
Como assegura o VM, numa perspectiva de intervenção oficial, a avaliação das situações que visam a salvaguarda e protecção da Saúde Pública Veterinária, quando os visados são membros da Organização de Produtores Pecuários (OPP), de que também é coordenador?
Expliquem-me, como se eu fosse uma criança de 10 anos, como é possível ao VM assegurar tarefas de inspecção higio-sanitária, quando os inspeccionados são simultaneamente seus clientes, enquanto Médico Veterinário que exerce por conta própria ou coordena e executa as actividades da OPP?
As perguntas continuam… fico-me por aqui, só para não alongar.
Admito que os três pontos referidos não sejam para resolver “já amanhã”, compreendo até a imediata antipatia que muitos VM atribuem a estas reflexões, mas estou certo que a prazo esta discussão será inevitável. O que é que a direcção da ANVETEM antecipa?
O pior será mesmo não querer mudar nada, ou pior ainda, não querer sequer discutir o assunto e ouvir opiniões.
Se os três pontos referidos não fazem qualquer sentido, então é bom que a ANVETEM se prepare com pareceres “sumarentos” que sustentem o contrário, pois o Estado prepara-se para levantar aquelas questões e não é de certeza por o “Veterinário precisa-se…” ter falado disso.
Pareceu a Clint às 15:10 9 a retorquir
30 de novembro de 2008
PROCRASTINAÇÃO
Por inspiração nas reflexões de José Luís Amâncio sobre o tema… “Procrastinação é o ato de adiar alguma tarefa ou atividade e um dos complicadores da gestão de tempo.”, Já se percebe que as preocupações vêm do Atlântico Sul, mas nem por isso (ou talvez por isso) merecem ser menos consideradas na Lusitânia!
O velho “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, ou o não menos sensato “Guarda que comer, não guardes que fazer”, são de facto virtudes de que este blog não se pode orgulhar, e por isso invejamos aqueles que não procrastinam
Tiramos pois o chapéu ao Grande Auditor DGViano, por ter tido a sabedoria de aprovar o Programa Anual de Auditorias e ao dirigente máximo pela douta homologação!
Plano aprovado e publicado na primeira página do site da Direcção-Geral da Veterinária, esperamos agora por idêntico destaque aos relatórios de auditoria.
Pareceu a Clint às 15:39 3 a retorquir
EM TEMPO DE CRISE
Como é que as dificuldades financeiras que afligem a Europa e o Mundo se repercutem na vida dos Médicos Veterinários em Portugal?
Diz-se que em alturas de crise a imaginação vale mais que o conhecimento…
Uma coisa é igualmente certa: em tempos de crise as prioridades não são de certeza com o respeito pela ética ou um quadro referencial de valores.
Terá já o novel Conselho Directivo (CD) da Ordem dos Médicos Veterinários reflectido sobre o assunto? Haverá alguém, dos que por aqui passa, que possa deixar cair uma palavra aos do CD?
Pareceu a Clint às 01:37 6 a retorquir
A GRANDES MALES, GRANDES REMÉDIOS [2]
Reproduzimos a mensagem e-mail recentemente recebida, não divulgando o(a) subscritor(a) por expressamente não termos sido autorizados a fazê-lo.
Caro Clint.
É-me extremamente grato informar toda a comunidade veterinária (não castrada, sem antolhos e sem aziar) que o bom senso democrático voltou a prevalecer na DGV.
Se se não tratar de uma transitória “amnistia de Natal” é sem dúvida uma atitude dos decisores que é justo saudar.
A CENSURA AOS BLOGS TERMINOU NA REDE A JUSANTE DO SERVIDOR INTERNO DA DGV.
ALELUIA!!!
Como se vê a mensagem é de um(a) crente… na sequência da qual nos cumpre divulgar o seguinte:
O Conselho de Administração do “Veterinário precisa-se…” reunido (como habitualmente) Sábado pela manhã, informa não ter desencadeado (ainda que vontade não lhe tenha faltado) qualquer acção judicial, policial, informal, banal ou outra, tendo em vista a acção desencadeada pelos gestores de sistemas da Direcção-Geral de Veterinária (DGV).
Nestas circunstâncias não pode (infelizmente) o “Veterinário precisa-se…” reivindicar qualquer mérito pela anunciada anulação da decisão antes tomada, manifestando aliás grande preocupação pelo presumido desinteresse que este sítio possa ter passado a ter na litúrgica catedral da Veterinária Oficial.
Não menos preocupação manifesta o Conselho de Administração (um dos administradores chorou baba e ranho), pela eventualidade da sua intervenção blogosferiana não ser levada a sério ou pela, não menos presumida, percepção de ter deixado de pisar (ou mesmo ultrapassar) o risco dos limites da ética.
O Conselho de Administração do “Veterinário precisa-se…” exorta a profissão Veterinária a participar na grandiosa manifestação que terá lugar no Largo da Academia Nacional das Belas Artes em data a anunciar.
Pareceu a Clint às 01:14 3 a retorquir
28 de novembro de 2008
CONTESTO
... a filosofia expressa pela nossa vizinha Alma em Incompatibilidades!
1. A comparação, ainda que legítima, não foi devidamente enquadrada. Estamos a falar de coisas substancialmente diferentes.
No caso de Manuel Sebastião trata-se de saber da compatibilidade entre o exercício de vogal suplente da Direcção da Ordem dos Economistas (OE) e o de Presidente da Autoridade da Concorrência (AC).
No caso de Ramalho Ribeiro a questão parece ser mais profunda, trata-se de saber da compatibilidade entre o exercício da Medicina Veterinária e a de Director da Estação Zootécnica Nacional (EZN).
2. No caso de Manuel Sebastião a polémica resulta de saber se este pode exercer o cargo de presidente da AC, sendo vogal suplente da Direcção da OE. Foi a opinião pública que levantou a questão, em nome do serviço público que decorre da missão da AC.
No caso de Ramalho Ribeiro a controvérsia resulta de saber se este pode ser membro da Ordem (e no extremo ser eleito), sendo Director da EZN.
Foi o próprio e a Direcção da OMV a fazer menção do facto, em nome da defesa do exercício da Medicina Veterinária (MV).
3. Enquanto o Estatuto da OE refere apenas as questões de incompatibilidade que decorrem da Lei; o da OMV define com exactidão as funções e actividades incompatíveis, acrescentando, genericamente, “…quaisquer outros que por lei sejam considerados incompatíveis…”.
Pode parecer ténue a diferença, mas o espaço para discussão jurídica enorme. A AC considera mesmo não existir “…qualquer incompatibilidade ou conflito de interesses entre ser Presidente [da AC] e ser Vogal Suplente…” da OE.
O próprio Ramalho Ribeiro considerou ser incompatível o exercício de MV com o de membro da OMV, limitando-se o Conselho Directivo a reconhecer como não solvidas as razões que Ramalho Ribeiro apresentou, em primeira instância, para solicitar a suspensão como membro efectivo da OMV.
4. Atribuir um juízo de valor positivo à iniciativa de Manuel Sebastião (ou melhor da AC), contrapondo com um juízo negativo à postura de Ramalho Ribeiro não parece muito correcto.
Manuel Sebastião (ou melhor a AC) impôs-se deixar um órgão da OE; Ramalho Ribeiro quis (quer?) impor-se como candidato a um órgão da OMV.
Eventualmente a posição será eticamente mais delicada no caso da pretensão de Ramalho Ribeiro, mas a pergunta “Porque não seguiu o exemplo de dr. Manuel Sebastião?” não se aplica.
Ramalho Ribeiro não o tem que fazer… eventualmente teria que prescindir (isso sim) da posição de Director da EZN para “livremente” se candidatar a Bastonário.
5. Manuel Sebastião sai pelo seu pé, Ramalho Ribeiro bate o pé e sairá aos trambolhões… se não imperar o bom senso e uma grande dose de tolerância.
Um não se vitima, outro faz papel de vítima…
Um não mistura questões éticas com os contornos legais, outro investe nas questões estritamente legais e formais para arredar as questões morais…
Ainda que Manuel Sebastião não possa almejar, no plano legal, estar nos dois órgãos simultaneamente, as razões morais falam a seu favor.
Mesmo que, no plano estritamente moral ou ético, Ramalho Ribeiro não tenha razão em reingressar na OMV, terá contudo razões legais bastantes.
6. Outra questão que se coloca decorre da cronologia dos factos… desconheço o que aconteceu primeiro, mas num caso o exercício de cargo na Ordem parece ser pretérito ao da função pública, enquanto no outro sucede precisamente o contrário.
7. Para Manuel Sebastião a questão é simples: “Durante o seu mandato…”, como presidente da AC, não pode desempenhar quaisquer outras funções públicas ou privadas, ainda que não remuneradas,”; para Ramalho Ribeiro, enquanto presidente da EZN, só não poderá desempenhar funções na OMV porque não lhe fica bem, afinal foi ele que argumentou nesse sentido ao pedir escusa de membro da OMV por ser Director da EZN.
8. A AC é uma pessoa de direito público dotada de órgãos, serviços, pessoal e património próprios e de autonomia administrativa e financeira, com regime jurídico definido estatutariamente.
A EZN é uma Unidade Operativa do Instituto Nacional de Investigação Agrária e das Pescas (INIAP).
As responsabilidades éticas, se não legais, não são comparáveis. À AC aplica-se o quadro normativo relativo às entidades reguladoras sectoriais.
É que, na realidade, o exercício da MV não é incompatível com o de Director da EZN. Porque é que havia de ser? O estatuto é claro: titulares de órgãos de soberania… do governo regional… governador civil… presidente de câmara (ou vereador, se a tempo inteiro)… gestor público… outros considerados por lei… ora Director da EZN (sem desprimor) não encaixa em nenhum.
Só mesmo titulares de órgãos operativos da Administração Pública, que se acham muito cheios de si próprios (ou arranjaram um expediente para não pagar quotas) é que se consideram nesta situação de incompatibilidade, tolerada pela OMV à luz de parecer jurídico muito restritivo.
Pareceu a Clint às 12:03 7 a retorquir
27 de novembro de 2008
HOSPITAL VETERINÁRIO
Este Hospital Veterinário NÃO está registado na Ordem dos Médicos Veterinários (OMV)…
"...What do you think is wrong with him, doctor Bob?
Well, for one thing he has been badly exposed to overacting… either that or overexposed to bad acting!..."
Pareceu a Clint às 18:15 2 a retorquir
25 de novembro de 2008
CIÊNCIA VETERINÁRIA
Continuo a achar que o contributo dos cientistas lusos para o desenvolvimento das Ciências Veterinárias em Portugal deixa muito a desejar.
Os esforços, neste domínio, têm um carácter individualizado e pontual, fruto muito mais do esforço dos poucos cientistas (os que ainda merecem esse nome), regra geral a braços com muita resistência burocrática, e muito pouco por força de iniciativas, estratégias e apoios das Instituições que se dedicam às Ciências Veterinárias.
Recaem particulares responsabilidades na Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias (SPCV), cujos esforços se “resumem” à organização de um Congresso de três em três anos e à edição errática de uma revista.
Acredito até que com os meios à disposição, seja enorme o resultado e por isso a crítica não incide naqueles que dirigem a SPCV, mas na atitude acrítica com que se aceita a situação.
Têm responsabilidades as Universidades que tutelam os cursos de Medicina Veterinária e os seus corpos directivos por não romperem com a situação, definindo uma estratégia conveniente.
É deprimente um certo egocentrismo instalado em muitos dos investigadores dessas Universidades, que parecem olhar mais para o espelho onde a sua imagem se reflecte, do que para os trabalhos que dirigem e cujos resultados se esperaria representassem um efectivo valor acrescentado ao investimento que todos fazemos através dos impostos.
Admito andar muito distraído, se for esse o caso contrariem-me com casos reais e concretos, mas não consigo descobrir investigação com aplicação prática à nossa realidade, sendo que a generalidade dos trabalhos tem uma conotação simplesmente académica ou ficam muito aquém das respostas que se esperam, mesmo que a prazo.
Não menos distante deste cenário o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), agora incluído na super-estrutura do Instituto Nacional de Recursos Biológicos e desde Sexta-Feira passada dirigido pelo Médico Veterinário Nuno Canada… pelo menos já nos faz esquecer o inefável Doutor José Manuel Costa.
Asfixiado por orçamentos pelintras, estruturado por decisões no mínimo duvidosas, mergulhado na habitual formalidade da Administração Pública, em vez de transversal, comunicativo, aberto e de capacidade criativa, o LNIV dobra-se com o peso de anos de frustrada capacidade para acertar o passo e entrar nos trilhos.
Em plena Semana da Ciência e Tecnologia, um dia passado sobre a celebração do Dia Nacional da Cultura Científica, o “Veterinário precisa-se…” agradece informação sobre as iniciativas das instituições científicas, universidades, escolas, associações e museus, ligadas à Medicina Veterinária, que tenham aberto as suas portas ou tenham dado a conhecer as actividades que desenvolvem.
Até a "Google.pt" celebrou...
Pareceu a Clint às 19:27 14 a retorquir
20 de novembro de 2008
A NÃO PERDER
O 1º Encontro Internacional de Arte Equestre organizado pela Academia de Dressage de Portugal… as provas vão “estrear” o complexo da Quinta da Pataca, na Arruda dos Vinhos, de 12 a 14 de Dezembro.
Parabéns a Daniel Pinto pelo projecto da Quinta da Pataca e por este primeiro Encontro Internacional; boa sorte ao Dr. Filipe Graciosa Veterinário Delegado da Federação Equestre Internacional e ao Dr. Bruno Miranda Veterinário do evento.
Pareceu a Clint às 21:30 7 a retorquir
THE BRIDGES OF MADISON COUNTY
Logo à noite, na RTP 1 - 00.15h… a não perder!
Pareceu a Clint às 06:09 5 a retorquir
18 de novembro de 2008
BLUETONGUE
Desconheço em pormenor os contornos do caso de Língua Azul, em Chaves, que esteve na origem das recentes medidas específicas de luta e erradicação da doença, o que sugere uma vez mais um comentário: a falta de informação…
A Direcção-Geral de Veterinária (DGV), em vez da macacada que “meteu” no seu site relacionada com a “Semana Europeia da Veterinária”, devia oferecer mais e melhor informação sobre o tema.
Faço por isso fé no “Jornal de Notícias”, que sugere uma reflexão cuidada… limito-me a um humilde contributo.
1. Foi o proprietário do rebanho que se apercebeu poder estar perante um caso de língua azul: "Ao abrir a boca vi que tinha a língua muito grossa e meia roxa, não esperei mais e fui logo aos serviços a Chaves"; “…o animal acabou por não sobreviver à chegada do veterinário, no dia seguinte.”… Ainda assim a realização dos exames laboratoriais e a confirmação do foco de língua azul ocorreu em tempo record, apesar de desconhecer a existência de qualquer plano de contingência.
2. Os Serviços Veterinários Oficiais não divulgaram as medidas de vigilância que foram estabelecidas, que animais foram recenseados, se houve outros animais mortos ou doentes, que locais foram identificados como susceptíveis de favorecer a sobrevivência dos culicoides, quais os resultados do Inquérito Epidemiológico, que visitas foram efectuadas à exploração ou explorações afectadas e quais os relatórios dessas visitas, que tratamentos foram feitos com e quais insecticidas, etc. etc… continua pois a existir uma cultura de silêncio, que nem os órgãos de comunicação social, pelo menos a especializada ou regional, são capazes de contrariar.
3. Refere o “JN” que “A suspensão da feira "por tempo indeterminado" é uma das medidas de prevenção tomadas na sequência da detecção do primeiro foco da doença da língua azul no concelho de Chaves.”… Pergunto eu: porquê? Não porque a medida eventualmente não se justifique, mas por desconhecer as condições de implantação, situação geográfica ou contactos com a exploração em que se confirmou a doença… convenhamos que a base científica se deve sobrepor à dos efeitos mediáticos… Como reporta a Rádio Renascença, “…de acordo com o veterinário municipal sabe-se apenas da morte de um dos animais da propriedade…”.
4. A divulgação pública e mediática do caso foi efectuada pela própria Direcção-Geral de Veterinária (DGV), sem que ninguém da estrutura dos Serviços Veterinários soubesse o que se estava a passar… de facto foi pelos noticiários que os Veterinários Oficiais ficaram a saber da ocorrência e “…o veterinário municipal, Sotero Palavras, só foi avisado da suspensão da feira pelos serviços de Chaves da DGV entre as "18.30 e as 19 horas".
5. Certo é que toda a região, anteriormente fora da área de restrições, passou a estar nela incluída relativamente ao serótipo 1, não sendo perceptível as razões que justificam tal situação ou porque razão não foi a medida tomada há mais tempo… funcionaram uma vez mais razões de epidemiologia política relacionadas com a necessidade de vacinar o efectivo (1ª inoculação) até ao final do ano? Então porque não decidiram em Setembro?
Pareceu a Clint às 08:18 5 a retorquir
14 de novembro de 2008
BALEIA DE PENICHE
Deu à costa de Peniche, em avançado estado de decomposição, o que sobra de um cadáver de cetáceo, conforme anuncia o Jornal de Notícias.
Ana Elisa, que desde Outubro de 2003 desempenha funções como Médica Veterinária Municipal, “…explicou não ter memória de ter visto um animal a dar costa em tal estado de decomposição.”… e então? pergunto eu… isso quer dizer o quê? Até onde vai a memória de Ana Elisa? 2003?
Ainda segundo a mesma fonte, Ana Elisa terá adiantado que, “…o estado de putrefacção já nem sequer permite aos especialistas saber se "será mesmo uma baleia ou um cachalote"… desconheço qual a especialidade a que se refere, mas para quem esteve na conferência dedicada à Medicina Veterinária forense (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - UTAD, 11 de Outubro), sabe que não será bem assim…
Aliás, sempre segundo a mesma fonte, Ana Elisa “…considera que o animal estará morto há já muito tempo…” (até eu sei disso)… até porque a edilidade “…tem uma equipa especializada no acompanhamento de casos deste género.”… em que ficamos? nem os especialistas saberão que raio de cetáceo é este ou há realmente uma equipa capaz de o fazer?
Então não é “…feito regularmente um controlo rigoroso dos animais que dão à costa.”? Calculo que a regularidade seja quando dão à costa? Ou não?
A juventude pode ser traiçoeira, mas para quem, tão desempoeiradamente, assumiu a presidência da Associação Nacional dos Médicos Veterinários dos Municípios (ANVETEM) e cargo no Conselho Directivo da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), o mínimo que se exige são declarações mais cuidadas, mesmo que simplesmente proferidas na qualidade de Médico Veterinário Municipal.
Pareceu a Clint às 22:07 11 a retorquir
THE EUROPEAN VETERINARY WEEK
Uma iniciativa conjunta da Federação dos Veterinários da Europa (FVE) e da Directorate-General for Health and Consumers (DG SANCO) da Comissão Europeia, que decorre precisamente neste momento (10 a 13 de Novembro).
O OBJECTIVO (as maiúsculas têm razão de ser) é o de promover a estratégia comunitária para a Saúde Animal ASSIM COMO (idem) o conceito da FVE de “Uma só saúde”…“This is a huge and unique opportunity to raise the profile of the veterinary profession, sublinhou Jan Vaarten, Director Executivo da FVE, conforme refere a newsletter de Outubro passado.
A FVE encorajou as organizações associadas a participarem e a sugerirem ideias para o evento…
Do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários (SNMV) e da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) pouco ou nada se viu, mas em compensação a Direcção-Geral de Veterinária brinda-nos no seu site com algo TOTALMENTE IMPENSÁVEL… num outro local civilizado não se esperaria menos que a demissão do responsável e manipuladores do respectivo back office…
O local dedicado à “Semana Veterinária Europeia” é uma miscelânea de coisas sem nexo, institucionalmente condenáveis, eticamente reprováveis, desconformes, desenquadradas, falsas quanto aos objectivos da iniciativa… numa palavra INQUALIFICÁVEL.
Filmes aleatoriamente seleccionados do you tube sobre realidades do Brasil (European Veterinary Week????)… como o “Ser Veterinário” realizado pelo alunos da Escola Estadual Inácio Montanha…
Propaganda descarada às consultas de Acunpunctura e Homeoterapia de uma certa clínica ambulatória de Lisboa… incluindo a referência a preços de consultas…
A luta contra a Brucelose no Yellowstone National Park e os trabalhos de investigação do “Idaho National Laboratory” – EUA (European Veterinary Week????)…
Um texto não assinado sobre a “A Alquimia dos sabores ancestrais” que remata com posições não oficiais da DGV???
Informação muito básica da “Organização Pan-Americana da Saúde” sobre Higiene e Segurança (European Veterinary Week????)…
Umas lamechices de Tiago Cabrita ao som de Louis Armstrong (“what a wonderful world”) ou de Renata Freitas ao som de Madona (“Hey You”), apresentados como MATERIAL DIDÁCTICO VETERINÁRIO???
O caso toca as raias do absurdo… era difícil fazer pior, perdoem-me os inocentes que possam estar por detrás disto, apesar do atrevimento, a culpa não é vossa!!!
Não seria suficiente linkar com o site oficial em língua portuguesa, mau grado a má tradução?
E a agora meu caro Director-Geral? O que pretende fazer?… de conta que nada se passou?
Pareceu a Clint às 00:00 10 a retorquir
12 de novembro de 2008
OPORTUNIDADE PERDIDA
(Detalhe do mapa europeu das zonas de restrição por língua azul… as cores foram invertidas pelo departamento de tratamento de imagem do “Veterinário precisa-se…” indo ao encontro da inversão de valores ditados pelos Serviços Veterinários na implementação das medidas de profilaxia médica).
A recente ocorrência de Febre Catarral Ovina, no Norte de Portugal (Chaves), veio pôr a nu a frágil capacidade de intervenção e negociação dos Médicos Veterinários (MV), em matéria de execução das medidas de controlo da doença.
Em primeira instância o facto da operacionalização das medidas em causa ser negociada entre a Administração Veterinária e os produtores, através das suas organizações.
Por outras palavras, os MV práticos, que prestam serviço às Organizações de Produtores Pecuários (OPP), não têm sequer o estatuto de parceiros na discussão do assunto, apenas o de assalariados daquelas Organizações a quem é concedido um certo estatuto de consultor (não remunerado especificamente por isso) ou seja, um papel claramente secundário nas negociações.
Em segundo plano, o facto da discussão convergir num argumento demolidor para aqueles MV: a execução das medidas (essencialmente a vacinação) beneficiará do apoio financeiro do Estado se concretizada até ao final do ano; depois disso os custos ficarão por conta do criador.
Alguém… no seu perfeito juízo, acreditará que as OPP vão ser sensíveis a qualquer argumento baseado em dificuldades de natureza técnica na realização das acções antes do final do ano???
A resposta é tão óbvia quanto a chantagem da Administração.
Quer isto dizer que, por muito razoáveis que sejam as dificuldades (designadamente a formação e preparação de novas equipas de campo, o referencial de qualidade de execução e a eficácia e eficiência técnica das mesmas), tais aspectos jamais serão consideradas à “mesa das negociações”.
De um lado a Administração Veterinária quererá “ver as coisas” implementadas rapidamente, permitindo deitar foguetes lá para Janeiro com o “sucesso” da intervenção…
Do outro lado as OPP que, humildemente e de chapéu na mão, se contentarão com o pagamento que é oferecido (e do qual vão procurar amealhar uma fatia importante), sem qualquer negociação baseada em custos reais de acção concretizada ou em função de critérios de qualidade de execução…
Em terceiro lugar e não menos importante, precisamente a capacidade de organização, argumentação, união e postura dos MV práticos envolvidos.
Poderemos lamentar o facto de institucionalmente não sermos considerados parceiros, ou mesmo o facto de não existir uma liderança forte e coesa, mas convenhamos: com um mínimo de convergência estratégica. os MV sempre teriam uma palavra a dizer… afinal tudo vai estar nas suas mãos, literalmente… imunogénios, seringas, liderança e acção… a não ser que vão a correr buscar enfermeiros veterinários…
Das duas uma: ou os MV fincam pé e exigem níveis de qualidade de execução técnica dignos e aceitáveis e uma decente remuneração, ou vence um certo interesse instalado… o de certos MV, para quem o programa representa, mesmo com prejuízo da qualidade do serviço prestado, apenas mais uma oportunidade de facturação extra… com o beneplácito dos MV que dirigem os Serviços Veterinários.
A finalizar… a Direcção-Geral de Veterinária (DGV), não entende que a metodologia de trabalho no Sul e no Norte do país (por razões de estruturação fundiária e de organização do sistema de controlo e erradicação), terá que ser diferente, ainda que os objectivos sejam os mesmos.
Mesmo sabendo que existem “pedaços de Norte” no Sul e algumas “manchas de Sul” no Norte, o sistema instituído não deixa qualquer margem de manobra aos MV práticos “estatizados” das OPP do Norte do país para negociar um esquema adaptado às circunstâncias… continuaremos a vender o nosso serviço por 30 dinheiros, abandonando uma prestação de qualidade.
O que pensarão disto os novos inquilinos da Gomes Freire?
Quererão, ao menos, discutir a matéria?
Pareceu a Clint às 21:05 6 a retorquir
