11 de fevereiro de 2004

SOCIEDADE DO FUTURO

O futuro alicerça-se no que ficou do passado, mas também naquilo que se vai fazendo e nas consequências do que, por incúria, se deixou de fazer. Por isso nos preocupamos com o tipo de sociedade que aí vem.....
Dum modo geral vive-se num frenesim constante que, por um lado e por vezes, nos impele para atitudes impensadas e, por outro, leva-nos ao desinteresse e sempre à revolta quando a vida nos pressiona um pouco mais do que o habitual. A maior parte de nós quase desespera quando as coisas desejadas não aparecem rapidamente, como acontece quando se pressiona sem sucesso um qualquer botão duma qualquer maquineta electrónica. Sobretudo na juventude nota-se este tipo de impaciência que muitas vezes é traduzida em desistências de vária ordem ou em atitudes de demasiada contestação emocional, embora todos saibamos que a vida não é um mar de rosas..... A falta de treino para suportar as contrariedades desta vida agudiza esta situação.
Vivemos numa época de mudanças rápidas, entre um passado que estava estagnado e um presente que nos empurra para atitudes radicais, num contraste de extremos muito grande. Quase a ninguém estranha que se ponha em dúvida se as pessoas podem livremente degradar-se, prostituir-se, drogar-se, ou suicidar-se sem que o Estado nada tenha a ver com isso, ou se, pelo contrário, o Estado deve fazer chegar o seu braço até aí, advogando um papel social, ainda que nem sempre cumpra com este mesmo papel em outros campos, quiçá mais importantes....
Pessoas com grande responsabilidade perante os seus concidadãos por seus escritos serem lidos por muita gente esquecem-se disso e manifestam opiniões que mais agravam a situação actual, ou, na melhor hipótese, em nada contribuem para lançar os alicerces adequados a mudanças equilibradas.
Assim, parece que o Estado apenas sabe exercer a sua intervenção directamente, como que querendo traçar previamente os moldes em que as mudanças hão de surgir - parecendo querer intervir cada vez mais na vida de cada um de nós - em vez de exercer a sua função burilando o que já está feito e aqui ou além introduzindo algumas novas influências.
Ao caminhar-se no sentido actual e considerando a tendência para o radicalismo, em breve chegaremos a uma situação em que o Estado será omnipresente.
Será um devaneio do socialismo democrático, ou será isto o que a maioria deseja?

9 de fevereiro de 2004

SANTINHO

Olh'ó nitrofurano barato… é p'rá acabar…
Quem dizia que os nitrofuranos estavam acabados? Pelos vistos a venda ilegal continua... E, fico perplexo, foi a Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE), numa joint-venture com o Instituto da Farmácia e do Medicamento (INFARMED), que concretizou as apreensões… tendo em conta a crónica falta de fiscalização do cumprimento da Lei, não será esta apenas a ponta do iceberg?
As apreensões foram feitas na zona das Caldas da Rainha, mas não parece que as substâncias estivessem escondidas em nenhum ex-libris local... antes pelo contrário, ali mesmo, aos quilos, em estabelecimentos clandestinos, sob a forma de pó, comprimidos… muito do material nem sequer se sabe o que será… mas as suspeitas recaem sobre os pobres nitrofuranos e os, cada vez menos famosos, antibióticos.
Como "de Espanha nem bom vento nem bom casamento", também agora a poeirada se suspeita ter aquela origem e provavelmente através de uma network criminosa, bem organizada, a que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) não vai dar tréguas.
Pelo menos 90 processos-crime já estão instaurados e continuam em investigação, embora ainda sem acusação formada… como os processo que a Ordem dos Médicos Veterinários prometeu… instaurados, mas ainda sem acusação formada… ou arquivamento (parece o mais provável).
Vejamos… se o raio das substâncias está proibido (embora a sua eventual utilização, mesmo em animais destinados ao consumo público, seja discutível… mas quem somos nós para dizer isso…), mas aparentemente continuam a ser utilizadas, porque raio de razão, das análises aleatoriamente promovidas no âmbito do Programa de pesquisa de resíduos, só resultam resultados negativos?
Serão circunstâncias estatísticas especiais? Será do nível aleatório da amostragem? Ou será devido a qualquer outra razão?
Subsistirá sempre a dúvida, que se espera brevemente esclarecida: os assistentes das explorações serão assim tão distraídos que não se apercebem da incorporação nas farinhas? O que pensa o Governo do assunto? não se justificam medidas urgentes?
Ainda nos vão dizer que a gripe aviaria não passa afinal de uma alergia a tanta poeirada… se as galinhas espirrassem… era caso para dizer: santinho!

8 de fevereiro de 2004

A CRISE DOS 4 EFES

De há muito que vem crescendo na população a falta de confiança nos partidos políticos e actualmente pode dizer-se que a própria democracia representativa está a ser posta em causa. Não foram as notícias vindas ultimamente a público sobre corrupção que desencadearam este sentimento; não é um fenómeno recente. O que parece é que os políticos têm andado distraídos....Os cidadãos, em geral, puseram grandes esperanças na Democracia Representativa, mas estão cansados de esperar pela sua consolidação e descrentes da vontade dos próprios Partidos para que isso aconteça. E, mais vezes do que o saudável, já admitem que os políticos não a desejam melhorar e que preferem envolver-se em lutas de poder pelo poder em vez das que são de interesse para todos nós. São exemplo as contradições em que os deputados caiem quando produzem justificações a coberto da disciplina partidária, ou quando mudam de atitude e de opinião conforme estão no poder ou na oposição; o interesse focado nos cidadãos só na ocasião dos períodos eleitorais; as concessões “ negociadas” para aprovação do OE, da própria Constituição; etc. Em relação ao Governo, são notórias as actuações tipo bombeiro (atacar os incêndios e não as suas causas); as promessas não cumpridas; e, entre mil e uma outras coisas, a falta de estratégias adequadas para a “agricultura” e para a “transmissão de conhecimento”, por exemplo; a falta de fiscalização em vários sectores; a quase indisponibilidade para garantir a segurança das pessoas contrastando com as garantias dadas ao capital financeiro; etc., etc. Em relação ao poder local também são inúmeras as circunstâncias nas quais se radica a crise de confiança, entre elas a permanente indiferença (ou mesmo desprezo) quanto a uma maior participação das populações na vida da comunidade quando essa mesma participação poderia ser conseguida facilmente utilizando melhor a existência das Juntas de Freguesia, etc. Enfim, existe um grande número de motivos para criar no nosso coração a falta de confiança, mas mais confrangedor é assistir-se à total indiferença dos políticos, a tal ponto que essa indiferença acaba por tornar ridículas as próprias “referências” feitas pelo Senhor PR....Tudo isto concorre para o povo, com a sua tradicional sabedoria, se convencer de que, afinal, o Sistema está mais interessado no poder pelo poder do que lutar pelo que é de maior interesse para a Nação.
É previsível que em breve se assista a numerosas declarações de intenção sobre Democracia Participativa e tentativas de justificação relativas aos referendos: o que contrariou o da Regionalização e já habilidosamente contornado; o respeitante ao aborto, e aos que dirão respeita à nossa própria Constituição e à da UE.
O povo continua meio anestesiado pelo futebol, mas, em boa verdade, pode-se considerar dividido em quatro grandes áreas de interesse dos 4 efes: - futebol das massas; finanças do grande capital; farola dos políticos; o quarto não digo qual é....

5 de fevereiro de 2004

RETRATO DE FAMÍLIA

Quando na Actividade Privada se conclui que este ou aquele empregado apresenta um rendimento mais baixo que o habitual logo há um responsável que procura a causa, dependendo do nível da empresa e da importância do problema, evidentemente, porque a causa pode estar no próprio seio laboral e - a persistir - levará ao abaixamento do rendimento de outro ou de mais outros trabalhadores......Ao nível dos quadros superiores existe também muita preocupação a este respeito.
Como é óbvio, este mesmo problema existe também na Administração Pública, ocorrendo muito mais do que seria razoável, só que nesta “empresa” as chefias – desde as mais baixas até às de topo – não se preocupam, ou quando se preocupam não são apoiadas, ou mesmo saem do processo mais frustradas do que no início por falta de apoio, de compreensão e de possibilidade prática para o resolver convenientemente.
Quem nas chefias da Administração Pública está preocupado com o baixo rendimento deste ou daquele funcionário, mesmo deste ou daquele grupo inteiro de funcionários? Quer o recrutamento das chefias seja feito com base num concurso público, ou por escolha, nunca vi – durante os meus largos anos na Função Pública – ser dada qualquer importância aos problemas relacionados com a Inteligência Emocional, nalguns quadros superiores completamente ignorada, ou até vilipendiada.
Agora que está à porta uma reforma da AP, já deram conta da preocupação para resolver esta gravíssima realidade? Apesar de toda a atenção, apenas me foi dado constatar preocupações respeitantes à defesa daquilo que eu classifico como prerrogativas de natureza sindical, para logo de seguida se manifestar algum interesse quanto à melhoria da produtividade e eficiência, como se estes factores estivessem em planetas diferentes. Esperemos que haja bom senso e que as alterações não girem apenas à roda de melhores instalações, novo mobiliário, melhores ajudas de custo, mais viaturas, etc.
Se na reforma anunciada não for levada em consideração a I E no que concerne às chefias e não existirem soluções adequadas às causas dos os problemas, estou certo de que tudo continuará na mesma logo que passados os primeiros meses da euforia......É que a moldura poderá ser diferente, mas o “RETRATO DE FAMÍLIA” será o mesmo!

3 de fevereiro de 2004

ARMAS DE VACINAÇÃO MACIÇA

Quando se fala e se perspectiva adoptar uma campanha de vacinação, logo dois coros de "cientistas" se perfilam: um, que de alma e coração se coloca a favor, depressa e em força, e outro, que com igual veemência, chama a atenção para a necessidade de controlo dos inconvenientes ou mesmo sublinhando a impossibilidade que esses contras sugerem à aplicação de um certo imunogénio.
A este propósito, a comunidade científica também não mantém a mente aberta, o quanto baste, na busca da decisão mais equilibrada, face à situação real, nas suas vertentes técnica, social e económica, tendo em conta o compromisso com a sociedade a que se dirige.

Vem tudo isto a propósito da vacinação maciça do efectivo ovino e caprino de Trás-os-Montes contra a brucelose, com REV1, aplicado por via conjuntival.
Por muito que este "velho do Restelo" se ponha aqui a perorar, o certo certinho é que o número de abates sanitários se reduziu a valores nunca vistos (porque a vacinação suspendeu o rastreio), invocando os responsáveis, com algum atrevimento, que até o número de casos de brucelose entre a população diminuiu (deve ser porque a vacina cura…).
O tempo falará por si… e quando vierem à tona todas as falências em que a esta vacinação se enxertou, inevitavelmente sobrará sempre a desculpa que alguma coisa era necessário fazer, segundo uma lógica que sempre é pior não decidir que decidir mal.

Para já, para já, aqui ficam algumas pérolas avulsas sobre o assunto… Como já lá vão dois anos e meio desde o início da vacinação, impõe-se agora saber o que fazer aos animais vacinados… que maçada… bom, conforme mandam as regras há que rastrear a doença, de novo, e livrarmo-nos dos positivos (supostamente infectados).

Começam os problemas, porque qualquer que seja o critério a adoptar, com base nos testes laboratoriais de diagnóstico que eventualmente venham a ser adoptados, subsistem a priori, vários problemas: o dos animais que foram vacinados, mas sabe-se lá quando… o dos animais que supostamente foram vacinados, mas relativamente aos quais não se sabe realmente se o foram ou não… o dos animais que ninguém conseguirá identificar… aqueles outros que possam ter sido marcados (tatuados) em local, que não o de eleição, e por isso escaparão a essa identificação… já para não falar daqueles que serão identificados como não vacinados, mas que de facto o foram, ou aqueles que venham a ser abatidos para consumo, supostamente importados desde Espanha!
Seja como for, como só passaram… nalguns casos três anos… a Autoridade Veterinária chegou à conclusão que é urgente definir-se o que fazer aos animais reagentes, até porque admite a detecção dos 7% de positivos (mais coisa, menos coisa, e contando com os não contabilizados, serão uns 15 ou 20%... não liguem, isto são exageros aqui do Veterinário precisa-se…).
Assim, para que não haja dúvidas, o caso nem é para ser discutido ou sequer explicado aos Veterinários de serviço (que aliás parecem digerir a coisa com bastante complacência), a metodologia a seguir é simples… é só ter em conta a ligação da célebre Agar Gel ImunoDifusão (AGID) à não menos desconhecida Fixação do Complemento (FC)!!!???...

E de uma penachada se resolve um problema científico até agora sem solução: distinguir, por testes laboratoriais correntes, seropositivos em resultado de uma vacinação ou de uma infecção… e dizem estes que a coisa é impossível…: "Dessa forma, os resultados obtidos não estimulam o uso da prova de imunodifusão em gel de ágar, utilizando como antígeno extrato polissacarídeo de parede de Brucella (POLI O) como técnica diagnóstica de rotina, em virtude de sua baixa sensibilidade, o que possibilita manter animais infectados no rebanho e favorece a disseminação da doença.".
Pois… mas para a Autoridade Veterinária a prova de AGID permite a diferenciação de animais vacinados com REV1 dos animais infectados e (até esta pasme-se) dos animais que estão a excretar brucella.

É verdade que nos bovinos, segundo nos dizem do Brasil, a AGID parece ser "…uma prova de diagnóstico útil para identificar animais seropositivos, naturalmente infectados, de animais vacinados com diferentes doses reduzidas de B. abortus S19…" mas ainda assim salvaguardando a necessidade de investigações adicionais, pelo que a generalização da "ciência" nacional nos parece, no mínimo… atrevida…
Não sei porque não se atreveram a ter em atenção a experiência de França…, talvez pelas influências de Espanha….

Em qualquer dos casos, e já não seria mau se o assunto pudesse ser discutido com os Médicos Veterinários envolvidos, subsiste o mistério na atribuição do mesmo valor de diagnóstico da AGID com a FC, desde que o título desta última seja superior a 66 Unidades Internacionais de Aglutinação.

Nem as Autoridades de serviço se comparam à CIA, nem a Al-Qaeda de prepara para produzir REV1 em massa, mas se George W. Bush soubesse, David Kay não precisava ter reconhecido: "Enganámo-nos todos"…

2 de fevereiro de 2004

OLHAR AS ESTRÊLAS

No ambiente em que vivem os seres vivos (animais e plantas) originam-se “acontecimentos” que se traduzem por um conjunto de formas, de cores, de odores, cantos, etc., mas que, na realidade, lhes fornecem “sinais”. Estes, porém, não têm, evidentemente, o mesmo significado para todos os seres vivos e para o Homem ainda menos porque desde há muito ele perdeu essa faculdade; deixou de saber fazer a “leitura” desses mesmos sinais.
As plantas captam avisos da radiação solar, da tensão dos gases atmosféricos, etc; os insectos como, por exemplo, as abelhas, decifram mensagens cromáticas e olfactivas que as flores emanam; os carnívoros decifram a passagem das presas pelos rastos, odores e sons; mas o Homem comum já nem sequer sabe olhar para as estrelas.....
Tais avisos, contudo, entenda-se, não são informações emitidas pelo ecossistema; são, isso sim, o resultado dos vários acontecimentos que ocorrem no pequeno mundo constituído pela totalidade dos organismos que o ocupam e onde se relacionam entre si e com o meio ambiente (ecossistema). Uns são casuais, outros repetitivos e regulares como o nascer do sol (ciclo dia/noite), as marés, etc. Alguns destes ciclos são mais rápidos (bi-diários como as marés); outros mais lentos (estações do ano) e outros tão lentos que não há memória das suas ocorrências (glaciares).
A gravitação que o sol exerce sobre o planeta que habitamos, o circuito feito em torno do sol e a sua rotação sobre si mesmo, criam uma ordem cíclica que o mundo vivo, desde há milhões de anos, incorporou como propriedade da sua organização fisiológica. Os seres vivos, mesmo não tendo consciência do facto, possuem a capacidade de “medir”o tempo e de se organizarem em função disso.
Os chamados ciclos da biosfera (geoclimáticos, atmosféricos, etc.) ficaram, ao longo dos milhões de anos da evolução, bem interiorizados em cada indivíduo vivo, acabando a periodicidade desses ciclos por comandar as suas actividades fundamentais (alimentação; repouso; reprodução), de tal maneira que, na maioria dos tecidos do corpo, a maior parte das células divide-se ao entardecer e durante a noite e não durante as horas do dia, por mais estranho que possa parecer.
Qualquer agricultor, ou pessoa que faça a sua vida no campo, não pode deixar de reparar em determinados factos que se repetem ciclicamente, como, por exemplo, a emigração de algumas aves e a construção dos ninhos. o início da floração; o fim da hibernação do texugo; a queda das folhas de algumas árvores; etc.
No entanto, sabe-se que os fenómenos de índole social (solidariedade, egoísmo, inveja, ganância, organização, tolerância, etc.) nunca chegarão a influenciar a evolução global da nossa espécie sob o ponto de vista biológico, não só porque são fenómenos que aparecem com uma aceleração muito grande, mas também porque o próprio homem lhes vai introduzindo alterações de vária ordem.... Mas é pena que assim seja – passe a ironia – porque seria muito interessante que se pudesse verificar as diferenças de ordem física, fisiológica e mental entre o Homem Lusitano actual e entre este e cada um dos “especializados” na interpretação dos “sinais” de índole social... Um dos factos mais interessante seria analisar a capacidade deste Novo Homem Lusitano para interpretar os sinais de ordem política que muito provavelmente já andam por aí...... Talvez se formos para Marte, face às novas condições gravitacionais, surja um novo Homem mais solidário, mais tolerante, mais crítico e menos oportunista. Digamos, o Homem Lusitano Utópico!

VÉNUS…

Faltam 126 dias… para puder ver algo que ninguém vivo alguma vez testemunhou.
Parece charlatanismo. Mas não é… não mande dinheiro agora… ah ah ah ah…

Retomemos a seriedade, porque o assunto a merece, chamando a atenção do curioso leitor para o extraordinário fenómeno (?) que o planeta Vénus oferece neste ano da graça de 2004.
Para os mais "distraídos", comecem por olhar o céu ao anoitecer… para esse lado não… mais para Sul e agora para a direita… isso… sudoeste, mais ou menos onde o Sol de põe. Está a vê-la? Essa "estrela" brilhante bem alto no horizonte é, nada mais, nada menos, que o planeta Vénus… para os interessados aqui fica o respectivo planisfério (zero graus de longitude ao centro).
Antes de começar a pensar que aí está algum mau presságio, note que mais uns meses e o raio da "estrela" se apagará… porquê? É simples…

Imagine uma pista de atletismo circular, onde você corre na pista 3, e outro atleta (de nome Vénus) corre na pista 2… pelo efeito décalage (a sua pista tem uma curvatura maior) mais tarde ou mais cedo você vê o seu companheiro de corrida ora mais afastado ora mais próximo de si, formando um ângulo maior ou menor com o centro do campo (onde está o brilhante Sol), deixando-o de o ver devido à proximidade do Sol ou por estar exactamente atrás dele ou mesmo à sua frente…
É assim que, a 29 de Março, Vénus atinge a elongação máxima (maior distância do Sol, segundo a percepção da Terra)… para os supersticiosos é aproveitar para umas emanações venusianas… e, exactamente a 8 de Junho, ocorrerá algo que não se regista desde há 112 anos: Vénus "mergulha" no Sol, passando à sua frente e alinhado com a Terra, numa espécie de minúsculo e parcial eclipse do Sol, sendo o trânsito visível em Portugal desde a madrugada (aurora) até às 12h30… marque na sua agenda…

E como estes fenómenos acontecem raramente, calcula-se que o mesmo venha a ser concomitante com o aparecimento dos renovados e verticalizados Serviços Veterinários.

1 de fevereiro de 2004

Absque argento omnia vara

Contratem um homem de negócios, um gestor, um profissional competente em marketing para director executivo da ORDEM. Paguem-lhe o que for preciso, (10.000, 20.000 euros) aumentem as quotas à maralha, ponham a industria farmacêutica a sponsorizar, eu sei cá! Roubem a Manela. Puxem pela pinha e promovam a classe, porra! Não deixem a classe nas mãos de Vets funcionários públicos que de tudo sabem e de nada percebem...
Take Five

Nada se faz sem dinheiro, mas sem inteligência também não… De qualquer modo o recado fica dado… a quem de direito! Apenas três recados:
a) Não se metam com a Ministra das Finanças… mantenham as finanças em dia e o fisco longe!
b) Se optarem por qualquer tipo de sponsor, não se esqueçam de duas coisas importantes: usem de transparência nesses financiamentos, para que todos saibamos quem financiou o quê e não fiquem dependentes do mesmo.
c) Definam bem o perfil desse Director Executivo… cuidado com os homens de negócios.

31 de janeiro de 2004

AINDA A REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (3)

O Primeiro-ministro anunciou a constituição da Comissão Consultiva da Reforma da Administração Pública, com o objectivo de obter sugestões e novas ideias para a reestruturação dos Serviços do Estado.
Dela fazem parte, entre outros: Manuela Ferreira Leite, João de Deus Pinheiro, Valadares Tavares, Freitas do Amaral, Diogo Lucena, Correia de Campos, António Borges, Medina Carreira, João Caupers, Rui Machete, Robim de Andrade e António Carrapatoso.
A disposição parece ser a de tornar o processo de Reforma do Estado gradualmente mais amplo e a vez da Administração Veterinária virá a caminho, o Ordem dos Médicos Veterinários que não se distraia deixando "correr o marfim", para depois vir lamuriar umas quantas esfarrapadas desculpas ou chorar sobre o leite derramado, haja vontade, projecto e estratégia para fazer incluir nesta Reforma a opinião dos Médicos Veterinários.

INUNDAÇÕES EM MARTE

Uns milhões de dólares e euros mais tarde, lá recebemos imagens de Marte, captadas ali mesmo à superfície do planeta vermelho (que raio de apelido! …).
E logo as primeiras fotografias sugerem a existência de água no planeta (só falta uma enxurrada arrastar consigo o pobre, mas famoso, opportunity) … Até aqui tudo bem, embora surpreendente fosse encontrar vestígios de um algarvio a vender alcagoitas ou um tripeiro a beber uma "super".

Este pequeno passo para um robô, depois de uma série de trambolhões para a humanidade, inspirou os governantes portugueses, em particular o Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.
Preocupado que está com a Reforma orgânica do Ministério e em particular dos Serviços Veterinários Oficiais… aliás convêm dizer que a preocupação e os desvelos são tão intensos que o enlevo com a reforma dura há meses (efeito duracell).
Sabe-se de fonte geralmente bem informada (que não revelo nem que chova em Marte), que o Ministro pediu ajuda à equipa do laboratório de propulsão a jacto, da NASA, com o intuito de resolver o problema de Médicos Veterinários das OPP, de Médicos Veterinários Inspectores Sanitários, de Médicos Veterinários Municipais e do seu enquadramento na nova estrutura.

Tendo decidido encaixar a nova Direcção-Geral da Veterinária e da Segurança Alimentar (sim, sim… vai chamar-se assim), entre a Polícia de Segurança Alimentar e a Agência para a Qualidade e Segurança Alimentar, uma espécie de tríade de colchetes, uma nova tarefa árdua surge: encontrar as competências para colocar a máquina da nova Direcção-Geral a funcionar, numa lógica de gestão por objectivos, com sentido de missão e uma efectiva capacidade de liderança.
A solução encontrada passa pela encomenda aos americanos da NASA de um novo robô (já baptizado de new opportunity), capaz de ser lançado na DGVSA e encontrar… não água, mas antes gente competente; entre as capacidades técnicas do novo robô, refira-se a possibilidade de captar imagens a um ritmo bastante grande, de forma que se prevê a relação estatística de 1/1000 isto é, por cada 1000 fotografias é provável que uma detecte um sinal de competência.
Para obter uma relação tão favorável, os técnicos da NASA aconselham que o new opportunity seja lançado numa zona a mais afastada possível da Direcção de Serviços de Saúde Animal, já que as probabilidades de aí encontrar água, muita água, são enormes… (eu disse água?).

Bom… e agora revelo um segredo: as primeiras imagens já chegaram e alguns dos pormenores das mesmas são fantásticos.
Ainda não foi possível identificar quaisquer protagonistas devido à acumulação de papéis sobre as secretárias e também pelo facto dessas imagens terem sido captadas antes das 11:00h, período do dia em que a paisagem é ainda muito inóspita.
O robô percorreu já o rés-do-chão, dirigindo-se agora para o terceiro andar onde a NASA deposita enorme esperança nas fotografias que almeja captar de uma zona restrita, onde recentemente foram identificadas ondas BSE (Big Sophisticated Ego).
As semanas que se aproximam são críticas para o robô new opportunity.

nihil diu occultum

As eleições para a Ordem foram eloquentes. Evidenciaram que a classe na sua generalidade é uma merda! 24% DE VOTANTES E 76% DE ABSTENÇÕES. Mas o que é isto senhores? Depois queixem-se... Se fosse o Resende, nem sequer tomava posse! Take Five

De facto "nada se conserva oculto por muito tempo"… Independentemente da categórica estatística, nem vale a pena invocar a diferença com outras eleições, particularmente em outras Ordens, em que as estatísticas são eloquentemente generosas para a percentagem de votantes alcançados na "nossa", outros factos se revelam: a participação aumentou em relação a anteriores actos eleitorais…
Talvez o mérito não seja da lista A… talvez o negro espectro de uma eventual eleição da lista B tenha tirado alguns do laxismo, levando-os a votar… simplesmente.
Será naturalmente curta a vantagem… mas é um sinal.
Mas outras "leituras" se impõem. Parece que alguém terá seguido o conselho… enfim, quase… não ao ponto de não tomar posse, mas ao ponto (não pelo "baixo" número de votantes) de rejeitar participar no cargo para que foi eleito, com o fundamento de, por desinformação, julga-se que do líder da lista em que participava, não se ter apercebido do tempo e trabalho que o cargo envolvia.
Ainda por cima, nem mais nem menos, o lugar resultante de ser candidato a presidente do Conselho Profissional e Deontológico.
Realmente, no próprio dia de posse, o candidato da lista B manifestou a sua indisponibilidade para participar nos trabalhos do Conselho!? … Então porque tomou posse? Porque não define a sua posição de uma vez por todas?
Acredito que as pressões do líder da lista para que se mantenha firme e hirto não sejam desprezáveis, mas determina a dignidade profissional, ainda para mais vinda de alguém com responsabilidades profissionais acrescidas, resultantes do estatuto de docente, que a situação seja clarificada com urgência.
A não ser assim, terei que concordar que a classe é… composta de alguns elementos desprazíveis.

30 de janeiro de 2004

BOSÕES E FERMIÕES

Para os físicos todas as partículas fundamentais são ou bosões ou fermiões.
Os bosões devem a paternidade a Nath Bose e Albert Eistein, que verificaram as regras segundo as quais se comportam: bastante sociáveis e gregários, tendem a associar-se no mesmo estado de energia.
Os fermiões foram "demonstrados" por Enrico fermi e Paul Dirac, na sua solidão e individualismo.
Se o pensaram, melhor fizeram... aquilo que os físicos já tinham experimentado com os bosões (concentrado de Bose-Einstein), realizar uma espécie de batido gelado, fizeram-no agora com os fermiões, usando para o efeito uma pequena concentração de potássio 40, arrefecido a quase 273,15º Celsius abaixo de zero.
A ideia não era, pois, original, mas uma natural sequência do "tratamento" já dado aos bosões e que consistiu na velha técnica de "servir bem gelado".
Afinal pegar num pequeno concentrado de elementos básicos, com as mesmas características, levá-los ao zero absoluto de temperatura (quase, quase... faltaram 50 milésimos de milionésimo de um grau), teoricamente o ponto de paralisia atómica, parece ser uma excelente técnica para, não só descobrir novas formas de matéria, mas também para dar alguma utilidade a certos elementos básicos.
Concentrar todos os dirigentes básicos dos Serviços Veterinários Oficiais, não importa se se comportam como bosões (sociáveis e gregários), se como fermiões (individualistas e solitários) e arrefecê-los a -273,15º Celsius, garanto-lhes que podem não demonstrar a existência de uma nova forma de matéria, mas seguramente encontrarão matéria para, de uma vez por todas, renovar a capacidade de inovação, de intervenção, sentido de missão e eficácia para os Serviços Veterinários.

sapientis est mutare consilium

Seria interessante também a verificação de dois parâmetros - A competência técnica e a incorrecção politica (diria, mesmo à prova de bala) desses mesmos técnicos. Lamentável é que os técnicos queiram ser políticos e os políticos se julguem técnicos... Muito se perde com medo de se perder...

Não se trata de querer ser político (parlamentar ou autárquico). Não é essa a minha profissão. Posso ser mau naquilo que digo e faço, mas jamais poderei ser bom ou um mau político....... Porém, ninguém, seja em que circunstância for, se pode (deve) abstrair dos factos que se passam à sua volta, especialmente se estiver convencido de que as causas que os determinam poderiam ser alteradas de modo as que as consequências fossem preferíveis às anteriores. Isto não é ser político, mas exercer um papel de cidadania do qual não me apraz deixar, sempre na esperança de encontrar pessoas que pensem como eu. Por isso fiquei baralhado com o seu “comentário”. Ou o que disse não tinha essa finalidade?

23 de janeiro de 2004

As Pontes de.......... Entre-os-Rios

A verdadeira causa da degradação, ou da queda, desta ou daquela ponte, não está num pilar descarnado, ou na falta de alguns parafusos, mas numa profunda irresponsabilidade resultante duma filosofia de actuação que tem por base o tratamento sintomático (dos males observados) em vez duma actuação sobre as causas desses mesmos males.
Nos últimos anos temos lido muitos artigos de opinião sobre esta problemática e onde é posto o dedo na ferida com a maior propriedade. Apesar disso, nunca observámos que se tivessem adoptado as correcções que se impunham, mas sim a adopção de medidas avulsas que, por atacarem apenas os sintomas, fazem com que se perpetuem as causas. Mas o pior desta mesma filosofia é ela ser mantida mesmo em relação a outros aspectos muito importantes da economia e do desenvolvimento do país.
Por mais estranho que seja, parece estarem na base desta filosofia três factos principais:
1. - A mania de tudo subordinar à política - como se qualquer político fosse infalivelmente competente para abordar e resolver mesmo os problemas mais complexos - baseada no conceito de que os pareceres técnicos não podem ser vinculativos........
2 - Manter um controlo com base em pressupostos de ordem estatística, controlo este que não deixará de ser apropriado quando o nível de cidadania é elevado, mas impróprio no nosso, no qual, infelizmente, é mais apropriado um controlo à custa duma fiscalização persistente;
3 - Uma Administração Pública muitas vezes completamente obstrutiva, onde algumas chefias, politicamente protegidas, vivem comodamente agarradas a uma rede intrincada de notas internas de serviço e de despachos normativos (arvoradas em NEP) que invocam ser necessárias para prevenir abusos, mas que sob o ponto de vista prático acabam por provocar aquilo que alegadamente se pretende prevenir.......

Não estamos interessados em que se apontem responsáveis pelos “pilares descarnados” ou pela “ausência dos parafusos”, mas desejaríamos, isso sim, que os mais responsáveis pela reforma da AP tomassem consciência de que estão muito longe de estar por dentro dos problemas e que só após essa tomada de consciência poderão efectuar com êxito uma reforma satisfatória. Se assim não acontecer, tudo continuará na mesma.
Acha que não fomos suficientemente abrangentes? Então por que não colabora com comentários e novos prismas de visão destes problemas?

2 de janeiro de 2004

Vox populi

Os seus comentários fazem falta!
É sempre um gosto lê-lo, mesmo quando discordo.
Não tem tempo? Aborreceu-se?
Brinde-nos com algumas dicas sff
Callas

Quem me dera… fosse esse o consenso unânime… era um bom argumento e incentivo, mas nem todos os seus colegas pensam assim… Além dos brindezinhos recentes, brindo também com um Veuve Cliquot (um vintage de 1995 – La Grande Dame), ficando à espera de mais feed back da comunidade veterinária.
Para já corri a comprar o "the voice of the century" dessa diva… aconselho "La Traviata" com o tenor Alfredo Kraus e a Orquetra Sinfónica do Teatro Nacional de São Carlos, conduzida por Franco Ghione.

UBAR

Sobre o anonimato… voltarei em devida oportunidade, fica para já a firme certeza de Blog Anónimo Responsável, reconhecendo agradecidamente a confiança depositada pelo Anónimo Presidente da UBAR ("União dos Blogs Anónimos Responsáveis").

O ANO COMEÇA BEM…

Os EUA anunciaram, a 23 de Dezembro, o primeiro caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina naquele país.
Portugal, só no ano de 2003, registou mais de cem casos.
As Autoridades americanas, desde o anúncio daquele caso, têm promovido diariamente (excepto no dia de Natal), um briefing técnico, tornando pública, toda a informação conhecida sobre a ocorrência.
O que aconteceria em Portugal em circunstâncias idênticas? Imaginemos uma eventual ocorrência, não de BSE (essa já fez história por cá… e de triste memória…), mas de uma outra Encefalopatia Espongiforme Transmissível. Por exemplo o tremor do carneiro (scrapie).

Os EUA, perante a existência de um caso presuntivo de BSE, imediatamente divulgaram toda a informação disponível sobre o caso (identificação do animal, data da morte e da realização de exames laboratoriais, identificação da exploração pecuária envolvida, destino da carne de animal abatido, etc. etc.), pela voz da Secretary of State, Ann Veneman.
Em Portugal, se um caso presuntivo de srapie fosse detectado, em vésperas de ano novo, por exemplo, o que aconteceria? Duvido que fosse dada a devida divulgação pública do facto.

As Autoridades americanas estabeleceram um plano de intervenção, para a eventualidade de aparecimento de BSE, disponível online para os interessados ("Bovine Spongiform Response Plan Summary").
Em Portugal, no caso de ocorrência de scrapie, a sua notificação ficaria ao sabor da disposição de momento: não há plano detalhado, muito menos de acesso ao público, sendo até curiosa a forma vigilância e notificação de doenças ( "Rede de Epidemiovigilância Nacional das Doenças dos Animais"), parecendo ser tida mais em conta a capacidade "do momento" que o circuito de informação.

Depois da divulgação pública da ocorrência de BSE, pela voz da responsável política norte-americana, foi atribuída total responsabilidade às Autoridades Veterinárias pela condução e divulgação de dados entretanto apurados em sede de investigação epidemiológica.
Em Portugal, o problema seria, certamente, mais do domínio da autoridade política, que da autoridade da Administração Veterinária.

Mas claro, tudo o que ficou dito é pura conjectura, caso ocorra uma caso de scrapie em Portugal, a realidade demonstrará, provavelmente, o contrário.

29 de dezembro de 2003

SEM PERIGO PARA O CONSUMIDOR

Sou do tempo em que o valor de indemnização por abate compulsivo de suínos atacados por Peste Suína (Africana ou Clássica… tanto fazia… se bem me lembro…) era estabelecido trimestralmente por uma comissão especialmente constituída com esse fim.
Vêm a recordação a propósito do caso de Doença Vesiculosa dos Suínos, pois que, em tempo de crise, até uma indemnização, mesmo por doença, é melhor que nada.
Noutros tempos, a curva do preço da carne de suíno acompanhava não apenas o fluxo de oferta/procura, mas também o da taxa de mortalidade causada pela PSA.
Havia mesmo quem se dedicasse à actividade ou a abandonasse, em função desse preço e também, por esse motivo, influenciasse essa subida e essa descida de preços.
Como vão longe esses tempos. Agora tudo corre bem melhor: a produção está organizada, há sinais claros da integração do sector e até a bolsa do Porco é factor determinante, sem falar da mudança de atitude dos produtores.
Estará? Até que ponto poderá existir alguma relação entre a rentabilidade económica de uma exploração, os investimentos obrigatórios em tratamento de efluentes ou o impacto da falta desses cuidados na opinião pública e o aparecimento súbito de doença contagiosa?

Provavelmente nenhum… nem esse será o cerne da questão, mas antes o profissionalismo dos Serviços na condução de todo o processo relacionado com a ocorrência, de que o Correio da Manhã fez eco, nomeadamente pela inclusão de texto esclarecedor da Autoridade Regional.
Infelizmente a versão online do artigo é "menos rica" que a versão em papel, contudo, ainda assim subjazem considerações interessantes:
- Alguém está em alerta máximo e as condições sanitárias estão todas reunidas. Que alerta é este? Faz parte de algum protocolo de procedimentos de emergência? Consubstancia-se em quê? E que condições são aquelas?
- Antes de entrarem no matadouro os animais são submetidos a controlos rigorosos. Normalmente não é assim? E que controlo é esse? Inspecção Sanitária ante mortem? Quem e onde é realizada essa Inspecção Sanitária?
- Animais doentes não vão para abate. Se é no matadouro que ocorre a Inspecção Sanitária ante mortem, o que acontece aos animais em caso de doença clínica? É que os riscos de contágio relacionado com a circulação de animais são inevitáveis depois de chegarem ao matadouro!
- Não existirá nenhum problema de saúde pública nem razões para deixar de consumir esta carne. Pelo texto fica a dúvida… Com a necessidade de tanto rigor no controlo, alguma razão haverá para dúvidas. E o problema não existe porque não vão animais doentes para abate ou porque a doença não afecta humanos?
- Foram adoptadas medidas profilácticas para evitar o contágio. Quais? O sequestro sanitário? O abate sanitário? Nesse caso como é que os animais circulam para os matadouros?
- Por ser uma doença muito confundível com a febre aftosa, foi decidido o abate dos 1600 suínos existentes na exploração de Chãs, como medida cautelar. Medida cautelar? Mas acautelar o quê? O risco de febre aftosa ou o debelar da doença vesiculosa?

Para muitas das interrogações, as respostas estão implícitas no texto, para o Médico Veterinário, todas as respostas estão lá (mais ou menos), mas para o comum dos leitores do Jornal muitas dúvidas subsistirão. Era preferível não enviar nada para o Jornal ou melhor ainda, dar a vez a outros melhor preparados para elaborar esse memorandum.
Basta acompanhar o que se passa nos EUA com a BSE, para perceber a diferença de atitude dos Serviços Veterinários respectivos...

27 de dezembro de 2003

AGRICULTURA EM COMA

Mesmo nos países ditos ricos a agricultura está mais ou menos em crise, apesar da população mundial continuar a crescer exponencialmente e haver tanta fome por este mundo fora.
Os agricultores que ainda não se afundaram definitivamente devem o facto aos subsídios proporcionados pelos governos respectivos, subsídios que desde a sua adopção, há anos, logo distorceram as regras do Mercado Livre, regras que aqueles mesmos governantes não desejavam distorcidas...... Coisas de político!
Por outro lado, também há que realçar dois outros factores que, de certo modo, são responsáveis pela grande diferença, em termos concorrenciais, entre a agricultura praticada nos países ditos ricos e a praticada nos países ditos em desenvolvimento. Um deles é a dimensão da área agricultada – nos países ricos a agricultura que concorre não é a praticada em minifúndio – O outro factor respeita à Unidade de Trabalho (UT) que nos países ricos é constituída por um “Trabalhador Instruído”, ou por uma Equipa constituída por trabalhadores capazes de potenciar as actividades de cada um deles, enquanto nos países mais atrasados os trabalhadores, em geral, não são instruídos e muito menos capazes de potenciar seja o que for.
Não admira, portanto, que no nosso país, grande parte da agricultura esteja perfeitamente moribunda. Acresce ainda o facto das nossas UT terem envelhecido sem substituição nem sequer por outras unidades similares, o que revela, mesmo depois da adesão à UE, a ausência duma estratégia para a agricultura nacional a despeito dos “fundos” que nos foram facultados. Mais uma vez – tal como aconteceu nos tempos da Índia, do Brasil e das Colónias em África – os fundos “importados” não foram aplicados de forma a produzir riqueza na área do Conhecimento..... Coisas de político!
Neste contexto, a nossa agricultura não sobreviverá a esta crise a não ser na mão de algumas UT e mesmo assim se forem capazes de grandes sacrifícios, o que se afigura pouco provável dado o facto do homem lusitano ser muito pouco propenso a sacrifícios sem usufruir imediatos benefícios.
Como os governos também não tiveram uma estratégia para a Educação – onde este aspecto e outros próprios do carácter do homem lusitano pudessem ser objecto de alguma mudança – cremos que, em termos gerais, até aquelas aberrantes UT sucumbirão, mais tarde ou mais cedo.
Muitos outros comentários não deixariam de ser oportunos! Compare com o que se passa no país vizinho, por exemplo.
Se concorda com o que dissemos, por que não comenta? Ajude a melhorar. Alguma coisa do que se diz pode ajudar a mudar, tanto mais que se perfilam mudanças na Administração Pública. Em termos práticos já viu coisa mais aberrante que as Direcções Regionais de Agricultura? Coisas de político!

26 de dezembro de 2003

THE AMERICAN BEEF

Há mesmo BSE… até os americanos têm… enfim, vamos começar a conviver com ela, agora que já aprendemos a controlá-la... Esta sim uma verdadeira arma de destruição massiva.
Mas nós temos uma arma bem mais poderosa… o terrorismo anti-inteligência (tiro o chapéu ao Victor Rodrigues e à sua "Ordem estupidológica", deixando o meu modesto contributo): a Federação dos Comerciantes de Carnes tirou-nos um peso de cima… podemos estar descansados pois Portugal não importa carne dos EUA… e se importasse? Haveria algum problema? Parece que sim… quer isso dizer que para a Federação dos Comerciantes de Carnes não devemos comer carne de vaca? É que só este ano já vamos em mais de 100 casos diagnosticados… em Portugal Continental (não confundir com Pirelli…)
Também não é para estranhar… um dos terroristas de serviço no governo (terrorismo anti-inteligência… nada de confusões com al-quaedas ou outras), afirmou há tempos que estes casos todos se deviam ao facto de Portugal estar em vigilância activa da doença…
Diz-se tanta barbaridade sobre o assunto… porque não ouvem quem devem? Aqui na blogosfera espera-se um comentário do médico de serviço, assim como do homem da faca)… só mando palpites lá mais para o ano novo… é que ainda estou a ler as últimas da USDA-APHIS

Há.......................AH!

- 60.000 Automóveis em circulação sem seguro e 10.000 roubados a circularem por aí?
- 30.000 Crianças maltratadas?
- Lotas nem sempre com inspecção sanitária?
- Milhares de estabelecimentos comerciais sem alvará, ou com licença a título precário durante demasiado tempo?
- Milhares de prédios sem licença de habitabilidade, mas já habitados?
- Água de abastecimento público, em muitas aldeias, vilas e cidades, imprópria para consumo?
- Falta de saneamento básico aqui e ali?
- Milhões e milhões de euros de dívidas ao Fisco e à Segurança Social?
- Matadouros sem condições para um exercício de inspecção adequado à defesa da Saúde Pública?
- Falta de conservação e manutenção de estruturas?
Somos atrasados!
Que importância tem tudo isto se estamos na U.E., dirão alguns? Mas não deixaria de ser interessante, dizemos nós, avaliar-se em profundidade a civilização terceiro-mundista em que uns quantos estrebucham, outros chafurdam e a maioria nem sequer se dá conta, ou não lhe dá a devida importância, apesar das funestas consequências debitadas permanentemente. Estamos na cauda da Europa......
Somos atrasados!
Se considerarmos a vivência de séculos que temos como Nação, não é possível deixar de reflectir sobre tudo isto e espantarmo-nos com a falta de interesse por parte de alguns dos cidadãos mais instruídos em exigir que os seus direitos sejam respeitados.
Somos atrasados!
Visceralmente somos tão pouco eficientes que, na maioria das situações, não se estabelece um programa de luta bem estruturado e, muito menos, uma estratégia, mesmo sabendo que, em certos casos, para obter resultados é necessário actuar-se durante mil anos...... Em vez disso, os governos optam por pôr em prática processos de combate contra as consequências dos males que nos afligem deixando para uma próxima oportunidade a luta contra as causas..... Os políticos actuam como os “soldados da paz” que combatem os incêndios (consequências) porque não podem combater as causas.
Será que não estamos atrasados?
Vá, comente, participe! Faça algum esforço; faça ouvir o seu protesto para que venha a ser possível vivermos num país melhor!

25 de dezembro de 2003

NINGUÉM É POBRE SENÃO DE JUÍZO

Segundo um estudo da Comissão Europeia (“Um Quinto dos Portugueses Vive em Risco de Pobreza e Exclusão Social“), um em cada cinco portugueses vive em risco de pobreza e exclusão social, o que nos dá o "honroso" penúltimo lugar na Europa.
Considera, ainda, a Comissão Europeia, mau grado as influências da situação económica e a vulnerabilidade de certos grupos da população (desempregados, mães solteiras, famílias numerosas, pessoas sem escolaridade, sem abrigo e imigrantes), que a reversão da situação obriga a um maior investimento na educação.
Também no abandono escolar Portugal é campeão na EU: 45% dos jovens entre os 18 e os 24 anos deixam a escola e não seguem qualquer formação.

Ora estes dois indicadores são algo tenebroso para o futuro próximo: como é que um indicador tão mau poderá ser modificado se a solução reside num sector, cujos indicadores são ainda piores?
Com tanta gente capaz no governo não acredito seja difícil gizar uma política que trave aquela "cruz da morte". Estou mesmo em crer existirem cabeças educadas e gente rica, capaz de nos dar a solução, afinal ela está debaixo do nariz.
Escola… desde o Jardim-de-infância, exigente e disciplinada, gente educada e profissional e numa dúzia de anos daríamos uma forte machadada na pobreza.
Antes disso será necessário e fundamental dar uma machadada na pobreza de espírito dos decisores que não querem mirar esta evidência.

Realmente ninguém é pobre senão de juízo, mas se não erradicarmos essa pobreza, passaremos os Natais, inevitavelmente, a acartar cabazes para os novos pobres… Bom Natal!

24 de dezembro de 2003

PARA PÔR NO SAPATINHO

Não vá o diabo tecê-las, já pus as galochas de ir à pesca à beira da lareira, e para todos os alambazados e sequiosos leitores, incluindo Inspectores Sanitários a trabalhar em dia de Natal, aqui fica a minha prenda:
PAULA REGO – OBRA GRÁFICA COMPLETA
Por Thomas Gabriel Rosenthal,
Edição CAVALO DE FERRO,
Tradução de Nuno Batalha,
Pela módica quantia de 98 euros.

A obra já tem uns dias de lançamento e quem teve a sorte de visitar a Galeria 111, teve a oportunidade de apreciar alguns dos quadros ao vivo.
Perguntará o curioso Veterinário… qual a razão de ser desta prenda?!...
A resposta não é fácil para o aculturado leitor a quem o nome Paula Rego nada diz… para quem a "conhece", ainda que superficialmente, saberá identificar na natureza obsessiva dos trabalhos e na crueza erótica das personagens, muito da vida do Médico Veterinário, particularmente o de província… convivendo com gente rude, mas real, sem maquilhagem e por isso também verdadeira, sem filtros… saberá reconhecer os sentimentos que as obras infligem, da mesma forma que nos fustiga a chuva, o vento, o frio ou o Sol abrasador, no monte, de volta com um animal doente.

No livro de Paula Rego revemo-nos, por vezes de forma incisiva e chocante, nos sentimentos… As suas "histórias", são muitas vezes, as nossas próprias histórias!

23 de dezembro de 2003

SEQUENCIAM-SE GENOMAS!

Responder a este apartado!

Contam-se por dezenas os genomas já sequenciados, entre eles o do Homem e mais recentemente o do cão.
Mesmo para quem aprendeu no Liceu fenómenos da divisão celular (mitose e meiose), que poucos anos depois se vieram a revelar errados, continua a ser surpreendente a forma como os diversos genomas vão sendo sequenciados.
Depois da invenção do fecho éclair nada parece mais simples e semelhante.
Fortemente financiados por empresas multinacionais e capitalistas (regra geral americanos), os consórcios científicos continuam activamente a deslindar as sequências de bases aminadas do ADN de tudo quanto é animal.
As aplicações são diversas, desde a cura do cancro até às múltiplas doenças de natureza genética… desconfio que no futuro bem poderá criar-se uma humanidade emocionalmente padronizada, em função do gosto político vigente, pela selecção "correcta" dos genes.

Será que o Homem lusitano apresenta algumas particularidades genómicas dignas de nota?
Era uma sorte! Passávamos já à acção, através da captação de "fundos comunitários" (estúpida designação que entrou no nosso léxico com uma dinâmica incrível…), no âmbito do quadro comunitário de uniformização genómica (QCVG), naturalmente com versões I, II e III.
Poderíamos passar mais uns anos a viver à custa do Orçamento Comunitário, lamentando o nosso secular atraso genómico, procurando, dessa forma, alcançar os modernos padrões europeus, sempre chorando sobre o leite derramado por Viriato, Afonso Henriques, o Mestre de Avis, e todos os incompetentes antepassados que não souberam "dar aos genes".

Afinal 25% do nosso material genético é partilhado pelo cão… deve ser por isso que nos babamos à visão de um osso e corremos a buscar o pau que nos atiram.

VETERINÁRIO, PRECISA-SE

Os veterinários pouco ou nada participam, publicamente, no debate político como se tudo corresse pelo melhor. Levar o alheamento, ou o desinteresse, tão longe quanto vem acontecendo, significa, entre várias coisas, que estão permitindo que outros técnicos empurrem a “luta”, que lhes pertence por direito, para um plano muito secundário e que, necessariamente, não é do seu interesse.
Nesta secundarização é óbvio que resultam muitos aspectos negativos para toda a Classe, os quais têm sido motivo de muitas lamentações sobejamente conhecidas. É certo que o indivíduo que se alheia da sua cidadania nem sempre sai prejudicado, mas não deixa de dar um mau exemplo para os mais novos...
É pena que assim aconteça!
São urgentemente necessários veterinários interessados pela política do país, a qual tantas vezes é levada para caminhos que só a muito poucos interessa.
Combata!